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Aconteceu na Palavraria: qual é a do Ferlinghetti?

Ricardo Silvestrin e Fernando Ramos – respectivamente idealizador e produtor dos encontros literários denominados Qual é? – se superaram novamente e nos proporcionaram, no último sábado, 01, mais um excelente momento literário na Palavraria: o encontro deste mês, que tratava da obra do poeta beat Lawrence Ferlinghetti, foi uma aula de leitura para ninguém botar defeito.

ferlinghetti-city-lights

Silvestrin comandou um barco tripulado por dois exímios leitores: o jovem poeta, músico e agitador cultural Marcelo Noah e o viajado jornalista, escritor e gremista Eduardo Bueno, o Peninha. Usando o entusiasmo, a graça e o conhecimento como instrumentos de navegação, o Ricardo, o Marcelo e o Peninha nos guiaram pelo mar revolto que é a obra de Ferlinghetti.

FERLINGHETTI 03

Depois do Silvestrin traçar os limites da nossa viagem – o amplo contexto histórico e cultural onde os beats constroem e alimentam sua obra, o Peninha, mais como personagem do que como comentarista, nos fez um divertido relato das suas andanças pelos Estados Unidos dos oitenta, meio que refazendo a viagem do personagem Dean Moriarty, de On the road (Kerouac), detalhando sua famosa entrevista ao vivo e a cores com o próprio Ferlinghetti, revelando significados da mítica livraria e editora City Lights, fundada pelo Ferlinghetti. Falou daqueles anos como se os estivesse vivendo aqui e agora, tal a vivacidade e a riqueza de detalhes com que apresenta os cenários e as personalidades que vai encontrando então. Conhecedor experto da retórica beat (conta-se por aí que coleciona, só do On the road, mais de vinte edições em quatro ou cinco diferentes línguas), detalhou os prazeres e os desafios de traduzir o poeta Ferlinghetti.

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Já o Marcelo Noah – depois de confessar sua iniciação na literatura do poeta em foco a partir das traduções do Peninha e do Leminski – nos impressionou pela atenção com que situa e interpreta Ferlinghetti, a geração beat e seus sucedâneos. Dizem por aí que essa rapaziada que milita entre o universo virtual da Internet e a sonzeira das raves não lê mais. Pois o Marcelo mostra que isso não é verdade. Pelo contrário, eis aí uma prova de que há, sim, uma nova geração de leitores que não deve nada a ninguém em sensibilidade, discernimento e competência para interpretar o mundo das letras.

FERLINGHETTI 01

O mais bacana de tudo é que os três nos prenderam nas letras beats em leituras de muito entusiasmo, muita alegria, muita graça. Foi quase um espetáculo. O encontro terminou inclusive com o Peninha e Marcelo encenando um duo de roqueiros cantando Neil Young e Bob Dylan. Imperdível.

PENINHA CANTA

Fernando Ramos – o produtor do Qual é? – nos promete para breve uns clips do áudio-visual que documentou esse encontro. Voltaremos ao assunto, portanto.

MARCADOR 01_LIVROS

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