Arquivo para agosto \31\UTC 2009

31
ago
09

Dica de leitura, por Ademir Furtado

dicas leitura

 

Apresentamos a seguir mais uma sugestão de leitura do Ademir. Desta vez, Ademir fala do Tratado Geral da Fofoca, de José Ângelo Gaiarsa.

Título: Tratado Geral sobre a Fofoca: uma análise da desconfiança humana
Autor: José Ângelo Gaiarsa
Editora: Summus Editorial

TRATADO GERAL A maioria das pessoas do planeta se ocupa com atividades rotineiras, triviais, e despersonalizadas, onde o indivíduo não encontra um meio de expressão, seja intelectual, seja emocional. Então, para dar vazão às suas angústias, necessidades afetivas, e dimensões existenciais, o ser humano só encontra um caminho: a fala. Por isso as pessoas falam tanto. Mas fala de quê? Apenas vinte por cento das conversas são para transmitir informações importantes, assunto com algum conteúdo. E o resto? O resto é papo furado. Mas não é um simples jogar conversa fora para passar o tempo. A metade desse lero-lero o indivíduo gasta falando bem de si próprio, e a outra metade, falando mal dos outros. Essa é a conclusão a que chega José Ângelo Gaiarsa, no livro Tratado Geral Sobre a Fofoca. As razões de tanto disse-me-disse são várias e complexas, e quem ler o livro saberá. Mas, só para despertar a curiosidade, pode-se adiantar que a fofoca é a expressão de desejos reprimidos, de anseios não assumidos, pois ela não é apenas um relato sobre a vida alheia, ela é, antes de tudo, a interpretação do comportamento do outro. É nessa interpretação que o fofoqueiro projeta todas as suas fantasias reprimidas, travestidas de uma defesa moralista dos bons costumes. Nas palavras do próprio autor, “A fofoca é o mais fundamental dos fatos humanos”.
ADEMIR FURTADO 02Ademir Furtado escreve no blog http://prosaredo.blogspot.com 

  

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30
ago
09

Programação de 31/ago a 05 de setembro

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31, segunda, das 18h30 às 21h: Abertura da exposição fotográfica Comores: o retrato da imigração africana em Marselha, de Marcus Iizuka. Visitação: de 31 de agosto a 30 de outubro de 2009, das 11 às 21h.

Comores é uma ex-colônia francesa, arquipélago formado por quatro ilhas, próximo a Madagascar, Oceano Índico. Sua maior comunidade encontra-se na Cidade de Marselha, sul da França. A religião predominante é a islâmica. A língua, francesa.

FOTO marcus iizuka

 
Três meses atrás faleceu a minha avó, tinha 96 anos. Fiquei muito triste. Nasceu no Japão, na província de Shimane, casou com meu avô aos 22 anos. Com a família, em 1929, eles viajaram de navio em direção ao Brasil.
Meus avós educaram seus descendentes pela tradição, que começava pela língua japonesa. Foi a minha primeira língua. Depois é que aprendi o português.
Com as perdas sinto que as minhas raízes ficaram mais distantes, como também é distante o Japão. É a causa da minha tristeza.
Fotografando a cidade de Marselha e os imigrantes comorianos,  eu vi que tinha muito das questões dos meus avôs quando chegaram aqui, como a falta de amparo, a dificuldade da língua, a adaptação com a alimentação e a cultura. Principalmente carregavam dentro de si a vontade de um dia voltar a sua terra natal com a sensação de missão cumprida. Quando fotografava os comorianos, havia brilhos nos olhos e sorrisos que não entendemos. É isso, isso é a vida.

FOTO marcus iizuka (3)

Imigrantes que fogem da guerra, da miséria e da tirania em busca de encontrar em algum lugar a paz e a esperança. Quando conquistam e superam as suas dificuldades e constroem uma outra vida em um outro lugar são realmente vencedores. Que força é essa a do imigrante?  

 

Agradeço a Comunidade Comoriana, a Fundação Japão, Projeto Sampaca e ONG Ato Cidadão, a meus ancestrais e amigos.
Marcus Kiyohide Iizuka
 

MARCUS IIZUKA Marcus Iizuka é arquiteto e fotógrafo. Trabalha atualmente com a empresa NineOne Associados na produção de fotografias para obras de arte e produtos, gastronomia, arquitetura e book. Cobertura fotográfica para eventos sociais e empresariais. Tem como clientes entidades como a Fundação Japão, Sociedade Brasileira da Cultura Japonesa e Museu Histórico da Imigração Japonesa no Brasil. Atuou nos principais jornais da comunidade japonesa. Participou do Ano do Brasil na França em 2005 fotografando a comunidade africana de Comores em Marselha com uma exposição simultânea nos dois países. Fotógrafo de Cena do filme premiado Gaijin, ama-me com sou, de Tizuka Yamasaki. Em 1998, esteve no Japão como estagiário na área de arquitetura com estudo em pesquisa na convivência da arquitetura moderna com a antiga. Exposições fotográficas em São Paulo: Museu Imagem do Som, Espaço Fuji Film, Conjunto Nacional, Sesc Vila Mariana e estações do Metrô. Em Porto Alegre: Blue Tree Hotel, Instituto Eckart, Galeria Castelli di Forti. http://marcusiizuka.blogspot.com/  

 

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03, quinta, das 19 às 21h: Lançamento do livro Pajador do Brasil, de Paulo de Freitas Mendonça.

Pajador do Brasil
Estudo sobre a poesia oral improvisada

Pesquisa de 10 anos sobre a poesia oral improvisada. Apresenta um livro com 400 páginas e um CD com dez faixas, ambos bilíngues, em português e espanhol. O trabalho não se restringe  à pajada e à trova no Rio Grande do Sul: retrata o improviso nas demais regiões do Brasil e do exterior. Além disso, há também capítulos sobre revisão poética, tradicionalismo, nativismo, traços da vida e obra de Jayme Caetano Braun e Gildo de Freitas, improvisadores referenciais no mundo, Décima Espinela, Décima na música e na poesia atual do RS, entre outros. O livro conta com prefácio de Victor Cardoso (pesquisador da Ilha Terceira, Açores, Portugal) e com depoimentos de 20 artistas e pesquisadores de diversos países onde a poesia oral improvisada é vigente. A obra conta com financiamento do Fumproarte da Secretaria Municipal de Cultura de Porto Alegre.  

Repertório do CD:
01 Sonhos de um Campeiro
– Paulo de Freitas Mendonça
– José Curbelo (Uruguai)

02 Disse Dom Jayme Caetano
– Paulo de Freitas Mendonça
– Raul Quiroga

03 – Improviso Com Quatro Pés Forçados
– Wilson Saliwonczyk (Argentina)

04 Motivos do Pajador
– Paulo de Freitas Mendonça
– Jadir Oliveira
– Raul Quiroga

05 Labirintos d’América (Ode a Simon Bolivar)
– Paulo de Freitas Mendonça
– Osmar Carvalho

06 Para Joaquin
– Paulo de Freitas Mendonça
– Marta Suint (Argentina)

07 Tauras e Maulas
– Paulo de Freitas Mendonça
– Jadir Oliveira
– Raul Quiroga

08 Emplumadas de Poesia
– Paulo de Freitas Mendonça
– Osmar Carvalho

09 Canto de Adeus ao Pajador
– Paulo de Freitas Mendonça
– Raul Quiroga

10 Ao Pajador Missioneiro
– Paulo de Freitas Mendonça
– Osmar Carvalho

PAULO MENDONÇAPaulo de Freitas Mendonça (São Pedro do Sul.- RS, 1957) é jornalista formado pela Unisinos. Pajador, poeta, compositor, radialista, e diretor do Jornal do Nativismo. Publicou dois livros de poesias: Nativismo e Alma e Canto de Pampa e Paz. Participa de antologias poéticas publicadas no Brasil e no México. Lançou cinco CDs de pajadas: Pajadas e Poesias, Pajadores Sem Fronteiras, Pajadores do Brasil, Pajadores de Três Pátrias, e Tributo a Jayme Caetano Braun. Realiza participações especiais em discos de Antônio Tarragó Ros (Argentina), Fernando Hernandez Mor (Uruguai), Cantos de La Pátria Grande (Brasil e Uruguai) Trio Campeiro, Os Mateadores, Jadir Oliveira, Alma de Campo (Brasil). Tem atuado como pajador e realizado palestras no Uruguai, Argentina, Chile, Venezuela, Espanha, Portugal e Brasil. Tem participado com obras premiadas em importantes festivais como Califórnia, Grito do Nativismo, Coxilha, Festival da Música Crioula de Santiago, Chamamento do Pampa, Ronco do Bugio, Guyanuba e Cirio, entre outros. Assina autorias em discos de José Claúdio Machado, Wilson Paim, Délcio Tavares, Cristiano Quevedo, Os Araganos, Cheiro de Galpão, Alma de Campo, Sul Tchê, Cantos de La Pátria Grande e Valther Moraes, João Luiz Corrêa, entre outros. Atuou como apresentador e produtor de programas nas rádios Liberdade FM – Viamão e Porto Alegre, Rádio Gaúcha AM – Porto Alegre e Rádio Rural AM – Porto Alegre. Possui reportagens sobre seu trabalho e artigos seus publicados em jornais dos seguintes países: Argentina, Brasil, Espanha, Chile, México, Peru, Uruguai e  Venezuela, entre outros.

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26
ago
09

Dica de leitura, por Luciano Mattuella

 

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Uma trilogia nem tão óbvia

Títulos: Febre de Bola, 31 Canções e Frenesi Polissilábico
Autor: Nick Hornby
Editora: Rocco  

FEBRE DE BOLA NICK HORNBYNo fim das contas, suponho que eu também acredito que a vida é momentânea e triste, mas não destruidora de toda esperança, e talvez isto faça de mim um depressivo dramático, ou talvez isto faça de mim um idiota feliz, mas de qualquer modo ‘Thunder Road’ [música de Bruce Springsteen] sabe como eu me sinto e quem eu sou, e isto, no final, é um dos consolos da arte. (trecho de 31 Canções
Em um de seus famosos seminários, o psicanalista francês Jacques Lacan afirmou que aquilo “que a cultura nos veicula como sendo o mundo é um empilhamento, um depósito de destroços de mundos que se sucederam”. Frase que relembra a relação entre os vivos – o mundo em que estamos inseridos – e os mortos – aqueles que deixaram a cultura como uma herança. 
NICK HORNBY 31 CANÇÕESNa literatura contemporânea, talvez um dos autores que melhor conseguem expor esta construção da identidade a partir de destroços da cultura é o britânico Nick Hornby, conhecido especialmente por duas obras suas que foram adaptadas às telas do cinema: Alta Fidelidade e Um Grande Garoto. Em pleno auge criativo, Nick Hornby é uma prova de que boa literatura não precisa ser literatura clássica, de que existem escritores atuais com um sentido muito aguçado para as inquietações humanas. 
Dentre as suas obras, eu gostaria de destacar três, que formam uma trilogia nem tão óbvia: Febre de Bola, 31 Canções e Frenesi Polissilábico, publicados no Brasil pela Editora Rocco.
NICK HORNBY FRENESITrata-se de três livros em que Nick Hornby reflete sobre como a sua vida pessoal e a sua identidade encontram alicerces no futebol, na música e na literatura. São livros de memórias, mas não por isso deixam de ser livros de crítica cultural. Em última instância, Hornby fala sobre a experiência de ser torcedor, espectador e leitor, de ser alguém imerso entre os destroços da cultura. 

 

LUCIANO MATUELLALuciano Mattuella é psicólogo (UFRGS), psicanalista, especialista em Atendimento Clínico (UFRGS), mestre em Filosofia – Estética (PUC-RS), doutorando em Filosofia – Estética (PUC-RS). Desenvolve atualmente na Palavraria, às quintas-feiras, o curso O sujeito contemporâneo: as novas formas de ser e de habitar o mundo.

Obras de Nick Hornby

NICK HORNBY

Ficção:

1995 High Fidelity (Alta Fidelidade)
1998 About a Boy (Um Grande Garoto – Rocco, 2000)
2002 How to Be Good (Como Ser Legal – Rocco)
2005 A Long Way Down (Uma Longa Queda – Rocco)
2008 Slam

 

Não-Ficção:
1992 Fever Pitch (Febre de Bola – Rocco)
2003 31 Songs (31 Canções – Rocco, )
2004 The Polysyllabic Spree (Frenesi Polissilábico – Rocco)

 

Filmografia
1997 Fever Pitch (Febre de Bola) — dirigido por David Evans; roteiro por Nick Hornby
2000 High Fidelity (Alta Fidelidade) — dirigido por Stephen Frears
2002 About a Boy (Um Grande Garoto) — dirigido por Chris Weitz e Paul Weitz
2005 Fever Pitch (Amor em Jogo) — dirigido por Bobby Farrelly e Peter Farrelly

 

22
ago
09

O sexto aniversário da Palavraria

Na manhã do dia 19 de agosto de 2003, os transeuntes da Vasco da Gama que vinham da Felipe Camarão em direção à Fernandes Vieira – e vice-versa – se surpreendiam com uma nova loja cuja vitrina anunciava livros aos passantes. Muitos paravam, espiavam pela vitrina ou pelo vidro da porta. Outros, um tanto mais curiosos, entravam e, com olhares entre interrogativos e exclamativos, enquanto satisfaziam sua curiosidade, iam logo experimentando o novo espaço que a eles se oferecia: inquiriam as estantes, escolhiam livros e os levavam para as mesas,  saboreavam o aroma penetrante do café, perguntavam aos atendentes. Assim, informalmente, a Palavraria – Livraria-Café abria suas portas para o público portoalegrense.

PALAVRARIA INAUGURAÇÃO_37Três dias e muito boca-a-boca depois, na noite do dia 22, mais de cem pessoas se reuniam no modesto espaço da livraria para a sua inauguração oficial. Ali estava, para apadrinhar e apresentar à cidade o espaço cultural da Palavraria, ninguém menos do que o sociólogo Emir Sader, que naquela noite lançava no Rio Grande do Sul seu livro A vingança da história. Naquela noite prometíamos para a cidade mais que uma livraria. Anunciávamos, então, uma nova cena cultural onde os escritores – especialmente aqueles que se aventuravam nas suas primeiras publicações, mas sem descuidar dos já estabelecidos – encontrariam um espaço privilegiado de onde ampliar o diálogo entre si e com o público leitor.

Hoje, milhares de cafés e centenas de eventos literários depois, registramos a passagem do sexto aniversário da Palavraria. Podemos dizer que o que prometíamos vem se cumprindo. O que de importante se faz na cultura literária de Porto Alegre têm passado pela Palavraria: foram seis anos de lançamentos de livros, de debates, de cursos, de oficinas, de leituras e performances que tiveram sempre no livro e no seu autor o centro das atenções. Uma boa centena de novos autores – muitos hoje já com lugar garantido nas letras gaúchas e brasileiras – lançaram aqui seus primeiros livros.

PEREIO001Grandes nomes da cultura brasileira e de outros países marcaram sua passagem pela cena cultural gaúcha com sua presença na Palavraria. Sobretudo, fizemos ao longo desses seis anos muitos amigos. Entre os tantos autores que nos emprestam seu prestígio, os parceiros que produzem eventos conosco e os clientes que nos mantém, orgulhamo-nos de ter com todos a mais fraterna das relações. Mais do que comercializar livros e cafés, temos fecundado amizades que, acreditamos, muito contribuem para fortalecer a cultura do Rio Grande.

Este registro emocionado que fazemos aqui signifique acima de tudo um agradecimento a todos que têm contribuído para que a Palavraria possa representar seu papel na cultura gaúcha. Comercializar livros não é o melhor dos negócios, sabem todos. E por isso importa-nos neste momento agradecer especialmente àqueles que, demonstrando sua confiança e preferência nos têm ajudado a manter a linha: aos autores, produtores culturais, fornecedores, clientes – sobretudo esses últimos – nossa sincera gratidão. E um convite a que nos continuem honrando com a preferência.

P1070725

A atual equipe da Palavraria: Carlos, Igor, Cíntia, Carla e Luiz Heron

21
ago
09

Programação de 24 a 29 de agosto

 

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24 a 29 de agosto

29, sábado, das 18h30 às 21h: Encontro literário de Reginaldo Pujol Filho e Amílcar Bettega. Pocket show com Ita Arnold. Da série Palavra – alegria da influência. Produção de Fernando Ramos (Jornal Vaia).  

PALAVRA_ANGÚSTIA DA INFLUÊNCIA

Encontros literários mensais – iniciados em 2008, sempre com a presença de um escritor da nova geração (anfitrião do encontro) e de outro já consolidado no cenário literário e também da predileção (referencial, inspirador, ídolo) do anfitrião, para conversar sobre seus trabalhos, ler textos e debater idéias sobre suas respectivas produções literárias. Encerra o encontro uma canja musical por um músico especialmente convidado. Participaram dos encontros de 2008 os escritores Everton Behenck e Fabrício Carpinejar, Sidnei Schneider e Jorge Rein, Monique Revillion e Charles Kiefer, Laís Chaffe e Celso Gutfreind, Reginaldo Pujol Filho e Luis Fernando Veríssimo. Em 2009, já participaram Rodrigo Rosp e Ricardo Silvestrin, Leandro Doro e Caio Ritter, Ítalo Ogliari e Luis Antônio de Assis Brasil, Marlon de Almeida e Maria Carpi. 
 

REGINALDO PUJOL F 02Reginaldo Pujol Filho é redator publicitário e um dos primeiros autores da Não Editora. Azar do Personagem é seu livro de estréia. Antes disso, publicou contos nas antologias 101 Que Contam e Histórias de Quinta (organizadas por Charles Kiefer), no Armazém Literário e também no Janelas, projeto de cartazes literários dele com o amigo e poeta Everton Behenck. Na internet, você encontra o Reginaldo no www.janelas-blog.blogspot.com  e no recém blogado www.porcausadoselefantes.blogspot.com.

AMILCAR BETTEGA 04Amílcar Bettega Barbosa é formado em engenharia civil e mestre em literatura brasileira. Recebeu o prêmio Açorianos de Literatura 1995 (da Secretaria Municipal da Cultura de Porto Alegre) pelo volume de contos O vôo da trapezista (Movimento/IEL, 1994). Com Os lados do círculo, foi contemplado no Programa de Bolsas para Escritores Brasileiros 1997 (da Fundação Biblioteca Nacional). Traduziu 125 contos de Gui de Maupassant (1999). Foi contemplado com o Prêmio Portugal Telecom em 2005. Em 1999, participou como escritor-residente do programa Ledig House – International Writers’ Colony, nos EUA. Vive em Paris.
 
 
ITA ARNOLD 02Ita Arnold é compositor, violonista, cantor e filósofo de sarjeta com formação autodidata. Natural de Passo Fundo iniciou sua carreira musical lá pelo ano de 1971, na “Esquina do Perfume” junto com os músicos Alegre
Corrêa, Ronaldo Saggiorato, Raul Boeira e tantos outros. Desde meados de 1990, Ita Arnold vem dedicando atenção especial às suas composições. Seu trabalho autoral tem influência da bossa nova, marcha-rancho, do folclore gaúcho e tem o samba como pulsão vital. Lançou no ano passado o CD Dialética.
 

 

 

17
ago
09

Dica de leitura, por Jaime Medeiros Jr.

 

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Dica de leitura, por Jaime Medeiros Jr. 

MARÍLIA DE DIRCEUTítulo: Marília de Dirceu
Autor: Tomás Antônio Gonzaga
Editora L&PM Pocket, 2007

 

 

hoje estive na palavraria e dei de olhos na marília de dirceu, do gonzaga. me enterneci com a pequenez da edição de bolso, compacta, da L&PM. abri o livro e de um sopetão acabei por ler as 9 primeiras liras.

novamente me enterneci vendo gonzaga a demonstrar a marília que o amor é natural e que tudo na natureza ama. portanto, ela não poderia ir contra a natureza, devendo se entregar ao amor. ouçam contudo como o diz a ela:

Em torno das castas pombas,
Não rulam ternos pombinhos?
E rulam, Marília, em vão?
Não se afagam com os biquinhos?
E a provas de mais ternura
Não os arrasta a paixão?
             Todos amam: só Marília
             Desta Lei da Natureza
             Queria ter isenção?

como não amar estas singelas palavras, que cantam a necessidade de um amor feito também em nossos sentidos, mas sem a necessidade de se dar à derrama, mas todo entregue à sugestão?
outra pequena lição vem destes versos da lira II:

Na sua face mimosa,
Marília, estão misturadas
Purpúreas folhas de rosa,
Brancas folhas de jasmim.
Dos rubins mais preciosos
Os seus beiços são formados;
}Os seus dentes delicados
São pedaços de marfim. 

ou nestes da lira IX:

As abelhas, nas asas suspendidas,
Tiram, Marília, os sucos saborosos
          Das orvalhadas flores:
Pendentes dos teus beiços graciosos,
Ambrósias chupam, chupam mil feitiços
          Nunca fartos Amores.

me restou a questão: quem faria hoje versos a sua amada? Depois: quem cantaria os beiços de sua amada sem se entregar a ironia tão pós-tudo que vivemos? por último: o que é o nosso ouvido, o nosso gosto? ele é realmente nosso ou tão somente filho da contextura que nos sitia?

JAIME MEDEIROS JR 02Jaime Medeiros Jr. é poeta portoalegrense (1964), pediatra. Autor do livro de poemas  Na ante-sala. Um dos produtores do Portopoesia.

filhosdeorfeu@blogspot.com

 

 

 

 

Um pouquinho mais sobre Tomás Antônio Gonzaga
TOMÁS ANTÔNIO GONZAGATomás Antônio Gonzaga, nasceu na cidade do Porto (Portugal) em 1744 e faleceu em Moçambique, em 1819. Fez os estudos primários no Colégio dos Jesuítas, em Salvador (BA), e formou-se em Direito na Universidade de Coimbra (Portugal) em 1768. Na universidade, conviveu com o poeta com Alvarenga Peixoto.
Exerceu a Magistratura em Beja (Portugal) de 1779 a 1781. De volta ao Brasil, passou a viver em Vila Rica [Ouro Preto] MG, onde conviveu com intelectuais e poetas, entre os quais Alvarenga Peixoto, Cláudio Manuel da Costa e Cônego Luís Vieira. Envolveu-se em várias desavenças com as autoridades locais. É o provável autor de Cartas Chilenas, poemas epistolares satíricos, de oposição ao governador Luís da Cunha Meneses, que circularam em manuscritos anônimos na cidade, em 1786. 
Em 1792 foi publicada a primeira parte de sua obra poética Marília de Dirceu, em Lisboa (Portugal). Participou na Inconfidência Mineira, em 1789, o que lhe custou a prisão e, posteriormente, o degredo em Moçambique. Tomás Antonio Gonzaga é um dos principais poetas árcades do Brasil. Para o crítico Antonio Candido, “com Tomás Antônio Gonzaga o Arcadismo encontrou no Brasil a mais alta expressão. Na sua obra há um aspecto de erotismo frívolo, expresso principalmente nas poesias de metro curto, anacreônticas em grande parte, celebrando a namorada, depois noiva, sob o nome pastoral de Marília. Mas ela vale sobretudo pelas de metro longo, voltadas para a expressão lírica da sua própria personalidade. Nelas, com admirável simplicidade e nobreza, traça um roteiro das suas preocupações, da sua visão do mundo e, depois de preso, do seu otimismo estóico. “. 
Gonzaga já foi retratado como personagem no cinema e na televisão, interpretado por Gianfrancesco Guarnieri na telenovela Dez Vidas (1969), Luiz Linhares no filme Os Inconfidentes (1972) e Eduardo Galvão no filme Tiradentes (1999).

14
ago
09

Programação de 17 a 22 de agosto

 

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17 a 22 de agosto

 

17, segunda, das 19 às 21h: O guardião de memórias: função paterna e materna. Palestra e debate com a terapeuta de casal e família Marilene Marodin e a coordenadora do Núcleo de Pais do ESIPP Suzana Notti. Show instrumental/autoral com os violões de Toneco da Costa e Thiago Gonçalves. Da série Sarau Psicanarte-2009, promoção de Estudos Integrados de Psicoterapia Psicanalítica-ESIPP  

Casados há poucos anos, Norah e David esperavam felizes a chegada de seu primeiro filho. Mas essa alegria duraria pouco: o destino havia preparado uma surpresa que mudaria para sempre a trajetória dos dois. 
O que deveria ser uma boa notícia transforma-se um terrível pesadelo. Norah dá à luz duas crianças: Paul, um menino saudável, e Phoebe, portadora da síndrome de Down. Imediatamente, David lembra-se da complicada infância ao lado de uma irmã com a mesma doença. Desejando ardentemente poupar a esposa e a si mesmo desse sofrimento, ele decide expulsar a filha de suas vidas, entregando-a para a enfermeira que o assistiu no parto, mantendo esse segredo entre os dois.
Mas o preço dessa decisão acaba sendo alto demais – e não há chance de voltar atrás. Pouco a pouco, a culpa corrói o núcleo da família, e durante os 25 anos seguintes cada um vai lentamente se fechando em torno de suas próprias angústias.
Atormentado pelo arrependimento, David fica obcecado por fotografar imagens de crianças, tentando compensar a saudade da filha. Norah, cada vez mais afastada da vida do marido, entrega-se ao álcool e a pequenas infidelidades, buscando em vão distrair-se da avassaladora dor da perda.
Enquanto isso, Paul sente na pele a rejeição dos pais, que parecem mais envolvidos na suposta morte da irmã do que na sua vida. Em outra cidade, porém, Phoebe cresce feliz e cercada de cuidados pela mãe adotiva, que luta para dar à menina uma vida digna e livre de preconceitos.  [Sinopse do filme apresentado pelo Núcleo de Pais para discussão no Sarau Psicanarte.]

Os músicos

TONECO DA COSTA 01

Toneco da Costa tem desde 1975 intensa participação no cenário musical do Rio Grande do Sul, tendo desenvolvido trabalhos como violonista, arranjador e diretor musical com Giba Giba, João Palmeiro, Fernando do Ó, Pedro Figueiredo, Geraldo Flach, Luizinho Santos, Paulo Geiger, Grupo Vocal Muito Prazer, Glória Oliveira, Lurdes Rodrigues e Maria Lucia, entre outros. Os temas intimistas e sutis das composições de Toneco têm a marcante presença dos ritmos e dos sons da brasilidade, mas também influencias de sua formação erudita, do nosso folclore e da nossa latinidade. Músicas compostas ao longo de quase trinta anos de carreira, ao mesmo tempo simples e elaboradas, nos remetem para além da música que se ouve todo o dia.
Thiago Gonçalves, além de dedicar-se ao estudo da Música Popular Brasileira, participa desde 1999 como violonista do grupo de músicos da Cia de Danza Flamenca Tablado Andaluz.

 

20, quinta, das 19 às 21h: Início do curso O sujeito contemporâneo: As novas formas de ser e habitar o mundo, com Luciano Mattuella. Às quintas-feiras, de 20 de agosto a 10 de setembro de 2009. INSCRIÇÕES ABERTAS

O curso “O Sujeito Contemporâneo: as novas formas de ser e de habitar o mundo” tem por objetivo discutir a condição do homem na atualidade através da análise de manifestações culturais – filmes, obras de arte, trechos de obras literárias – relevantes. Desde um ponto de vista psicanalítico e filosófico será colocado em questão o modo como habitamos um mundo no qual não encontramos mais um discurso unificado que valide nossas ações e nossas crenças. 
As questões abordadas no curso têm como público-alvo todos aqueles se sentirem convocados pelo tema, ou seja, todos que se ocupam – ou se inquietam – com o modo como o homem contemporâneo se insere e encontra um lugar no discurso contemporâneo da queda dos ideais, do chamado pós-modernismo.

Data: 20/08, 27/08, 03/09 e 10/09
Horário: 19h-21h
Investimento: R$ 200,00
Inscrições e Informações: mattuella@gmail.com 

LUCIANO MATUELLAMinistrante: Luciano Mattuella (psicólogo, psicanalista, especialista em atendimento clínico – Psicanálise, mestre em Filosofia – Estética, doutorando em Filosofia – Estética).




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