Arquivo para agosto \26\UTC 2010



26
ago
10

Palavraria indica: Carassotaque, livro de Alfredo Aquino

.

.

Carassotaque, livro de Alfredo Aquino. ARdoTEmpo, 2009.

À venda na Palavraria – R$ 30,00

Reserve seu exemplar – palavraria@palavraria.com.br, 3268 4260
ou venha até a loja: Rua Vasco da Gama, 165 – Bom Fim

.

.

Carassotaque é um romance cujo tema central é o medo; o medo generalizado, silencioso e coletivo de toda a população de um país chamado Austral-Fênix, no qual os habitantes nativos perderam suas faces e suas cabeças. Ali apenas os estrangeiros mantém suas cabeças e vêem a todos os circunstantes com elas. E são vistos pelos habitantes locais também com suas próprias cabeças, daí serem apontados como os carassotaques. O livro é uma metáfora sobre o poder, sobre o autoritarismo demagógico, sobre a atmosfera opressiva e secreta que envolve e domina a todos, sobre a xenofobia, sobre o racismo e a discriminação contra os estrangeiros (ou todos os indivíduos que sejam considerados diferentes).

.

Alfredo Aquino é artista plástico, ilustrador, escritor, editor e curador de exposições de artes plásticas. Realizou várias exposições de seus desenhos e pinturas em São Paulo e Porto Alegre. Curador de exposições de pintura e fotografia, é responsável, entre outras, pelas mostras Brasil – Camisa brasileira, fotografias de Gilberto Perin – Porto Alegre, 2010; Ave, Flor – poemas de Cleonice Bourscheid com ilustrações botânicas da artista Anelise Scherer – Porto Alegre, 2009 e Desenho Anônimo – Utensílios, instrumentos e adornos da imigração no sul – São Paulo, 2007. É co-autor, com Inácio de Loyola Brandão, do livro bilíngüe/português-francês Cartas (contos e desenhos, Iluminuras, 2004) e autor do livro A fenda (contos, Iluminuras, 2007). É o editor responsável pela Editora ARdoTEmpo e pelo blog ARdoTEmpo – Blog de Arte, Literatura e Comportamento.


.

.

Anúncios
25
ago
10

A prosa ligeira de Jaime Medeiros Jr.: Trânsitos fortes de Netuno

.

.

Trânsitos fortes de Netuno, por Jaime Medeiros Jr.

O senhor das encruzilhadas. O senhor das escolhas. E não te enganes não, o senhor dos modelos, te reconhece e te descobre por trás dos olhos de um espelho.

Não te preocupes. Ando assim, com uns trânsitos fortes de Netuno. Por fim espero que tudo ainda se encaixe.

Ontem lembrei. Depois de ter lido os livros sobre mitologia grega do professor Junito Brandão, me encantei com episódio de Polifemo e Odisseu, um dos vários que acontecem durante a sua volta para casa. Chegando à caverna do cíclope, Odisseu e doze de seus nautas encontram muito queijo e ovelhas, aguardam o dono, que por certo deveria demonstrar-lhes alguma hospitalidade. Se enganam. O ciclope os descobre e pretende devorá-los. Odisseu usando de sua astúcia habitual acaba por vazar o único olho do ciclope. Conseguindo deixar a caverna. Quando os outros ciclopes querem ajudar Polifemo o questionam se alguém tinha lhe feito algum mal, ele responde, “Ninguém”, pois assim se lhe tinha apresentado Odisseu. A história é curiosa. Pra mim ganhou inda um tanto a mais de importância quando consultei a etimologia de Polifemo [Dicionário Mítico-Etimológico –Junito Brandão – Vozes], e descobri significar “o famoso”, o cheio de fama. Homero então está a nos dizer que é ninguém quem fura o único olho da fama e a faz cega. Muda-se da visão de um único olho, sem profundidade, para a cegueira. Resta saber se no universo homérico não enxergar, ser cego, se alinha com o ignorar, ou com ver verdadeiramente, ver o que realmente importa. Lembremos, por exemplo, que quem fala no mundo inferior a Odisseu e com quem ele realmente queria falar, Tirésias, também é cego e sábio. Mesmo Homero, acreditando-se na sua existência, é cego. Deste modo talvez devêssemos entender o ato de Odisseu como terapêutico.

Noutro nível poderíamos dizer que aquilo que a fama e o reconhecimento público geram de acomodação e superficialidade é vencido somente pelo joão-ninguém que nos são as novas ideias. E se quisermos interpretar talvez possamos ir derramando indefinidamente sabedorias infinitas sobre este único episódio da Odisséia. Onde iremos parar assim o fazendo, não sei. Mas isto é o que se propõe a fazer a tradição com aquilo que ela convencionou chamar clássicos.

Ontem acabei o quinto passeio pelos bosques da ficção [Eco]. Onde o autor demonstra que apesar da possibilidade de infindas interpretações de um texto, estas interpretações têm de obedecer certas regras, certos limites para serem verdadeiras. A principal delas é que não podemos contradizer à história. Se eu teimar em dizer que Romeu e Julieta não morreram, se casaram e foram felizes por um tempo e que depois o seu casamento caiu na mesmice, a minha interpretação pode ser muito perspicaz, mas não é verdadeira. No final deste quinto passeio Eco lembra Heráclito, “o Senhor cujo o oráculo está em Delfos não fala nem esconde, mas indica através de sinais”, o conhecimento que buscamos é ilimitado porque assume a forma de uma contínua interrogação.

Polifemo é filho de Netuno/Poséidon. E no final daquele episodio roga ao pai para que se vingue por ele. O que torna o retorno de Odisseu muito difícil. Várias escalas, muitos perigos a ser enfrentados para apenas e tão somente tornar à origem.

De Polifemo temos também outro episódio. Quando se apaixonou pela bela ninfa Galatéia, que o desprezou, visto estar caída de amores por Ácis filho de Pan. Muitos afirmam que isto teria levado a que o ciclope num arroubo de ciúmes matasse Ácis, esmigalhando-o com uma pedra. Teócrito insiste que não, e que ele teria resolvido se dedicar a arte das musas. Neste ponto sempre quis uma fonte que esclarecesse qual é o primeiro destes dois episódios. A lógica nos indicaria que o de Galatéia deveria ser o primeiro, afinal de contas aqui não se cita o fato de sua cegueira. Mas nem tudo é logico em um mito, quem nos garante que Polifemo por um artifício dos deuses não tenha recuperado a visão. O que me fascina aqui é acreditar que, se o relato de Galatéia for posterior ao da Odisséia e em admitindo-se o final de Teócrito, a cegueira possa ter sido um bom remédio para o nosso ciclope. Mas, isto tudo, talvez não passe de uma mera superinterpretação, aposta à história pelo hábito de ofício de um pediatra, que simpatizou com este ciclope feio e desajeitado.

Então chegamos ao ponto de desenlace e talvez devêssemos lembrar o início, de onde partimos, quando ainda nada sabíamos do caminho a ser percorrido. Agora podemos perceber, as perguntas já estavam ali, o que nos obrigou, por fim, a avançar um pouco mais neste caminho sem igual, feito desta profundez que nos espia trás o espelho.

Jaime Medeiros Jr. é poeta portoalegrense (1964), pediatra. Autor do livro de poemas Na ante-sala. Colabora no blog Filhos de Orfeu e mantém o blog de crônicas Tênues Considerações.

A prosa ligeira de de Jaime Medeiros Jr. aparece neste blog quinzenalmente às quartas-feiras.

.

.

.

24
ago
10

Aconteceu na Palavraria: Bianca Obino convida Marco de Curtis

.

.

Sábado passado, 21, aconteceu na Palavraria o pocket musical de Bianca Obino. No programa, leituras de textos do convidado especial, o escritor Marco de Curtis.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

24
ago
10

Palavraria informa: abertas as inscrições para Oficina/curso de criação poética

.

ABERTAS AS INSCRIÇÕES PARA

Oficina/Curso de Criação Poética – A precisão do impreciso
2º  semestre

Com Ronald Augusto

A partir de 06 de setembro de 2010

Na Palavraria

Sempre às segundas e terças. A partir de 06 de setembro de 2010
Terças: Turma da tarde das 16h às 18h
Segundas: Turma noite* das 19h às 21h

(*) Processo seletivo a partir de textos próprios enviados pelos interessados.

Duração: 3 meses (12 encontros)

Custo/investimento: 500,00 à vista, ou em duas vezes de 275,00, ou, ainda, em três vezes de 185,00.

Informações/inscrições com Ronald Augusto
telefones 9948 0569 e 3336 2969
ou pelos emails
dacostara@hotmail.com e ronaldaugustoc@yahoo.com.br

.

Oficina/Curso de Criação Poética – A Precisão do Impreciso

Oficina/curso de literatura – teoria e prática da poesia. A partir de idéia de que a poesia é uma permanente conquista, uma imprecisão que requer uma forma capaz de controlar a vertigem de linguagem que a caracteriza, a oficina trabalha através do corpo a corpo com a matéria verbal as noções teóricas da função poética. Ao longo do curso/oficina, cada participante entenderá a razão pela qual uma mensagem verbal se torna um texto poético. Tais discussões – balizadas por leituras e análises de textos da tradição literária – são recorrentemente submetidas a exercícios de produção individual e coletiva, nos quais o aluno é instado a criar/recriar suas próprias soluções. Paralelamente, são desenvolvidos tópicos relativos aos desafios editoriais impostos aos interessados em publicar.

Ministrante: Ronald Augusto. Poeta, músico, letrista e crítico de poesia. Nasceu em Rio Grande (RS), em 1961. Publicou, entre outros livros, Homem ao Rubro (1983), Puya (1987), Kânhamo (1987), Vá de Valha (1992), Confissões Aplicadas (2004) e No assoalho duro (2007). É integrante do grupo os poETs, co-editor, ao lado de Ronaldo Machado, da Editora Éblis e também editor associado do website Sibila.

Veja mais de Ronald Augusto em:
http://www.poesiacoisanenhuma.blogspot.com
www.poesia-pau.blogspot.com
www.ospoets.com.br
www.editoraeblis.blogspot.com
www.sibila.com.br

.

.

23
ago
10

Palavraria indica: cd noves fora, da camerata brasileira

.

.

Noves fora, CD da Camerata Brasileira.

À venda na Palavraria – R$ 15,00

Reserve seu exemplar – palavraria@palavraria.com.br, 3268 4260
ou venha até a loja: Rua Vasco da Gama, 165 – Bom Fim

.

.

Com uma abordagem pouco convencional, o quarteto gaúcho tem investido na expansão das fronteiras estéticas do Choro em autorias e releituras que desafiam conceitos e preconceitos sonoros, com generosas doses de liberdade e atrevimento artístico. O resultado é um trabalho de qualidade, híbrido, intrigante e provocativo, que desde 2002 vem dividindo opiniões, desafiando rótulos e conquistando ouvidos. Em sua discografia, o grupo registra o lançamento de “Deixa Assim…” (2004) e “Noves Fora” (2006).

A Camerata Brasileira é formada por Moysés Lopes (violão), Rodrigo Siervo (sopros), Rafael Ferrari (bandolim) e Edgar Araújo (percussão). Outras influências do quarteto de Porto Alegre estão em gêneros musicais como o jazz, o baião e o rock. Perpassam o trabalho também conceitos como experimentalismo, psicodelia, improvisação, tradição e contemporaneidade.

.

23
ago
10

Aconteceu na Palavraria: abertura da exposição Fadas, de Luciana Lee

.

.

Quinta e sexta, da semana passada, dois eventos marcaram a abertura da mostra fotográfica Fadas, de Luciana Lee. Um bate-papo sobre A mulher na fotografia, com Luciana Lee e Isaura Estefano Saraiva, e o coquetel de abertura, com direito a pocket show de Karine Cunha.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

22
ago
10

Programação de 23 a 28 de agosto

.

.

25, quarta, 19h: Sessão de autógrafos e sarau lítero-musical no lançamento do livro Fantasias da Escritura, organizado por Sandra Mara Corazza. (Editora Sulina).

Onze textos produzidos pelo BOP – Bando de Orientação e Pesquisa. (O nome próprio como apreensão instantânea da multiplicidade.) Integrantes: professores, mestrandos, doutorandos, bolsistas. (Posição nos planos? Periférica.) BOP, que compõe, junto ao CNPq, o Grupo de Pesquisa DIF – artistagens, fabulações, variações. (Desde 1º de julho de 2002. Experimentações de potências intelectuais e expressivas com o pensamento da diferença.) BOP e DIF vinculados à Linha de Pesquisa 09, Filosofia da diferença e Educação. (Totalização? Unidade? Impossível!) Linha de Pesquisa, que integra o PPGEDU – Programa de Pós-Graduação em Educação. (Não fragmento numérico de totalidade perdida: pluralidade.) Programa de Pós-Graduação da UFRGS – Universidade Federal do Rio Grande do Sul. (Restritos em quantidade? E já somos multidão.) Nesses dinamismos espaços-temporais, nos aventuramos, estudamos, escrevemos: este livro. (Feito de uma educação exprimida/espremida entre filosofia e literatura.) Com fantasia. Nas pegadas de Roland Barthes. Não antagônica à razão, lógica, realidade. Roteiro afirmativo. Positividade de forças desejantes. Origem da cultura. Ligada a codificações.

Autores:

Cristiano Bedin da Costa, Deniz Alcione Nicolay, Eduardo Guedes Pacheco, Ester Maria Dreher Heuser, Fábio José Parise, Gabriel Sausen Feil, Karen Elisabete Rosa Nodari, Luciano Bedin da Costa, Marcos da Rocha Oliveira, Máximo Daniel Lamela Adó, Sandra Mara Corazza

.

27, sexta, 19h: Lançamento do livro Sentidos poéticos e algumas histórias, de Marcelo Allgayer Canto. (Scortecci Editora)

Sentidos Poéticos e Algumas Histórias é um livro carregado de emoção. Coisas do coração, a retratação do humano, puros sentimentos, enfim, temáticas psicológicas são abordadas nas páginas lidas. Do início ao fim da obra, nota-se o desejo e a preocupação do autor em transmitir mensagens baseadas em determinadas crenças e filosofias de vida. A construção do poema é, muitas vezes, em versos livres, mas o autor também prima pela elaboração poética formal. A criação dos textos é fruto de ideias que se mesclam com a vivência do autor. Histórias verossímeis, ou seja, que poderiam ter acontecido, também são escritas no livro.

Marcelo Allgayer Canto nasceu em 1963 na cidade de Porto Alegre. É casado. Em 1986 ingressou no extinto INAMPS – RS, atuando como agente administrativo. É Bacharel em Administração de Empresas pela PUC – RS e possui pós-graduação em Administração Hospitalar pela Faculdade São Camilo – SP (1991). Atualmente é funcionário do Ministério da Fazenda de Porto Alegre. Participou de Antologias literárias da Editora Guemanisse e da Câmara Brasileira de Jovens Escritores. Participou também da coletânea Escritos II da Academia de Letras e Artes de Porto Alegre. Foi ganhador da medalha de mérito cultural poético do concurso da FECI (Fundação do Sport Club Internacional) em 2009.

SERVIÇO:

Sentidos Poéticos e Algumas Histórias
Marcelo Canto
Scortecci Editora
Poesia
ISBN 978-85-366-1741-1
Formato 14 x 21
52 páginas
1ª edição – 2010

.

28, sábado, 19h: Sarau Colcha literária, da Turma das Quintas-Feiras das Oficinas de Literatura Charles Kiefer. Leitura de poemas e textos curtos & Canja musical com árias italianas antigas.

Coordenação: Ayalla de Aguiar e Cleonice Bourscheid

Direção artísica: Izabel Ibias

Participantes: Ayalla de Aguiar, Cleonice Bourscheid, Esmeralda Kiefer, Inah Correa, Liane Fraga, Luiz Alberto Rossi, Naiana Ramos Alberti, Gecy Belmonte, Regina Schneider, Rodrigo Petruzzi, Rosa Maria Freitas, Zenia Dirani

Canja musical: Árias italianas antigas

Participações especiais:

Clarice de Campos Bourscheid – soprano. É licenciada em música/instrumento canto, pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Instituto de Artes.  Na mesma Universidade foi preparadora vocal do Coro do Departamento de Música. Em 2005, estudou três meses de canto lírico com a soprano Patrizia Morandini em Florença\Itália e, em janeiro de 2010, participou da master class de canto Florence opera com a mesma mestra. É professora de canto em Porto Alegre e cursa Especialização em Pedagogia da Arte na Faculdade de Educação da UFRGS. Faz aulas de canto lírico com a soprano Cintia De Los Santos e trabalho de aperfeiçoamento vocal com a fonoaudióloga Ligia Motta.

Érico Bezerra – pianista. É graduado em Piano pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul sob orientação de Ney Fialkow. Foi premiado em vários concursos nacionais de piano desde 2003. Foi solista da Orquestra Experimental de Santa Catarina com o Concerto K. 466 de Mozart em 2008. Em 2010, foi em dos bolsistas selecionados para o 41° Festival Internacional de Inverno de Campos do Jordão.

Paulo Azevedo – declamador, homenageia Jaime Caetano Braun

.

.




agosto 2010
S T Q Q S S D
« jul   set »
 1
2345678
9101112131415
16171819202122
23242526272829
3031  

Categorias

Blog Stats

  • 708.835 hits
Follow Palavraria – Livros & Cafés on WordPress.com
Anúncios

%d blogueiros gostam disto: