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A menina que calou o mundo

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toques

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Toques da Palavraria

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A menina que calou o mundo. Filha do Biólogo canadense David Suzuki, Severn Cullis Suzuki fundou aos 9 anos a Organização das Crianças em Defesa do Meio Ambiente (ECO). Ficou famosa e conhecida no mundo todo em 1992, quando com 12 anos, proferiu o discurso abaixo, durante a ECO 92 – Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, que ocorreu no Rio de Janeiro (Brasil, 1992).  Severn Suzuki é hoje ativista ambiental, palestrante internacional, apresentadora de TV, autora e membro ativo do painel sobre Meio Ambiente das Nações Unidas. É dela também o projeto Skyfish, um site que incentiva a juventude a falar sobre seu futuro e adotar um estilo de vida sustentável.

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Olá, sou Severn Suzuki.

Represento a ECO, a organização das crianças em defesa do meio ambiente. Somos um grupo de crianças canadenses, de 12 a 13 anos, tentando fazer a nossa parte, contribuir: Wanessa Suttie, Morgan Geisler, Michelle Quigg e eu.
Todo o dinheiro que precisávamos para vir de tão longe, conseguimos por nós mesmos para dizer que vocês, adultos, têm que mudar o seu modo de agir.
Ao vir aqui hoje, não preciso disfarçar meu objetivo. Estou lutando por meu futuro. Não ter garantia quanto ao meu futuro, não é o mesmo que perder uma eleição ou alguns pontos na bolsa de valores.

Estou aqui para falar em nome das gerações que estão por vir. Estou aqui para defender as crianças com fome, cujos apelos não são ouvidos.
Estou aqui para falar em nome dos incontáveis animais morrendo em todo o planeta, porque já não têm mais para onde ir.

Não podemos mais permanecer ignorados!

Hoje tenho medo de tomar sol por causa dos buracos na camada de ozônio. Tenho medo de respirar esse ar porque não sei que substâncias químicas o estão contaminando.
Eu costumava pescar em Vancouver com meu pai, até o dia em que pescamos um peixe com câncer. Temos conhecimento de que animais e plantas estão sendo destruídos a cada dia e, em vias de extinção.
Durante toda minha vida, eu sonhei ver grandes manadas de animais selvagens, selvas, florestas tropicais repletas de pássaros e borboletas, mas, agora eu me pergunto se meus filhos vão poder ver tudo isso.
Voces se preocupavam com essas coisas quando tinham a minha idade?
Todas essas coisas acontecem bem diante dos nossos olhos e, mesmo assim, continuamos agindo como se tivéssemos todo o tempo do mundo e todas as soluções.

Sou apenas uma criança e não tenho soluções, mas quero que saibam que voces também não têm.

Voces não sabem como reparar os buracos da camada de ozônio!
Voces não sabem como salvar os salmões das águas poluídas!
Voces não podem ressuscitar os animais extintos!
Voces não podem recuperar as florestas que um dia existiram, onde hoje é deserto.
Se voces não podem recuperar nada disso, então por favor: parem de destruir!

Aqui, voces são os representantes de seus governos, homens de negócios, administradores, jornalistas ou políticos. Mas na verdade, são mães e pais, irmãos e irmãs, tias e tios, e todos também são filhos.

Sou apenas uma criança, mas sei que todos nós pertencemos a uma sólida família de 5 (cinco) bilhões de pessoas e ao todo somos 30 (trinta) milhões de espécies, compartilhando o mesmo ar, a mesma água e o mesmo solo.
Nenhum governo, nenhuma fronteira poderá mudar esta realidade!!!

Sou apenas uma criança, mas sei que esse problema atinge a todos nós e deveríamos agir como se fossemos um único mundo, rumo a um único objetivo.
Apesar da minha raiva, não estou cega. Apesar do meu medo, não sinto medo de dizer ao mundo como me sinto.
No meu país, geramos tanto desperdício, … compramos e jogamos fora,… compramos e jogamos fora,… e os países do Norte não compartilham com os que precisam. Mesmo quando temos mais do que o suficiente!!! Temos medo de perder nossas riquezas, medo de compartilhá-las.
No Canadá temos uma vida privilegiada com fartura de alimentos, água e moradia. Temos relógios, bicicletas, computadores e aparelhos de TV.

Há dois dias aqui no Brasil ficamos chocados! Quando estivemos com crianças que moram nas ruas,.. ouçam o que uma delas nos contou:
“Eu gostaria de ser rica e se fosse, daria a todas as crianças de rua, alimentos, roupas, remédios, moradia, amor e carinho.”
E se uma criança de rua que não tem nada, ainda deseja compartilhar, porque nós que temos tudo somos ainda tão mesquinhos???

Não posso deixar de pensar que essas crianças têm a minha idade e que o lugar onde nascemos, faz uma grande diferença.
Eu poderia ser uma daquelas crianças que vivem nas favelas do Rio (Rio de Janeiro –BR). Eu poderia ser uma criança faminta da Somália. Uma vítima da Guerra do Oriente Médio ou uma mendiga da Índia.

Sou apenas uma criança, mas ainda assim sei que se todo o dinheiro gasto nas guerras fosse utilizado para acabar com a pobreza, para achar soluções para os problemas ambientais,… que lugar maravilhoso a Terra seria!!!

Na escola desde o jardim da infância, voces nos ensinaram a:

* sermos bem comportados
* a não brigar com os outros
* a resolver as coisas bem
* a respeitar os outros
* arrumar nossas bagunças
* não maltratar outras criaturas
* dividir e não ser mesquinho

Então porque voces fazem justamente o que nos ensinaram a NÃO FAZER???

Não esqueçam o motivo de estarem assistindo a estas conferências. E para quem voces estão fazendo isso. Vejam-nos como seus próprios filhos. Voces estão decidindo em que tipo de mundo nós iremos crescer.
Os pais devem ser capazes de confortar seus filhos dizendo-lhes: “Tudo ficará bem”… “Estamos fazendo o melhor que podemos”…
Mas não acredito que possam nos dizer isso. Estamos sequer na sua lista de prioridades?

Meu pai sempre diz: “Você é aquilo que faz, não aquilo que você diz”.
Bem, o que voces fazem, nos fazem chorar a noite.
Voces adultos, nos dizem que voces nos amam. Eu desafio voces!
Por favor: façam as suas ações refletirem as suas palavras!

Obrigada.”

Veja também, aqui no blog: Terra 2100

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6 Responses to “A menina que calou o mundo”


  1. 7 de abril de 2012 às 10:00

    Eu acho maravilhoso! que alguém possa dizer a verdade!!!!

  2. 2 Ricardo Alexandre Silveira
    3 de abril de 2011 às 17:10

    Realmente é de tirar o chapéu para o discurso desta menina no ECO de 92. Com certeza emocionou muita gente pelo mundo a fora. Mais o que intristesse é que de lá para cá se passaram 19 anos e quase nada mudou, as nações não se concientizarão de que cada vez mais estão diminuindo seu tempo de vida no planeta e do planeta. Infelizmente. Como recentemente a trajédia de FUKOJIMA dos reatores nucleares, e só de imaginar que o Japão tem 55 usinas, imagina se 5 delas vazesse radioatividade. Sómente uma pergunta que eu faço, aonde é que vamos parar ?

    It really is a hats off to this girl’s speech in ECO 1992. Certainly many people touched by the outside world. More intristesse what is that since then 19 years have passed and almost nothing has changed, not concientizarão nations that are increasingly reducing their lifespan on the planet and the planet. Unfortunately. As recently trajédia FUKOJIMA of nuclear reactors, and to imagine that Japan has 55 nuclear power plants, imagine if five of them vazesse radioactivity. Only one question I ask, where do we stop?

  3. 3 Haddammann Veron Sinn-Klyss
    10 de agosto de 2010 às 19:41

    Daniel Dennet é como Pedro almeida no Brasil, são sofistas midiatizados com “autorizade” e infurnados entre os sem-crenças para enfiar equívocos entre os non-believers e “criar” céticos mansos, sem vigor de transformação social. Por exemplo: ao falar sobre memes, o Dennet, no meio dum argumento enfia a sugestão do salmão subindo um rio e o relega á mesma condição de seres vivos infectados por vírus. Poderia usar o caso da barata, mas ele foi no Salmão; porque este é símbolo de resistência. Elementos como esse são nocivos entre os seres humanos que prezam por mentalidade livre.
    Severn Suzuki assinalou o desleixo criminoso do homem em sua postura política, eu estava por lá; e muito me espantei ao ver o que aconteceu de 1990 para 2010.

    Um tanto faz …
    (Um pensador humano escapou da boca da efígie)
    Na ancestralidade humana …
    Perplexo diante das intempéries da Vida o ser humano, aturdido por sentimentos intensos em seu íntimo e, o rigor inescapável da consciência … Viu o tanto faz da vida …
    Para não esmorecer e para não desesperar projetou um sonho em uma esperança pessoal;
    A esperança pessoal de uma continuidade (e sobrevivência) tornou-se uma fé compartilhada, e por conta disso, inventou algo mais duro que a vida, inventou deus.
    Porque de fato a vida não precisa de deus, como também nenhum ser humano precisa e nem admite que crença alguma de outros modifique sua fé própria (o jeito com que justifica suas ações; porque o deus da cabeça de um não é o deus da cabeça de outro).
    Assim, como Sociedade, o ser humano criou símbolos com os quais justifica o andar da vida.
    A Sociedade (então organizada) preestipulou três prumos simbólicos para coadunar suas ações: O Ponderador, o Executor, e o Legislador.
    Através deles todos os conselhos se pautam e se dispõem. Esses prumos estão intrinsecamente ligados à vida pessoal de qualquer indivíduo (pois foram gerados dentro da reflexão do indivíduo da espécie humana: desde o seu estado destacado em sua solidão à enormidade de vaidades que o acompanha quando está envolto em sua associação civil); e esses prumos são o norteamento da Educação e da Política.
    Quando grupos de indivíduos apropriam-se de símbolos para massacrar a Sociedade em favor de seus grupos, a Civilização se retrai para reagir; porque sente a efígie soberana que criou para protegê-lo ameaçar a si, à espécie, e à Civilização.
    E a transformação social se impõe por ingene constituição da mentalidade humana. É o fator que irrompe o Desenlace.
    (quando, ao ver no negrume da garganta da efígie não a fresta projetora de rumos e luminosidade, mas vendo os dentes fecharem sobre si e sobre sua Sociedade, o pensador prumou uma agulha e espetou o céu da boca que em avidez por morte e escravidão fechava, e a efígie estancou e reparou – em sua feiúra — que não era maior que o vigor da Vida).
    Pra quantas reflexões se fizer, em todas as idades, a partir dos seis anos, este texto se propõe para ser lido.
    Haddammann Veron Sinn-Klyss
    10 de agosto de 2010

  4. 6 de junho de 2010 às 14:37

    O que me doi é que as soluções são tão simples que uma criança as enxerga, e tão inexequíveis diante das disputas mesquinhas de poder.


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