Arquivo para 6 de junho de 2010

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A menina que calou o mundo

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toques

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Toques da Palavraria

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A menina que calou o mundo. Filha do Biólogo canadense David Suzuki, Severn Cullis Suzuki fundou aos 9 anos a Organização das Crianças em Defesa do Meio Ambiente (ECO). Ficou famosa e conhecida no mundo todo em 1992, quando com 12 anos, proferiu o discurso abaixo, durante a ECO 92 – Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, que ocorreu no Rio de Janeiro (Brasil, 1992).  Severn Suzuki é hoje ativista ambiental, palestrante internacional, apresentadora de TV, autora e membro ativo do painel sobre Meio Ambiente das Nações Unidas. É dela também o projeto Skyfish, um site que incentiva a juventude a falar sobre seu futuro e adotar um estilo de vida sustentável.

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Olá, sou Severn Suzuki.

Represento a ECO, a organização das crianças em defesa do meio ambiente. Somos um grupo de crianças canadenses, de 12 a 13 anos, tentando fazer a nossa parte, contribuir: Wanessa Suttie, Morgan Geisler, Michelle Quigg e eu.
Todo o dinheiro que precisávamos para vir de tão longe, conseguimos por nós mesmos para dizer que vocês, adultos, têm que mudar o seu modo de agir.
Ao vir aqui hoje, não preciso disfarçar meu objetivo. Estou lutando por meu futuro. Não ter garantia quanto ao meu futuro, não é o mesmo que perder uma eleição ou alguns pontos na bolsa de valores.

Estou aqui para falar em nome das gerações que estão por vir. Estou aqui para defender as crianças com fome, cujos apelos não são ouvidos.
Estou aqui para falar em nome dos incontáveis animais morrendo em todo o planeta, porque já não têm mais para onde ir.

Não podemos mais permanecer ignorados!

Hoje tenho medo de tomar sol por causa dos buracos na camada de ozônio. Tenho medo de respirar esse ar porque não sei que substâncias químicas o estão contaminando.
Eu costumava pescar em Vancouver com meu pai, até o dia em que pescamos um peixe com câncer. Temos conhecimento de que animais e plantas estão sendo destruídos a cada dia e, em vias de extinção.
Durante toda minha vida, eu sonhei ver grandes manadas de animais selvagens, selvas, florestas tropicais repletas de pássaros e borboletas, mas, agora eu me pergunto se meus filhos vão poder ver tudo isso.
Voces se preocupavam com essas coisas quando tinham a minha idade?
Todas essas coisas acontecem bem diante dos nossos olhos e, mesmo assim, continuamos agindo como se tivéssemos todo o tempo do mundo e todas as soluções.

Sou apenas uma criança e não tenho soluções, mas quero que saibam que voces também não têm.

Voces não sabem como reparar os buracos da camada de ozônio!
Voces não sabem como salvar os salmões das águas poluídas!
Voces não podem ressuscitar os animais extintos!
Voces não podem recuperar as florestas que um dia existiram, onde hoje é deserto.
Se voces não podem recuperar nada disso, então por favor: parem de destruir!

Aqui, voces são os representantes de seus governos, homens de negócios, administradores, jornalistas ou políticos. Mas na verdade, são mães e pais, irmãos e irmãs, tias e tios, e todos também são filhos.

Sou apenas uma criança, mas sei que todos nós pertencemos a uma sólida família de 5 (cinco) bilhões de pessoas e ao todo somos 30 (trinta) milhões de espécies, compartilhando o mesmo ar, a mesma água e o mesmo solo.
Nenhum governo, nenhuma fronteira poderá mudar esta realidade!!!

Sou apenas uma criança, mas sei que esse problema atinge a todos nós e deveríamos agir como se fossemos um único mundo, rumo a um único objetivo.
Apesar da minha raiva, não estou cega. Apesar do meu medo, não sinto medo de dizer ao mundo como me sinto.
No meu país, geramos tanto desperdício, … compramos e jogamos fora,… compramos e jogamos fora,… e os países do Norte não compartilham com os que precisam. Mesmo quando temos mais do que o suficiente!!! Temos medo de perder nossas riquezas, medo de compartilhá-las.
No Canadá temos uma vida privilegiada com fartura de alimentos, água e moradia. Temos relógios, bicicletas, computadores e aparelhos de TV.

Há dois dias aqui no Brasil ficamos chocados! Quando estivemos com crianças que moram nas ruas,.. ouçam o que uma delas nos contou:
“Eu gostaria de ser rica e se fosse, daria a todas as crianças de rua, alimentos, roupas, remédios, moradia, amor e carinho.”
E se uma criança de rua que não tem nada, ainda deseja compartilhar, porque nós que temos tudo somos ainda tão mesquinhos???

Não posso deixar de pensar que essas crianças têm a minha idade e que o lugar onde nascemos, faz uma grande diferença.
Eu poderia ser uma daquelas crianças que vivem nas favelas do Rio (Rio de Janeiro –BR). Eu poderia ser uma criança faminta da Somália. Uma vítima da Guerra do Oriente Médio ou uma mendiga da Índia.

Sou apenas uma criança, mas ainda assim sei que se todo o dinheiro gasto nas guerras fosse utilizado para acabar com a pobreza, para achar soluções para os problemas ambientais,… que lugar maravilhoso a Terra seria!!!

Na escola desde o jardim da infância, voces nos ensinaram a:

* sermos bem comportados
* a não brigar com os outros
* a resolver as coisas bem
* a respeitar os outros
* arrumar nossas bagunças
* não maltratar outras criaturas
* dividir e não ser mesquinho

Então porque voces fazem justamente o que nos ensinaram a NÃO FAZER???

Não esqueçam o motivo de estarem assistindo a estas conferências. E para quem voces estão fazendo isso. Vejam-nos como seus próprios filhos. Voces estão decidindo em que tipo de mundo nós iremos crescer.
Os pais devem ser capazes de confortar seus filhos dizendo-lhes: “Tudo ficará bem”… “Estamos fazendo o melhor que podemos”…
Mas não acredito que possam nos dizer isso. Estamos sequer na sua lista de prioridades?

Meu pai sempre diz: “Você é aquilo que faz, não aquilo que você diz”.
Bem, o que voces fazem, nos fazem chorar a noite.
Voces adultos, nos dizem que voces nos amam. Eu desafio voces!
Por favor: façam as suas ações refletirem as suas palavras!

Obrigada.”

Veja também, aqui no blog: Terra 2100

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Programação de 7 a 12 de junho

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07 a 12 de junho

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07, segunda, 19h: Mesa-redonda: Linhas de passe: o inconsciente em campo, com  Enéas de Souza, Mário Corso, Robson de Freitas Pereira, Eduardo Vieira da Cunha e Flavio Azevedo & lançamento do Correio da APPOA. Promoção da APPOA.

Antecipando-se ao início da Copa do Mundo, a Associação Psicanalítica de Porto Alegre promove no próximo dia 7 de junho (segunda-feira), às 20h, uma mesa-redonda para marcar o lançamento da publicação mensal Correio da APPOA – Linhas de Passe – O inconsciente em campo. Para o evento, convocou alguns dos craques/autores dos textos da publicação que, além da psicanálise, traz literatura, música e escrita (incluindo a jornalística) em diversos campos.

Participam da mesa-redonda/linha de passe os psicanalistas Enéas de Souza, Mário Corso e Robson de Freitas Pereira, o artista plástico e professor do Instituto de Artes da UFRGS Eduardo Vieira da Cunha, e o professor de Literatura Flavio Azevedo. Entre os temas dos debates, destacam-se: “Como somos influenciados e interpretamos um evento como a Copa do Mundo”? “Será que ainda podemos afirmar que futebol (mais precisamente a seleção) identifica o Brasil como “a pátria de chuteiras”? “O espetáculo financeiro, tomou conta da paixão”?

Em 11 junho de 2010 acontece a primeira Copa do Mundo na África do Sul, país onde o regime racista do apartheid governou até os anos 90. O Brasil tem o “escrete” que reúne maior torcida e identificação com os irmãos africanos. Afinal, o que seria do futebol brasileiro sem a presença fundamental dos negros? Além disso, já dá para pensar em um possível “aquecimento” para 2014, quando o Brasil será a sede da maior festa do futebol mundial.

A cultura e suas manifestações são fundamentais para a psicanálise, que trabalha com os efeitos do discurso nos laços sociais que compartilhamos cotidianamente. A importância de estar inserido e interferir nesta sociedade faz com que os psicanalistas da APPOA atuem em diferentes âmbitos da comunidade e busquem dialogar com várias áreas do conhecimento. O futebol mobiliza muitas delas.

Nesta edição do Correio da APPOA, os leitores irão encontrar, entre outros, os seguintes textos: O futebol brasileiro evocado da Europa (poema de João Cabral de Melo Neto), De Deuses dos estádios a ativos financeiros (Enéas de Souza), O Brasil (que) sobra: Veneno remédio (Pedro Meira Monteiro), Nascia o Sport Club Internacional (Luís Augusto Fischer), Da raça (Ana Costa), Viajar no mesmo lugar (Ruy Carlos Ostermann), Desconstruindo os instantes decisivos do futebol e da fotografia (Eduardo Vieira da Cunha), Futebol e identidade nacional francesa (Manoel Madeira), Brasil!sil!sil!sil!sil! (Maria Ida Fontenelle), Homossexualidade debaixo do tapete do gramado (Mário Corso e Fabrício Carpinejar), Crônica (Armando Nogueira), Futebol é mesmo coisa séria (Jorge Broide), Escolha de seleção. Escolha de time. Escolha de neurose (Sidnei Goldberg), O torcedor à espera de Freud (Benilton Carlos Bezerra Junior), Futebol, paixão e falo – mas tudo pelo meio! (Luciano Elia), A ginga do desejo – ou o futebol à parte do pai (Robson de Freitas Pereira).

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10, quinta, 19h: Sarau Psicanarte: Valores Morais na Atualidade, com Inúbia Duarte, Jorge Machado e Rafael Werner. Promoção do ESIPP.

Os valores em nossa época acompanham a volatilidade e rapidez dos nossos dias. O processo da informatização do conhecimento proporciona a informação on line globalizada, ao mesmo tempo que impossibilita o aprofundamento e reflexão da informação.

Vivemos uma época do gozo imediato a qualquer preço sem a possibilidade de um distanciamento crítico necessário para uma reflexão filosófica. Uma época de acesso a informação sem critério sobre a qualidade do que se está recebendo. Nesse sentido, a filosofia pode servir de instrumento capaz separar o joio do trigo.

O Esipp (Estudos Integrados em Psicoterapia Psicanálitica), em parceria com a Palavraria, promove o Sarau: Valores Morais na Atualidade. Para um debate e reflexão sobre estas questões, contaremos com a participação dos professores de filosofia do IDC (Instituto de Desenvolvimento Cultural) Jorge Machado e Rafael Werner e da Psicóloga Inúbia Duarte.

Sarau Psicanarte: série de encontros promovidos pelo grupo de Estudos Integrados de Psicoterapia Psicanalítica, sob a coordenação das psicoterapeutas Cristina Guindani, Keylla Jung e Ana Paula Lucchesi.

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12, sábado, 19h: Bianca Obino convida o ator Alvaro Villaverde.

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“Bianca Obino Convida” é um evento que une sempre um show musical no formato violão e voz – executado pela cantora, violonista e compositora Bianca Obino – a uma performance de outro artista convidado, cuja área de atuação é distinta – literatura, dança, artes  dramáticas e visuais.

Nesta quarta edição do evento, sempre com a presença marcante de um ótimo público contaremos com a participação do ator convidado Alvaro Vilaverde que apresentará, agregado à sua performance, seus belíssimos trabalhos com dobras de papel! Artesania pura que este encontro promete  entre a cantora, compositora e violonista e este talentoso ator.

Natural de Porto Alegre, graduada em música com habilitação em Canto, pela UFRGS, Bianca iniciou seus estudos musicais por volta dos 10 anos de idade. Fez cursos e oficinas de especialização em Porto Alegre, Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro, e  em Florença, sob orientação da soprano italiana Patrizia Morandini. A artista também atua como orientadora vocal.

A prática de tocar e cantar culminou na busca de aprofundamento nos dois instrumentos que utiliza: violao e voz; e assim tem desenvolvido um estudo violonístico com o compositor, violonista, cantor e educador musical Felipe Azevedo sobre os aspectos históricos e estilísticos da música popular brasileira, técnica violonística aplicada ao seu trabalho autoral e de intérprete, além de arranjo e composição de canções.

“Bianca Obino Convida” é um espetáculo que propõe o entrelaçamento dos universos artísticos da cantora aos dos seus convidados semelhante aos diálogos que estabelece nos arranjos do seu violão com sua voz. Assim, a artista, convidados e público tornam-se artesãos em cada encontro. Em fase de preparação de seu primeiro CD com título a definir, este projeto também visa inserir e conectar esta artista ao seu público.

Os encontros têm apoio cultural da rádio Buzina do Gasômetro, site Artístas Gaúchos e livraria Palavraria; produção de Jornal VAIA e Balaio de Cordas; arte de palco Clau Paranhos e Ivan Quevedo e direção artística e musical de Felipe Azevedo.

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