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Palavraria informa:
A Palavraria estará fechada de 31/12/11, sábado, até 02/01/12, segunda-feira. Voltamos a funcionar normalmente no dia 03/01/12, terça-feira.
Desejamos um bom Ano Novo a amigos e amigas.
A direção
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Cursos e Oficinas na Palavraria
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Objetivo: O primeiro trabalho do escritor é, sem dúvida, escrever, produzir uma obra. No entanto, após a conclusão do livro, muitos autores ficam sem saber o que fazer. Entre o texto e a publicação, há um caminho a ser percorrido, e é preciso conhecê-lo. Após a publicação, surgem novas questões. Assim, é importante visualizar o antes, o durante e o depois. O objetivo do curso é, portanto, preparar o autor para publicar e divulgar um livro e para tornar-se de fato escritor.
Professor: Rodrigo Rosp é escritor e editor. Lançou, pela Não Editora, os livros de contos A virgem que não conhecia Picasso (2007) e Fora do lugar (2009) e organizou a antologia 24 letras por segundo (2011). Como editor, criou a Não Editora e a Dublinense, pelas quais já publicou mais de cem autores – incluindo finalistas do Prêmio São Paulo de Literatura, do Prêmio Jabuti e do Prêmio Fundação Biblioteca Nacional, além de finalistas e vencedores do Prêmio Açorianos de Literatura.
Aula 1 – Apresentação de originais e definição do projeto editorial
Aula 2 – O processo de publicação
Aula 3 – O autor e a divulgação online
Rodrigo Rosp é escritor e editor. Lançou, pela Não Editora, os livros de contos A virgem que não conhecia Picasso (2007) e Fora do lugar (2009) e organizou a antologia 24 letras por segundo (2011). Como editor, criou a Não Editora e a Dublinense, pelas quais já publicou mais de cem autores – incluindo finalistas do Prêmio São Paulo de Literatura, do Prêmio Jabuti e do Prêmio Fundação Biblioteca Nacional, além de finalistas e vencedores do Prêmio Açorianos de Literatura.
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Informações e inscrições na Palavraria: 51 3268 4260
Rua Vasco da Gama, 165 – Bom Fim – Porto Alegre
De segunda a sábado, das 11 às 21h
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CD AMADOR, de Mário Falcão, na PALAVRARIA
O novo trabalho do compositor já pode ser adquirido em formato CD.
Amador é o título do álbum e da música que abre o repertório deste que é o segundo disco de Mário Falcão.
As gravações contaram com uma equipe de profissionais de larga experiência, inclusive internacional: Ricardo Arenhaldt, Clóvis Boca Freire, Luiz Mauro Filho e Zé Ramos, este último assinando a produção musical.
A Palavraria Livros & Café foi a primeira loja a receber o CD.
Na agenda de eventos para 2012 (dia 14 de janeiro próximo) já está marcado um pocket show com o artista na Palavraria.
Veja o clipe da música Greve Geral: http://youtu.be/6nu4z-dG9QQ
Veja o clipe da música Amador: http://youtu.be/rM2fIXl5IuU
Abaixo, texto extraído do comentário de Caetano Silveira* sobre o álbum Amador:
“As 10 canções que fazem parte do trabalho são simples e sofisticadas. Mário é um compositor de ofício. Um excelente construtor de agradáveis melodias e harmonias, além de um hábil carpinteiro de letras inteligentes e muito bem sacadas. A faixa título, que leva o instigante nome de “Amador”, é uma linda e romântica bossa-nova, e que pode ser conferida também em formato de vídeo clipe no site. A letra, como é de praxe em se tratando deste compositor, é extremamente bem composta e inspirada: “acho que deu pra perceber o nosso amor dilata / o som no ar, a ideia no papel / a poesia chega sem complicação / deixa um sorriso de felicidade em mim (…) concede a dança do amor / a quem apenas é um amador”. “Sem Título” é uma interessante canção que se vale da anáfora pra dizer: “sem sorrir nem chorar / sem ter nada pra dar / sem amor, sem perdão / sem nenhuma ilusão”. E o álbum segue com Mário cantando o amor com delicadeza e leveza como em “Dança dos Laços de Fita” – “o teu olhar / descoberta de ouro, pepita / desentoca qualquer eremita / (…) / o teu olhar / arrepia a lembrança que fica”. O cronista aparece em “Junho”: “desenhando paraísos / absorvendo absurdos / definindo a cena que não se vê / reparando alegrias / desfazendo preconceitos / traduzindo a vida que não se lê” No gostoso samba “Quem Mandou”, faz uma homenagem ao Estado: “o feitor da madrugada / avermelha o céu azul / quilombola bola samba / rebola Rio Grande do Sul”. Todas as canções são muito boas. “Nosso Abraço”, doce e quase uma oração, e a meio interiorana “Vamos Chegar”, uma das minhas favoritas, são apresentadas apenas com voz e violão, mas não perdem nada em brilho para as outras, devidamente arranjadas com apurado bom-gosto. Com o perdão do trocadilho: “Amador” é coisa de profissional.”
(*) Compositor e produtor cultural.
FICHA TÉCNICA DO CD:
Produzido por: Zé Ramos
Com:
Mário Falcão – composições, voz e violão (nylon)
Zé Ramos – guitarra e violão (aço)
Luiz Mauro Filho – teclado
Ricardo Arenhaldt – bateria
Clóvis Boca Freire – contrabaixo
Músicos convidados:
Fernando Sessé – percussão
Karlo Kulpa – violino
Ana Lonardi – voz (e participação especial no clipe da música Greve Geral)
Gravado em outubro de 2010, fevereiro e março de 2011, no estúdio Som da Luz, em Porto Alegre / RS / Brasil
Gravado por Bruno Klein e Dudu Yugueros
Mixado por Zé Ramos e Dudu Yugueros
Masterizado por Marcos Abreu
Arte e fotos por Letícia Nunes
Web site: Kao Félix e Letícia Nunes
Vídeo clipe da música Amador: direção de Bruno Carvalho e Edison Rodrigues
Produção Executiva: Márcio Gobatto (Odara Produções)
O site amador.mus.br (e seu conteúdo de áudio e imagens) contou com o patrocínio da PETROBRAS, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura.
Contatos com a produção:
Odara Produções: Márcio Gobatto – Fone: (51) 9121.0880 / odara@cpovo.net
Mário Falcão: (51) 81375561 / toarmusica@gmail.com
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Um assunto que tem me fascinado bastante há alguns anos é a relação entre história e literatura. Há muita coisa escrita sobre o tema.
Por um lado temos a realidade histórica como matéria prima para a ficção. Aqui está implícito uma concepção de arte como representação da realidade. A maioria dos seres viventes se contenta com as manifestações imediatas do mundo. Mas alguns indivíduos, privilegiados por uma sensibilidade mais aguçada, são tocados também pelas nuances mais sutis do vivido. Como habitantes da caverna platônica que conseguiram chegar ao lado de fora, eles recriam essa experiência através de narrativas fictícias, a fim de mostrar aos seus semelhantes a complexidade da vida e denunciar a falsidade das aparências projetadas nas sombras. É a história como fio condutor da ficção
Por outro lado, o historiador sempre recorre a um pouco de ficção para preencher o espaço entre os dados colhidos na pesquisa, por mais séria que ela seja. Um texto historiográfico também precisa de um ponto de vista, um recorte no tempo e no espaço, e isso não deixa de ser uma construção a priori do conteúdo descrito. Em outras palavras, um recurso às técnicas de ficção, usada como instrumento para contar a história real.
Lembro de uma biografia de Dostoievski em que o autor relata o deslumbramento de Ana Grigorievna ao ser pedida em casamento por aquele que ela admirava como escritor e já amava como homem. É verossímil que a então estenógrafa tenha se sentido feliz, pois, afinal de contas, ela aceitou o pedido sem vacilar, e, ao que consta, foi a grande companheira do escritor até o final da vida. Mas a descrição do estado de espírito da futura esposa, ainda que tenha se baseado em diários da própria Ana, faz parte do propósito do autor de mostrar que Dostoievski teve uma vida menos atribulada na velhice do que na juventude. A imaginação preencheu, com certa dose de honestidade, o vazio entre os registros concretos, e isso não diminui em nada o aspecto de verdade histórica.
Um livro no qual essas duas dimensões da narrativa, a real e a fictícia, se entrelaçam numa teia de significados é Memórias de Adriano, de Marguerite Yourcenar. A autora se empenhou por vários anos num imenso trabalho de pesquisa para recriar com fidelidade os meandros do então mais influente centro de poder do planeta. Mas não se limitou a uma descrição realista da biografia de um homem poderoso. Ela vasculhou os labirintos de uma cultura prestes a desaparecer e com o mesmo assombro de quem viu as legiões de bárbaros diante dos muros de Roma, ela sentiu os temores da decadência iminente. Não por acaso, o Adriano de Marguerite Yourcenar ocupa seus últimos dias de vida para relatar suas aventuras a um jovem Marco Aurélio, futuro herdeiro, de alma e de trono.
Segundo declarações da própria autora, ela se beneficiou das liberdades de ficcionista para a construção do seu personagem, sobretudo ao atribuir a ele certo poder de clarividência, ou concepções de mundo que só viriam a ser desenvolvidas nos séculos seguintes. Mas essas características estariam de acordo com a personalidade do imperador, vislumbrada através de reformas que ele patrocinou no campo da economia e do direito, transformando o império romano naquilo que para Marguerite seria um exemplo ideal de civilização clássica.
Mesmo assim, não se pode classificar essa obra como romance histórico, naquele sentido tradicional em que o escritor apenas se transforma num historiador liberado da rigidez das regras acadêmicas. Aqui a escritora se apropriou de um personagem real, cuja biografia continha os elementos que ela procurava para compor sua própria visão de mundo. A história real já estava pronta, ela só precisava selecionar os acontecimentos vividos pelo personagem, para construir uma unidade de sentido ficcional. E com isso, ela antecipou o que Paul Veyne diria algumas décadas mais tarde: a história é um romance verdadeiro.
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Ademir Furtado é autor do romance Se eu olhar para trás (Dublinense, 2011). Escreve no blog http://prosaredo.blogspot.com
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Contagiada pelos ares da Primavera Árabe, Teorema 19 apresenta uma edição que desde a capa, passando pela entrevista e dois dos artigos tratam de questões relacionadas à democracia no Oriente Médio. O Irã, vale frisar, não é árabe, é persa, mas deu a largada para as revoltas populares nesta parte do mundo. E esta é a primeira vez que a revista coloca na capa não um ator, mas um diretor de cinema. Neste caso, Jafar Panahi é o intérprete de si mesmo em Isto Não É Um Filme, rodado em sua casa, já que se encontra em prisão domiciliar. O crítico Paulo Henrique Silva analisa Isto Não É Um Filme, dirigido por Mojtaba Mirtahmasb e Panahi.
Em situação não muito melhor está Mohsen Makhmalbaf, que em entrevista à Teorema fala sobre seus filmes e sua condição de exilado que já escapou de um atentado no Afeganistão. Para analisar a obra de Makhmalbaf, Ivonete Pinto assina um artigo que divide a trajetória do diretor em distintas fases.
Esta edição vem mais robusta: além da entrevista, são 14 artigos que fazem um balanço do ano. Somando-se aos artigos já citados, Enéas de Souza, em sua habitual profundidade de análise, dedica-se ao filme de Terrence Malick, A Árvore da Vida. Na sequência, João Nunes enfrenta com determinação o enigmático Caminho para o Nada, do veterano Monte Hellman. Já Vicente Moreno nos traz a reflexão de um filme ainda inédito no Brasil, Drive, do dinamarquês Nicolas Winding Refn, premiado em Cannes.
Pulando o “bloco persa”, Alexandre Santos encara outro dinamarquês, o controverso Lars von Trier e o seu Melancolia. Marcus Mello, nosso especialista em cinema espanhol, descama A Pele que Habito, de Pedro Almodóvar. Carlos Eduardo Lourenço Jorge, por sua vez, impôs-se o desafio de analisar o gigante já no título, Notícias da Antiguidade Ideológica: Marx, Eisenstein, O Capital, de Alexander Kluge.
Para falar da estreia no longa-metragem de um dos editores da revista, fomos buscar um filósofo: Darwin Oliveira embarca na viagem de A Última Estrada da Praia, de Fabiano de Souza. Raul Arthuso aceitou a incumbência de escrever sobre Eduardo Coutinho e seu mais recente documentário, As Canções. E Fabiano de Souza entrega-se ao ritmo de Rock Brasília – Era de Ouro, de Vladimir Carvalho, ressaltando o papel da família no filme. O Palhaço, de Selton Mello, com suas gags e nonchalance, é o motivo do texto de Milton do Prado.
Para promover uma sintonia com a vida da personagem central, Teorema convidou a atriz Mirna Spritzer para refletir sobre Riscado, de Gustavo Pizzi. Fechando a edição, Teorema escalou o diretor Carlos Gerbase para falar de João Miguel, um ator que depende, mais do que tudo, de seu talento. Quem ler o texto, entenderá porquê.
Por fim, Teorema dá as boas-vindas a um novo editor: Milton do Prado. Frequente colaborador da revista, ele é mestre em estudos cinematográficos pela Concordia University de Montreal, montador, professor universitário e agora, oficialmente, crítico de cinema.
Fonte: Papo de Cinema – http://www.papodecinema.com.br/
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A qualquer momento, supondo nenhum atraso, a mãe haveria de descer do trem. Naquela gare a saudade não se colava mais aos fatos, era apenas a brusca síntese do que lhe restara.
Lá na outra ponta do banco, só aquele homem, quieto, ensaiava dormir.
Se pusera, então, por dentro de um bulício que o arrastara até aquele rancho a se sumir por trás dos tempos. A sentença do avô ainda não se lhe apagara da lembrança:
– Não volte mais a esta fazenda, por favor, isto hoje é tão-somente terra de mortos e não podemos mais ter parte contigo.
A gare o fazia recordar que era preciso se por nos trilhos, mas a estação era indecisa por natureza, um grande entroncamento de linhas. Sempre haveria de vacilar quanto a que rumo tomar.
Lembrava, tinha aprendido das ovelhas o como tratá-las na sua prenhez, quando doentes e até mesmo o jeito de as olhar na hora de levá-las à morte. Umas mergulhavam silenciosamente, outras berravam. Todas haveriam de atingir igualmente a eternidade. Eternidades, e contudo sem nenhum ponto de contato entre si.
Ele, ainda ali na gare, a esperar a mãe que não chega – ainda tinha de haver um ponto de contato – põe aqueles olhos que não existem, e que contudo carregamos, sobre si. Mais uma sentença:
– Estou a parecer um pastor.
Lembra de si naquele ponto junto ao fogo onde se tomava de silêncio, onde se ouvia atento a conversa desfiada de quem se punha a falar. Ali aprendera, meio aos tranquitos, que todos tinham um só seu jeito de desfiar uma história. E um só seu jeito de morrer.
Agora lá no outro extremo do banco, parece, se fez algum ruído. Então, o homem quieto põe os seus olhos quietos sobre ele, e diz:
– Pastor, nossa senhora me disse que devemos orar não só por nós, mas por todos!
Cessa, então, o bulício por dentro daquele homem, quieto, que agora se ajeita no banco e novamente ensaia dormir.
Ele, por fim, acorda de si. Adivinha que a mãe nunca haverá de chegar, pois desde muito tudo é tão-somente atraso. Se levanta e deixa a gare. Sabe que tem de tornar à casa.
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Jaime Medeiros Jr. é poeta portoalegrense (1964), pediatra. Autor do livro de poemas Na ante-sala. Mantém os blogs Tênues Considerações e O Arco da Lira.
A prosa ligeira de de Jaime Medeiros Jr. aparece neste blog quinzenalmente às quartas-feiras.
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