Arquivo para 16 de setembro de 2010

16
set
10

Palavraria indica: Rua da Praia, de Rafael Guimarães

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Rua da Praia – um passeio no tempo, livro de Rafael Guimarães. Ed. Libretos, 2010.

À venda na Palavraria – R$ 68,00

Reserve seu exemplar – palavraria@palavraria.com.br, 3268 4260
ou venha até a loja: Rua Vasco da Gama, 165 – Bom Fim

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Propomos um passeio afetivo pela principal rua de Porto Alegre. Pelas trilhas virgens onde perambulam os índios guaranis, até conhecerem a maldade do caçador branco. Pela terra úmida onde os casais açorianos encontram aconchego, fazem amor e gestam a cidade. Pelas pedras portuguesas por onde se arrastam pés negros e descalços na fúnebre procissão rumo ao largo da forca, onde, mais tarde, reinará a harmonia dos versos de poetas inesquecíveis. Rua da Praia. Nem os Andradas chamariam por outro nome. Por ela, marcham Osvaldo Aranha e Flores da Cunha no assalto ao quartel.

O pequeno Getúlio Vargas desfila a grandiosidade do poder. Mario Quintana flutua do Majestic ao coração da rua. O olhar fotográfico do cavalieri Calegari, na barulhenta quadra dos italianos, antes do esplendor cinematográfico da Praça da Alfândega, repleta de livros e aventuras, eternizadas pela crônica mundana. O Largo fervilha numa conversa interminável de fuxicos e conspirações. Cafés, boemia, música. A energia dos reclames de Bataclan rivaliza com o lamento em blues de Maria Chorona anunciando jornais. Comícios, canos fumegantes. Vítimas da disputa ancestral entre chimangos e magaratos tombam na calçada. O povo em guerra despedaça lojas.

Estudantes pedem democracia. Na Esquina Democrática, pés internacionais marcham por um outro mundo possível. Da Rua da Graça fica a graça do footing, do flert, do dernier cri exposto nas vitrines coloridas da Rua da Praia européia. Adolescentes suspiram no Clube do Comércio, enquanto dança e arte se encontram no Caixeiral. Vem a ressaca, o vazio. Prédios vão abaixo – alguns sobrevivem, cinemas fecham, cafés esvaziam, a música vai para longe levando um cordão de apaixonados. Os passos se tornam nervosos e apressados. Eis que, lentamente, as luzes se acendem: Usina do Gasômetro, Museu do Trabalho, Casa de Cultura Mario Quintana, Museu de Arte, Memorial do RS, Centro Cultural Erico Verissimo, Cia. de Arte e Centro Cultural da Caixa Econômica Federal.E começa uma nova história.

Rafael Guimarães é jornalista (PUC-RS). Atuou como repórter, editor e secretario de redação do Coojornal, da Cooperativa dos Jornalistas de Porto Alegre, a partir de 1976. Foi editor de Política do jornal Diário do Sul, do grupo Gazeta Mercantil. É autor dos livros O Livrão e o Jornalzinho (infantil, 1997), Pôrto Alegre Agôsto 61 (2001), Trem de Volta – Teatro de Equipe (com Mario de Almeida, 2003), Tragédia da Rua da Praia (2005), que recebeu o prêmio “O Sul, Nacional e os Livros” como melhor livro de ficção do ano, Teatro de Arena – Palco de Resistência (2007), vencedor do Prêmio Açorianos categoria Especial e Livro do Ano (empatado com Machado e Borges, de Luiz Augusto Fischer), Abaixo a repressão! (com Ivanir José Bortot, 2008) e A Enchente de 41 (2009). Editou os livros Legalidade, 25 Anos (1986), Dispersos, de Eduardo Guimaraens (2002), que recebeu o Prêmio Açorianos de Poesia, e Morcego em Paris, de Carlos Rafael Guimaraens (2007). Também atua no mercado áudio-visual. É roteirista dos episódios O Encontro (2004), A Vítima da Serpente e Tragédia da Rua da Praia (2006), Viagem pelo Rio Grande, de Alexandre Baguet, (2007), Cartas da Ilha (2007), O Mujica (2007) e Quando Casar Sara (2008) para a RBS TV.

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