Arquivo para 24 de novembro de 2010

24
nov
10

A prosa ligeira de Jaime Medeiros Jr.: Desaviso aos avisados

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Desaviso aos avisados, por Jaime Medeiros Júnior

É sempre bom descobrir coisas belas. Hoje [16/11/10] descobri na Palavraria o belo conto de Leila Teixeira [agora espero o livro, mais um aguardo na lista de tantos]. Pouco depois, já na rua, meu ouvido, andando lá pelas calçadas da Lima e Silva, descobre um pequeno lunário nos nomes das cachorrinhas, Shana e Luna, pegas às correntes de suas donas. E depois, só o nos habituar novamente ao perpétuo lunário de escolhos e escolhas, do que fizemos e não fizemos.

E porque assim é, nada nos garante o fim almejado. Sendo sempre possível se pôr ao abrigo de um qualquer subterfúgio. O caminho de casa ou o caminho da roça, por mais que nos pareça seguro, só o é, porque muito de todo o nosso andar sempre nos fica subentendido. Então, quando tu perguntas à cigana embaixo daquela paineira desprendendo painas. Como chego até estação? E ela responde, siga muito até chegar o valo, cruze o pontilhãozinho, procure por uma pequena pedra azul, guarde-a e não a esqueça nunca durante o caminho que terás de fazer pelos íngremes das sete colinas. Depois disso deveríamos entender: tudo é subterfúgio. Qual crença te servirá de aprisco? A cigana sofre de taquilalia, premida por uma ou duas das tantas patologias catalogadas no DSM IV-R? Ou há algo mais a ser desbaratado em tudo isso? O criador nada faz de neutro em uma construção, mesmo que desnecessário, mesmo que impensado.

Aqui, acho que inda caberia lembrar que em nossa cambiante liberdade é sempre bom um pouco, um naquinho que seja, de consciência, pois só diante da morte tudo cala. Por favor, Telma, não cale! Nossa cambiante liberdade é feita de escolhas e sempre há algo de horrível quando acabamos pegos pelos solavancos das torrentes torpes dos fatos.

No mais, inda sigo pensando naquele perro muerto tirao em un costado de la huella de que nos falava Larralde. No entanto, como nos diz a sabedoria judaica, o homem pensa, D’us ri [M. Kundera – A Arte do Romance]. E supondo que todo criador, mesmo que possivelmente não creia em, quer ser D’us, talvez devêssemos dizer junto com ele: tudo, talvez, não passe de um grande susto, planificado [e se repousarmos só um pouquinho em nossa atenção, parece que podemos escutar um leve riso soando ao fundo].

Um abraço grande

Jaime

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Jaime Medeiros Jr. é poeta portoalegrense (1964), pediatra. Autor do livro de poemas Na ante-sala. Mantém os blogs Tênues Considerações e O Arco da Lira.

Excepcionalmente A prosa ligeira de de Jaime Medeiros Jr. está sendo postada hoje. É publicada neste blog quinzenalmente às quartas-feiras.

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24
nov
10

Vai rolar na Palavraria, 25/11: Impossível ser feliz sozinho, palestra e debate com Betina Mariante Cardoso

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25, quinta, 19h: “É impossível ser feliz sozinho”? – As doenças do amor. Palestra e debate com Betina Mariante Cardoso. Ciclo Amor e Biologia: Prosa e Poesia, promoção da Casa Editorial Luminara na Palavraria.

Existe um amor sadio e um amor doente? Existe um modo sadio e um modo doente de amar? E a biologia, será que pode nos ajudar a amar e a compreender o amor? É a estas perguntas que procuraremos responder neste encontro. O amor é sempre sadio – é um sentimento positivo. Nosso modo de vivê-lo é que pode ser equivocado e, então, torná-lo doente. É possível definir, assim, o amor doente como uma modalidade patológica de viver os fenômenos do amor ou de viver os diferentes momentos de uma relação afetiva. Da mesma forma, podemor referir que o ciúme é também um sentimento positivo e normal em nossa evolução, tornando-se patológico e perigoso em circunstâncias específicas. Afinal, quando o ciúme atravessa a fronteira da normalidade à patologia? Estas e outras indagações serão o tema deste encontro.

 

Betina Mariante Cardoso é psiquiatra, psicoterapeuta e tradutora. É fundadora e diretora científica da Casa Editorial Luminara, para a qual traduziu em 2009 o livro E Viveram Ciumentos & Felizes para Sempre, da psiquiatra e neurobióloga italiana Donatella Marazziti. Da mesma autora, traduziu o livro A Natureza do Amor, publicado pela  Editora Atheneu, em 2007. É membro dos setores de Psiquiatria Transcultural e de Literatura e Psiquiatria da Associação Psiquiátrica Mundial (WPA) e Coordenadora do Setor de Humanismo Médico do Centro de Estudos de Literatura e Psicanálise Cyro Martins.

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Betina Mariante Cardoso é psiquiatra, psicoterapeuta e tradutora. É fundadora e diretora científica da Casa Editorial Luminara, para a qual traduziu em 2009 o livro E Viveram Ciumentos & Felizes para Sempre, da psiquiatra e neurobióloga italiana Donatella Marazziti. Da mesma autora, traduziu o livro A Natureza do Amor, publicado pela  Editora Atheneu, em 2007. É membro dos setores de Psiquiatria Transcultural e de Literatura e Psiquiatria da Associação Psiquiátrica Mundial (WPA) e Coordenadora do Setor de Humanismo Médico do Centro de Estudos de Literatura e Psicanálise Cyro Martins.



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