Posts Tagged ‘A crônica de Rônei Rocha

09
jun
12

A crônica de Rônei Rocha: Atados

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Atados, por Rônei Rocha

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Pelos velórios da vida, numa cidade pequena onde fui o único psiquiatra por um tempo, compareci à despedida do pai de um conhecido meu. Como o falecido era uma pessoa bem relacionada, o evento estava bastante concorrido. Em pouco tempo de solenidade, pude constatar que, de todos os presentes, só quem não havia passado pelo meu consultório, seja como paciente ou acompanhante, era o morto. Talvez imbuído de suas responsabilidades formais; talvez já desfrutando de privilégios de outro estado de espírito, foi ele, o defunto, o único que não me virou a cara.

Ainda hoje, mesmo numa cidade progressista como a nossa Uruguaiana, muitos fogem do psiquiatra como guri foge de banho, afinal, nós seríamos médicos de loucos. Com essa fama, não é à toa que uma das perguntas que mais escuto é como fazer para conseguir levar uma pessoa até o meu consultório. Infelizmente, são muito comuns os casos em que a família sequer avisa o paciente que ele irá consultar, criando verdadeiras artimanhas para enganá-lo e chegar, pelo menos, até a sala de espera.

Existem outras explicações para toda essa resistência a uma mísera consulta — além da que ninguém a encara dessa forma, e sim como um julgamento no qual o veredito será “louco” ou “normal”. Ocorre que, neste caso, quem desdenha é quem menos quer comprar, pois quem ataca a “esses psiquiatras” é quem mais precisa de ajuda.

É a doença, em suas diversas formas, quem buzina o ataque no ouvido da vítima, como o diabinho do desenho animado faz de cima do ombro do personagem: “Não vai lá, são uns mercenários”; “só querem saber de dar remédio e te deixar abobado”; “depois nunca mais te dão alta”.

Caso o paciente reaja mal à proposta de ir a um psiquiatra, e pergunte se acham que ele está ficando louco, o alvoroço é geral; ninguém quer melindrá-lo, e saltam com um festival de “capaz”, “que é isso!”, “de maneira nenhuma”, “é só que poderia ser bom”, e por aí vai. Então, afinal, como convencer alguém a consultar?

Fale português, seja claro e não enrole. Isso pode tranquilizar o paciente, por perceber que não estão escondendo nada, mas somente cuidando dele. Caso esteja muito perturbado ou paranóico, o ideal é montar uma equipe para fazer a proposta, pois se todos disserem a mesma coisa, são maiores as chances de vencer a resistência que a doença opõe. Em último caso, quando o paciente representa algum risco a si próprio ou aos demais, é preciso, para o bem de todos, recorrer à Saúde Pública, à justiça e até à Brigada Militar. Não tem outro remédio; é obrigação da família tomar essas providências quando o doente está fora da realidade.

Bastante raras são as crises agudas; geralmente, os sinais eram visíveis há tempos e a família ficou negando o problema, até que chegou a esse ponto lastimável. Já quando se trata de um reles marido que resiste a ir consultar, é bem mais simples. Vale tudo! Desde a esposa exigir um regime de sexo três vezes por dia — a maioria não suporta o pesadelo de ter sua pretensão atendida —, até desaparecer de casa e só voltar quando receber um telefonema do psiquiatra dizendo a senha: “Ele está aqui!”.

Rônei Rocha é escritor e médico psiquiatra de Uruguaiana – RS. Publicou Umas e outras (2011) e A pau e corda (2012), ambos pela Editora Proa.

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13
mai
12

A crônica de Rônei Rocha: Pasárgada

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Pasárgada, por Rônei Rocha

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Japão foi a minha Pasárgada enquanto eu ia entrando na adolescência. Assustado com o homem, eu acreditava que aquela pequena ilha era a prova de que o mundo podia ser melhor.

O leitor talvez imagine que eu fosse como costumam ser os adolescentes apaixonados, um profundo e tendencioso conhecedor do objeto de sua paixão. Pois apesar de ser um gordo rato de biblioteca que traçava o que aparecesse, sobre o Japão, estranhamente, não lia nem uma vírgula.

Eu tinha a minha fantasia, e era o que bastava. Lá os políticos se suicidavam de vergonha pela honra maculada? Era disso que precisávamos no Brasil, nos envergonhar e suicidar os nossos políticos.

Fiquei revoltado e até me sentindo traído quando descobri que eles não eram assim tão diferentes de nós, ocidentais. Mas depois fui amadurecendo e superando o rancor, tanto que recentemente até desisti de construir uma máquina do tempo para poder matar japoneses em Iwo Jima.

Lembro disso com frequência quando atendo pais que vem me consultar antes de trazer os seus filhos. Num exemplo fictício bastante comum, eles suspeitam que o filho seja um psicopata, um bon-vivant, pois não assume nenhuma responsabilidade, não quer saber de estudar nem de trabalhar. Aguardam apenas um sinal meu para ministrarem a tal da surra que fará com que se endireite, ou irão desistir dele. Fico preparado para atender um lobo mau, e eis que surge um porquinho assustado, com uma depressão crônica encravada até o último fio de cabelo.

Em outra situação típica, recebo uma família que chora por estar perdendo o seu filho para, por certo, uma depressão, que o levou a procurar refúgio nas drogas. Quanto às escorregadas na conduta (mentiras, furtos, violência), os pais não tem dúvida: “São as más companhias, doutor. Ele é um bom rapaz, só que se perdeu. O senhor vai ver quando ele vier consultar!”. Ele vem e eu vejo, como já suspeitava, que a péssima companhia é ele, e acho que quem está perdido sou eu. Lembro que posso invocar a São Lucas, o santo padroeiro dos médicos, mas penso melhor e resolvo encaminhá-lo para um especialista em pacientes assim, o Dr. Nascimento (que por ser Capitão tem o estofo que se requer nesses casos).

Mas o que leva uma família a escolher entre um diagnóstico ou outro? Não se trata de qual é o menos grave; a questão é fugir para uma fantasia, por isso essas famílias não buscam informações sobre sociopatia ou depressão. Na fantasia dos primeiros, ser um psicopata é algo menos grave, coisa que uns croques ou palmadas irão resolver. Assim tentam negar a depressão, que, como um buraco negro, suga energia de todos os que estão a sua volta. Já a segunda família se refugia da culpa e do medo responsabilizando a terceiros e fantasiando que um antidepressivo-poção mágica vai dar um novo (e, desta vez, bom) caráter ao filho.

Às vezes, fantasias são muito saudáveis, e até um Japão pode ajudar a salvar a nossa pele. O que não pode acontecer é ficarmos prisioneiros, morando num cubículo de fantasia, onde não é raro pagarmos um aluguel de resort, em troca de uma nada doce ilusão.

Rônei Rocha é escritor e médico psiquiatra de Uruguaiana – RS. Publicou Umas e outras (2011) e A pau e corda (2012), ambos pela Editora Proa.

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06
mai
12

A crônica de Rônei Rocha: Auto-ajuda

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Auto-ajuda, por Rônei Rocha

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Até hoje, eu nunca atendi um apaixonado. Pelo menos não um que esteja sendo correspondido em sua paixão. E não é um fenômeno restrito a saúde mental; clínicos gerais também notam essa estranha ausência nos seus consultórios. Pode-se ponderar que pessoas felizes adoecem menos, mas eu não estou dizendo que apaixonados sejam felizes, tampouco mais saudáveis que o restante da população.

Quando nos apaixonamos, somos atropelados e vencidos por nossos sentimentos, ganhando assim aquela razão de viver, a desculpa para tudo, um combustível invejável e o perdão de nós mesmos.

Quem precisa de um médico?

Um estado de espírito tão especial, que só Chicos e Nerudas conseguem descrever plenamente, mas que a enxerida da medicina, como de costume, tinha que meter o bedelho e dissecar.

Lá estão as nossas paixões, numa minguada e fria classificação, catalogadas como stress. O pior é que, por mais estraga prazer que possa ser, não há como contrapor, pois qualquer mudança que altere o nosso funcionamento habitual, não importando se para melhor ou para pior, exigindo de nós uma nova adaptação, caracteriza o stress.

A fina ironia é que a mesma capacidade impressionante de adaptação, salvadora e vital em tantas situações difíceis que precisamos enfrentar, é, também, o carrasco da paixão. Ela é capaz de fazer, não só com que eu me acostume com um câncer, como, em pouco tempo, nos torna íntimos; e é meu câncer isso, meu câncer aquilo, o meu é maior que o teu, etc.

Não por coincidência, todas as pesquisas que já foram feitas a respeito de mudanças estressantes na nossa vida e o tempo que se leva para acostumar-se com elas, apontam para o mesmo prazo: dois anos. Tanto para nos ambientarmos a uma nova cidade, um novo peso, uma nova condição (paternidade, viuvez, riqueza) como para que se apaguem as chamas de uma paixão; lá estão os tais dois anos.

Quer dizer então que estamos condenados à triste sina de buscar eternamente novos objetos de paixão? Um novo hobby, um novo trabalho, um novo corpo mais novo, pois todos virão com o prazo de validade estampado em uma lápide? Não! Existe uma saída. Foi descoberta por cientistas da Groenlândia enquanto analisavam o comportamento de pinguins felizes; é muito complicada, antinatural, extremamente trabalhosa, mas de resultados comprovadamente não garantidos.

Consiste em fugir da sua zona de conforto e entregar-se à caça do stress, buscando mudanças dentro do mesmo; sentindo sempre algo novo, de preferência que faça a adrenalina ferver, nós conseguimos ressuscitar a paixão. Então mexa-se. Adote um pitbull para fazer companhia ao seu poodle; diga não a sua sogra; esqueça os bicos de papagaio, dispense o peão e dome você mesmo os seus potros; ande de táxi em Porto Alegre; seja voluntário num asilo; declare ao seu amigo que você ama ele e a sua mulher tudo o que você realmente pensa sobre ela; comece a escrever a sua biografia — a verdadeira. Não há nada que se compare; sentir o sangue quente correndo em nossas veias, ou fora delas, uma paixão não tem preço.

Rônei Rocha é médico psiquiatra de Uruguaiana – RS.

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19
nov
11

A crônica de Rônei Rocha: Pancadão

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Pancadão, por Rônei Rocha

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Eu sou testemunha da forma criminosa como a carência artística está judiando da maioria dos mais jovens nestes tempos. A arte tem, entre muitas outras finalidades, a de nos encorajar, acalmar, enriquecer as nossas fantasias, mostrar um universo com o qual nunca havíamos sonhado, expressar ou ajudar a entender o que estamos sentindo. Nos meus delírios eu sou um grande compositor; os meus sentimentos simplesmente fluem como música e quase enxergo a cor e sinto o gosto das notas.

Como os meus dois professores de música tentaram o suicídio e tenho muitas outras coisas para estudar agora, sempre preenchi este espaço da minha alma escutando artistas que somente pelo fato de terem chegado antes de mim compuseram praticamente tudo o que eu precisava ouvir.

Para me ajudar a sonhar e relaxar tenho Villa-Lobos; pra botar a raiva pra fora, Deep Purple; pra entender um grande amor, Chico Buarque, e por aí vai. Quando eu penso que uma pessoa pode passar toda sua vida escutando funk e sertanejo (mesmo o com pós-graduação), dá vontade de oferecer eutanásia. E não é uma questão de gosto (já que, além de não discutir gostos, eu também aprecio algumas músicas desses gêneros), mas sim de pena mesmo pelo que eles estão perdendo.

Eu acredito que, em termos gerais, está cada dia mais difícil ser um adolescente, e uma parte disso se deve ao fato da maioria não ler nada, não saber escrever e encontrar muito pouco auxílio nas músicas ou nos filmes que curtem. Estão assim privados de grande alívio que está à disposição para quem puder ler Machado de Assis, Cervantes, García Márquez ou os Verissimo, e depois não surpreende vê-los se entupindo de álcool, maconha ou estimulantes.

Quem sabe, numa tentativa desesperada de salvamento, pudéssemos arriscar pôr música em alguns sonetos de Shakespeare:

— Chama-me de Tigrão, e serei assim rebatizado; nunca mais serei Romeu.

— Quem é esse muleke bolado que, envolto pela noite, tropeça em meu segredo?

— Meu nome, minha piriguete, é odioso a mim mesmo, porque é inimigo dus teu bródi.

— Como vieste parar aqui? Os muros do pomar são altos e para escalar tem que botar muita pressão.

— Com as asas leves do amor superei estes muros, pois mesmo barreiras pétreas não são empecilho à entrada do amor. Assim sendo, quero ver tu rebolar, minha cachorra, numa stronda até o chão.

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Rônei Rocha é médico psiquiatra de Uruguaiana – RS.

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07
nov
11

A crônica de Rônei Rocha: Alma de artista

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Alma de artista, por Rônei Rocha

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Esses dias o meu amigo Benhur esteve de aniversário. Nós temos uma amizade bastante diferente da média, já que ele me conhece muito bem, e eu quase nada sei a respeito dele. Além disso, é, em grande parte, uma amizade por interesse. Já me explico.

As únicas pessoas de quem eu sempre tive, como dizem os nossos irmãos argentinos, uma envidia sana, é dos artistas (às vezes nem tão sana assim). Fico me perguntando como conseguem criar onde só existe o nada, o vazio; enxergar com outros olhos; sentir o que nós, os comuns, não sentimos.

Quando eu vejo um pianista conversar alegremente com alguém e ao mesmo tempo conseguir tocar aquela música maravilhosa, que facilmente me faz chorar, e que pra conseguir tirar — comendo milho — eu levaria dez anos ou mais, dá vontade de, a la Tom e Jerry, descer a tampa do piano nos dedos dele. Nem um pouco sana. Compor então, pra uma pessoa como eu, que desafina até quando toca a campainha, é algo que sempre foi inatingível e incompreensível.

O Benhur foi o primeiro artista com quem eu pude travar um conhecimento, quando, inicialmente, me mostrou umas poesias suas. Lindas! Na hora eu detectei que se tratava de material fino, porque eu não entendi nada. Mas naquela época eu já havia aprendido que poesia boa eu não entendo, no máximo os parnasianos.

Aí está minha oportunidade, pensei eu, agora eu posso perguntar ao próprio artista o que antes tinha que perguntar ao pobre do professor, que, diga-se de passagem, às vezes também não entendia. Lembro que fiquei um pouco mais conformado quando perguntaram ao Chico Buarque o que ele quis dizer com O que será?, e ele respondeu que se soubesse não teria escrito “o que será?”. Bem, uma eu acho que entendi.

Mas, voltando ao tema, ele até me explica, com aquela má vontade típica de quem precisa explicar o óbvio, e aí então o texto fica ainda mais lindo. É quase como naquele filme no qual o mocinho decifra o enigma e as letras se desembaralham até formarem palavras claras.

As pessoas costumam perguntar se eu ando pela rua analisando qualquer um, distribuindo diagnósticos. Claro que sim! Depois de fazer isso num dia inteiro de trabalho não há nada melhor para relaxar um pouco.

Mas, em relação ao Benhur, eu não sinto vergonha de admitir ter utilizado todo o meu vasto arsenal de técnicas psicanalíticas na tentativa de decifrá-lo. Em vão, pois até hoje falhei fragorosamente.

Estou chegando à mesma conclusão que tantos outros chegaram antes de mim, inclusive Freud: a alma do artista é indecifrável (e eu não sou tão competente quanto fantasiava).

E aqui sigo eu imaginando como é que alguém escreve, como em O arcanjo inconfidente: “Era a maldição de Olga, que não podendo vir lhe puxar os pés, vinha desvendar nuanças sedutoras da paisagem, das pessoas e dos sentimentos, a gadanha da morte bolinada por uma bruxa num auto-de-fé”. Desgraçado! Vou já convidá-lo para uma feijoada.

Rônei Rocha é médico psiquiatra de Uruguaiana – RS.

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17
set
11

A crônica de Rônei Rocha

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De pato a ganso, por Rônei Rocha

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No início da faculdade de medicina, os calouros parecem misses desejando a paz mundial e a erradicação da fome, quase todos alegando, cheios de boa intenção, terem decidido ser médicos para poder ajudar as pessoas, ou outras razões igualmente nobres. É raro encontrar alguém que almeje fama ou riqueza.

Quando fui convidado para escrever crônicas para o jornal Tribuna, meu primeiro pensamento foi que teria a oportunidade de fazer chegar a um grande número de leitores, informações úteis para que eles conseguissem uma melhor qualidade de vida. Mas logo fui atacado por uma inquietação: “será que as pessoas vão aguentar outro psiquiatra escrevendo?” A segunda dúvida veio logo em seguida: “será que eu aguento outro psiquiatra escrevendo?” Convenhamos que há praticamente uma overdose de psicos mídia afora. Segundo as minhas pesquisas, só estão sobrando vagas para psiquiatras cantores. A saída que eu encontrei foi tentar não escrever como um “doutor”, mas sim chegar o mais próximo que eu conseguisse de uma conversa pouco formal. Na hora, quase não aceitei a proposta. Teria morrido de arrependimento, se fosse possível esse exercício fantasioso que sempre fazemos de “se eu soubesse antes o que eu sei agora” e não tivesse feito.

Uma das vantagens (e das desvantagens) de se viver em uma cidade pequena, como Uruguaiana, é que todos se conhecem. Chegar para tomar um café na praça e ouvir os comentários e sugestões das pessoas a respeito do que eu escrevo é uma experiência que só seria possível, em outro lugar, se eu fosse um escritor consagrado.

Muitas vezes recomendo que meus pacientes se exponham mais, para poder viver um feedback da realidade, mas, tal qual um pneumologista que fuma, termino por não seguir o meu próprio conselho. Com certeza, eu poderia estar curtindo há mais tempo esse tipo de “barato” que tem me causado escrever.

Continuo bem intencionado — a paz mundial, etcétera e tal — mas sou obrigado a admitir que hoje escrevo simplesmente porque preciso. (A praça com o meu nome e a fortuna caíram para quarto e quinto lugar respectivamente.) Sinto que fui picado por alguma mosquinha, não sei nem de que cor, mas estou escrevendo até no chuveiro e consultando um dicionário a todo o instante, enquanto a minha mulher consulta um advogado. Espero, para o bem de todos, que esta aventura tenha êxito, porque vocês nunca me ouviram, nem irão querer me ouvir, cantando O Ébrio.

Me aguardem.

Rônei Rocha é médico psiquiatra, reside em Uruguaiana – RS. Publicou recentemente o livro de crônicas Umas e outras (Editora Proa, 2011). Passa a publicar suas crônicas neste blog no 3º sábado de cada mês.

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setembro 2014
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