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Uma dica, no más, por Jaime Medeiros Júnior
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Fui ver Medianeras. Argentinos e cinema parecem combinar. Também parecem não se importar de apenas contar uma história. E contam-na, no mais das vezes, muito bem. Pra além de ser uma história de amor, o filme nos mostra uma Buenos Aires sufocante e algo inóspita para com a parelha de nossos solitários protagonistas. Protagonistas que estão a se buscar incessantemente. Mariana e Martín. Eis a parelha.
Mas aqui tomo dois sustos bons de se tomar. Um, aquele em que Mariana tece uma versão bem moderninha do paradoxo do Ménon sobre a pesquisa e a busca. Como eu que não consigo encontrar sequer o Wally, que bem conheço, na página do meu livro, posso mesmo assim esperar encontrar aquele a quem nunca vi e não conheço?
Noutro ponto, que creio um pouco anterior, é novamente Mariana, que, ao não conseguir se colocar como arquiteta, se põe a arranjar, criar vitrines, comenta: vitrines são este espaço estático entre [dentro e fora, as minhas expectativas e o objeto] em que tudo se configura aparato do ilusório, da promessa. Talvez, aqui pudéssemos nos arriscar um pouco mais, e pensar a ilusão de profundidade e vida que a luz que transpassa a película de nosso filme [pelo menos assim o era, antes de querermos sacrificar todas as nossas esperanças aos Dáctilos, estes pequenos deuses da era digital] faz borrar sobre a superfície da tela, que parece ser um outro grande entre no qual talvez se possa abrir também uma pequena janela entre o mito e o nosso grande mundo daqui. De resto vale dizer: vá ver Medianeras.
Jaime Medeiros Jr. é poeta portoalegrense (1964), pediatra. Autor do livro de poemas Na ante-sala. Mantém os blogs Tênues Considerações e O Arco da Lira.
A prosa ligeira de Jaime Medeiros Jr. aparece neste blog quinzenalmente às quartas-feiras.
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