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Dica de leitura, por Ronald Augusto

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Dica de Leitura, por Ronald Augusto 
Título: Prosa do mar
Autor: Marlon de Almeida
Editora: 7Letras, 2008

PROSA DO MARA voz lírica se projeta sobre uma voz dramática que se esgarça. A remissão ao lirismo não edulcorado marca a presente recolha de poemas de Marlon de Almeida. A novidade de Prosa do mar repousa sobre uma particularidade: esse lirismo faz alusão em parte à moderna canção brasileira, isto é, se põe em relação com esta. Uma polifonia a Dorival Caymmi, narrativa em ondas de poemas. Vozes que se quebram na praia branca da página. E como muito bem lembrou Ronaldo Machado, em análise ainda não publicada dedicada ao livro, na concha textual de Prosa do mar, ouvimos um eco valeriano, vale dizer, como o mar no Cemitério Marinho do poeta francês, a obra de Marlon de Almeida — esse poema na linha da prosa e de muitas vozes — se propõe como um discurso sempre recomeçado. Marlon compõe precisas cantigas d’amigo.

RONALD AUGUSTO 02Ronald Augusto. Poeta, músico, letrista e crítico de poesia. É autor de, entre outros, Homem ao Rubro (1983), Puya (1987), Kânhamo (1987), Vá de Valha (1992), Confissões Aplicadas (2004) e No assoalho duro (2007). É co-editor, ao lado de Ronaldo Machado, da Editora Éblis e também editor associado da revista virtual Sibila. Tem poemas traduzidos para o inglês e o  alemão. Publicou artigos e/ou ensaios sobre poesia em diversas revistas do Brasil e sites de literatura. Ministra oficinas e cursos de poesia e é integrante do grupo os poETs
www.poesia-pau.blogspot.com
www.poesiacoisanenhuma.blogspot.com
www.ospoets.com.br
www.editoraeblis.blogspot.com
www.sibila.com.br.
 

Um pouquinho mais sobre Marlon de Almeida
MARLON DE ALMEIDAMarlon de Almeida nasceu em Porto Alegre, em 1966. É mestre e doutor em Letras pela UFRGS. Já publicou Histórias de um domingo qualquer (1994); Domingo desde a esquina (1997), finalista do Prêmio Açorianos de Literatura; Domingo de futebol (1997); Domingo de chuva (2000); Malabares ou o clube dos incomparáveis (2003), indicado ao Prêmio Portugal Telecom de Literatura.

Três poemas de Prosa do Mar

[1]
Jogou a tarrafa para apanhar peixes
pegou estrelas.
Jogou a tarrafa para apanhar estrelas
pegou peixes
              pensou:

Por que nada vem quando quer a gente?

Recolheu a tarrafa, o tempo de estar,
ao largo da lua se foi, devagar,
velas ao vento

no mar.

 

[2]
Tinha peixe a dar
com o pau aqui.
Mas peixe bom morreu
e o que ficou não era bom
para gostar.

Sabíamos por andar de mar afora:
Deus não joga no entanto fiscaliza.

A mão do homem tirou tudo:
água, peixe, flor, semente
tem mais nada não.

Entrementes, pescador até que fica
pra paisagem nesta vila.

Natureza morta,
se me entendes.

 

[3]
O marinheiro
pensa
o mar o amor ou nada?

O marinheiro está fora do ar.

Mas em que ar está se está no mar
e o mar é água, ar jamais?

O marinheiro corre à margem
da paisagem de si mesmo.

Andar a esmo é seu vagar.

Ai, o marinheiro se perdeu
e o barco não há mais.

 

 

MARCADOR 01_LIVROS

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