Arquivo para 13 de março de 2010

13
mar
10

Programação da semana: 15 a 20 de março

.


.

15 a 20 de março

20, sábado, 19h: Bianca Obino convida… Cibele Sastre. Pocket musical com Bianca Obino e intervenções de Cibele Sastre. Direção musical de Felipe Azevedo.

.

.

Bianca Obino Convida é um espetáculo que propõe o entrelaçamento dos universos artísticos da cantora, violonista e compositora Bianca Obino aos dos seus convidados, semelhante aos diálogos que estabelece nos arranjos do seu violão com sua voz. Assim, a artista, convidados e público tornam-se artesãos em cada encontro.

Bianca Obino participou de quatro edições do Festival de Música de Porto Alegre com canções de sua autoria e realizou apresentações em eventos de empresas, dentre as quais a Souza Cruz e FORD. Participou também de “Palavra: Alegria da Influência” e “Música Autoral” – promovidos pelo Jornal VAIA (RS) na “Palavraria Livros & Cafés” e “Teatro de Arena”, incluindo recitais eruditos no “Salão Mourisco” da Biblioteca Pública do Estado, “Auditório Tasso Corrêa” do Instituto de Artes da UFRGS, e no “Chiostro San Domenico”, em Prato (Itália). O processo de compor canções iniciado aos 15 anos, estende-se até hoje, paralelo ao exercício de intérprete nos ramos popular e erudito. O uso do violão junto com a voz sempre foi traço característico nos arranjos e na maioria das apresentações em público de Bianca. Desde 2008 vem aprofundando com o compositor, violonista, cantor e educador musical Felipe Azevedo seu estudo prévio de violão, abordando neste novo aprendizado aspectos históricos e estilísticos da música popular brasileira, técnica violonística aplicada ao seu trabalho autoral e de intérprete, além de arranjo e composição de canções.
[Veja mais em http://www.biancaobino.com/]

Cibele Sastre é bailarina, coreógrafa, professora e inventora de performances. Atriz formada pela UFRGS, é especialista em Consciência Corporal – dança na FAP -PR, e aprofundou estudos no LIMS Laban/Bartenieff Institute of Movement Studies em Nova Iorque, como analista Laban de movimento. É articuladora do Conexão Sul- encontro de artistas contemporâneos de dança da Região Sul, dirije o Grupo de Risco – pesquisa e criação em dança, participa dos coletivos artéria e 209 e dá aulas na UERGS/FUNDARTE, na PUCRS, na UNIVATES. Mestre em Artes Cênicas e doutoranda em educação.

.

Veja uma amostra da música de Bianca:

.

.

Artesão
Bianca Obino

Um artesão
Cria e move com as próprias mãos
Idéias, laços enredados
Tramados pra não serem par

Sozinho é
Tal qual a obra que não sai igual
A mais nenhuma porque é assim
Sinceramente única

Então esquece da loucura
Do tempo que há tempos jura que vai parar
E o mundo todo teme a trégua
Do cessar da máquina

Um artesão
Olha e sente através das mãos
Dedilha contos em poemas
E põe nos dedos a canção

Diz com voz
Que o prazo gera sua escravidão
Na pressa e na incerteza
Se apaga a luz do artesão

Tomado de tanta candura
Ainda sente na ternura a redenção
Enxerga a vida como um brique
Com requinte de imaginação

.

.

Anúncios
13
mar
10

Jogo da amarelinha, capítulo 7, com julio cortázar

Toques da Palavraria [07]


Capítulo 7, do Jogo da amarelinha (Rayuela), na voz de Júlio Cortázar. A música de fundo é Vuelvo al sur, de Astor Piazzola e Fernando Solanas, executada pelo Gotan Project.

.

.

Toco tu boca, con un dedo toco el borde de tu boca, voy dibujándola como si saliera de mi mano, como si por primera vez tu boca se entreabriera, y me basta cerrar los ojos para deshacerlo todo y recomenzar, hago nacer cada vez la boca que deseo, la boca que mi mano elige y te dibuja en la cara, una boca elegida entre todas, con soberana libertad elegida por mí para dibujarla con mi mano en tu cara, y que por un azar que no busco comprender coincide exactamente con tu boca que sonríe por debajo de la que mi mano te dibuja.

Me miras, de cerca me miras, cada vez más de cerca y entonces jugamos al cíclope, nos miramos cada vez más de cerca y nuestros ojos se agrandan, se acercan entre sí, se superponen y los cíclopes se miran, respirando confundidos, las bocas se encuentran y luchan tibiamente, mordiéndose con los labios, apoyando apenas la lengua en los dientes, jugando en sus recintos donde un aire pesado va y viene con un perfume viejo y un silencio. Entonces mis manos buscan hundirse en tu pelo, acariciar lentamente la profundidad de tu pelo mientras nos besamos como si tuviéramos la boca llena de flores o de peces, de movimientos vivos, de fragancia oscura. Y si nos mordemos el dolor es dulce, y si nos ahogamos en un breve y terrible absorber simultáneo del aliento, esa instantánea muerte es bella. Y hay una sola saliva y un solo sabor a fruta madura, y yo te siento temblar contra mi como una luna en el agua.

7

Júlio Cortazar

Toco a tua boca, com um dedo toco o contorno da tua boca, vou desenhando essa boca como se estivesse saindo de minha mão, como se pela primeira vez a tua boca se entreabrisse e basta-me fechar os olhos para desfazer e tudo recomeçar. Faço nascer, de cada vez, a boca que desejo, a boca que a minha mão escolheu e te desenha no rosto, uma boca eleita entre todas, com soberana liberdade eleita por mim para desenhá-la com minha mão em teu rosto e que por um acaso, que não procuro compreender, coincide exatamente com a tua boca que sorri debaixo daquela que a minha mão te desenha.

Tu me olhas, de perto tu me olhas, cada vez mais de perto e, então, brincamos de cíclope, olhamo-nos cada vez mais de perto e nossos olhos se tornam maiores, aproximam-se, sobrepõem-se e os cíclopes se olham, respirando indistintas, as bocas encontram-se e lutam debilmente, mordendo-se com os lábios, apoiando ligeiramente a língua nos dentes, brincando nas suas cavernas, onde um ar pesado vai e vem com um perfume antigo e um grande silêncio. Então, as minhas mãos procuram afogar-se nos teus cabelos, acariciar lentamente a profundidade do teu cabelo enquanto nos beijamos como se tivéssemos a boca cheia de flores ou de peixes, de movimentos vivos, de fragrância obscura. E, se nos mordemos, a dor é doce; e, se nos afogamos num breve e terrível absorver simultâneo de fôlego, essa instantânea morte é bela. E já existe uma só saliva e um só sabor de fruta madura, e eu te sinto tremular contra mim, como uma lua na água.”

Tradução de Fernando Castro Ferro. O jogo da amarelinha, Julio Cortázar, Civilização Brasileira, 2009. Pág. 7.

Vuelvo al sur
Fernando Solanas e Astor Piazzola

Vuelvo al Sur,
como se vuelve siempre al amor,
vuelvo a vos,
con mi deseo, con mi temor.
Llevo el Sur,
como un destino del corazón,
soy del Sur,
como los aires del bandoneon.
Sueño el Sur,
inmensa luna, cielo al reves,
busco el Sur,
el tiempo abierto, y su despues.
Quiero al Sur,
su buena gente, su dignidad,
siento el Sur,
como tu cuerpo en la intimidad.
Te quiero Sur,
Sur, te quiero.
Vuelvo al Sur,
como se vuelve siempre al amor,
vuelvo a vos,
con mi deseo, con mi temor.
Quiero al Sur,
su buena gente, su dignidad,
siento el Sur,
como tu cuerpo en la intimidad.
Vuelvo al Sur,
llevo el Sur,
te quiero Sur,
te quiero Sur…

.

.




março 2010
S T Q Q S S D
« fev   abr »
1234567
891011121314
15161718192021
22232425262728
293031  

Categorias

Blog Stats

  • 721.865 hits
Follow Palavraria – Livros & Cafés on WordPress.com
Anúncios

%d blogueiros gostam disto: