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Dica de leitura, por Jaime Medeiros Jr.

 

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Dica de leitura, por Jaime Medeiros Jr. 

MARÍLIA DE DIRCEUTítulo: Marília de Dirceu
Autor: Tomás Antônio Gonzaga
Editora L&PM Pocket, 2007

 

 

hoje estive na palavraria e dei de olhos na marília de dirceu, do gonzaga. me enterneci com a pequenez da edição de bolso, compacta, da L&PM. abri o livro e de um sopetão acabei por ler as 9 primeiras liras.

novamente me enterneci vendo gonzaga a demonstrar a marília que o amor é natural e que tudo na natureza ama. portanto, ela não poderia ir contra a natureza, devendo se entregar ao amor. ouçam contudo como o diz a ela:

Em torno das castas pombas,
Não rulam ternos pombinhos?
E rulam, Marília, em vão?
Não se afagam com os biquinhos?
E a provas de mais ternura
Não os arrasta a paixão?
             Todos amam: só Marília
             Desta Lei da Natureza
             Queria ter isenção?

como não amar estas singelas palavras, que cantam a necessidade de um amor feito também em nossos sentidos, mas sem a necessidade de se dar à derrama, mas todo entregue à sugestão?
outra pequena lição vem destes versos da lira II:

Na sua face mimosa,
Marília, estão misturadas
Purpúreas folhas de rosa,
Brancas folhas de jasmim.
Dos rubins mais preciosos
Os seus beiços são formados;
}Os seus dentes delicados
São pedaços de marfim. 

ou nestes da lira IX:

As abelhas, nas asas suspendidas,
Tiram, Marília, os sucos saborosos
          Das orvalhadas flores:
Pendentes dos teus beiços graciosos,
Ambrósias chupam, chupam mil feitiços
          Nunca fartos Amores.

me restou a questão: quem faria hoje versos a sua amada? Depois: quem cantaria os beiços de sua amada sem se entregar a ironia tão pós-tudo que vivemos? por último: o que é o nosso ouvido, o nosso gosto? ele é realmente nosso ou tão somente filho da contextura que nos sitia?

JAIME MEDEIROS JR 02Jaime Medeiros Jr. é poeta portoalegrense (1964), pediatra. Autor do livro de poemas  Na ante-sala. Um dos produtores do Portopoesia.

filhosdeorfeu@blogspot.com

 

 

 

 

Um pouquinho mais sobre Tomás Antônio Gonzaga
TOMÁS ANTÔNIO GONZAGATomás Antônio Gonzaga, nasceu na cidade do Porto (Portugal) em 1744 e faleceu em Moçambique, em 1819. Fez os estudos primários no Colégio dos Jesuítas, em Salvador (BA), e formou-se em Direito na Universidade de Coimbra (Portugal) em 1768. Na universidade, conviveu com o poeta com Alvarenga Peixoto.
Exerceu a Magistratura em Beja (Portugal) de 1779 a 1781. De volta ao Brasil, passou a viver em Vila Rica [Ouro Preto] MG, onde conviveu com intelectuais e poetas, entre os quais Alvarenga Peixoto, Cláudio Manuel da Costa e Cônego Luís Vieira. Envolveu-se em várias desavenças com as autoridades locais. É o provável autor de Cartas Chilenas, poemas epistolares satíricos, de oposição ao governador Luís da Cunha Meneses, que circularam em manuscritos anônimos na cidade, em 1786. 
Em 1792 foi publicada a primeira parte de sua obra poética Marília de Dirceu, em Lisboa (Portugal). Participou na Inconfidência Mineira, em 1789, o que lhe custou a prisão e, posteriormente, o degredo em Moçambique. Tomás Antonio Gonzaga é um dos principais poetas árcades do Brasil. Para o crítico Antonio Candido, “com Tomás Antônio Gonzaga o Arcadismo encontrou no Brasil a mais alta expressão. Na sua obra há um aspecto de erotismo frívolo, expresso principalmente nas poesias de metro curto, anacreônticas em grande parte, celebrando a namorada, depois noiva, sob o nome pastoral de Marília. Mas ela vale sobretudo pelas de metro longo, voltadas para a expressão lírica da sua própria personalidade. Nelas, com admirável simplicidade e nobreza, traça um roteiro das suas preocupações, da sua visão do mundo e, depois de preso, do seu otimismo estóico. “. 
Gonzaga já foi retratado como personagem no cinema e na televisão, interpretado por Gianfrancesco Guarnieri na telenovela Dez Vidas (1969), Luiz Linhares no filme Os Inconfidentes (1972) e Eduardo Galvão no filme Tiradentes (1999).

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1 Response to “Dica de leitura, por Jaime Medeiros Jr.”


  1. 1 Rosãngela Leonel da Silva
    3 de setembro de 2009 às 17:51

    Bom ver estes comentários sobre a obra Marilia de Dirceu. Sugeri-a para meus alunos do 2º ano de Letras na Disciplina de Literatura Brasileira I, foram muito ihhh, a naoooo que ouvi, mas persisti e agora então todos comentando o ramantismo presente na obra do arcadismo. Creio que verão a reamente como a abertura do Romantismo no Brasil.


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