Arquivo para 25 de novembro de 2010

25
nov
10

Aconteceu na Palavraria: leituras de Henrique Schneider

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Ontem, 24, aconteceu na Palavraria a última sessão da edição 2010 do “Projeto de Leituras Feevale – Contos da Vida Breve”, com o escritor Henrique Schneider. Noite especialíssima, encontro feliz das sensíveis leituras de Henrique com a música encantatória dos teclados de Ivone Pacheco. Após as fotos do encontro, publicamos abaixo um dos contos lidos.

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Estátuas vivas, conto de Henrique Schneider

A estátua viva, engalanada em suas vestes brancas de pitonisa grega, enfeitava com sua imobilidade a movimentada manhã dominical da Redenção. O colorido e o burburinho, as crianças a tocar-lhe as roupas para saber se eram de verdade, os raros latidos dos cães menos inteligentes, nada conseguia romper-lhe a atenção que, brilho claro e alvaiade no rosto, reservava à personagem. À frente do banquinho no qual se equilibrava há horas, um pote no qual os freqüentadores do brique depositavam alguns trocados. Apenas de quando em vez, porque até às estátuas deve ser dado o privilégio do movimento, ela trocava de posição, sem alterar a expressão vaga e distante do olhar e sem sorrir: sorrisse, e o dente faltante lhe destruiria a altivez de pitonisa e terminaria sem dinheiro o seu domingo.

Lá pelas duas da tarde, cansado de espingardear entre as banquinhas de antiguidades e artesanato nos quais mexera em tudo o quanto coubesse em suas mãos, o menino de rua descobriu a estátua. Coçou sem pudor os calçõezinhos rotos de caridade e mostrou a língua à personagem, disposto a arrancar-lhe algum sorriso, mas não: o outro seguia incólume à sua frente e parecia olha-lo como se não estivesse ali. O garoto, então, tentou uma palhaçada – mas foi como se não houvesse feito nada. Resolveu, por fim, fazer o que gostaria de ter feito desde o início: postou-se na exata posição em que se encontrava a estátua, mãos e pés procurando os ângulos até que o encontrassem, e assim ficou. Naquela hora, pareceu perceber que os olhos da estátua lhe devolviam um brilho de admiração e agradecimento, e este olhar aquentou-lhe o coração sem casa. E então – porque talvez fosse, naquele dia, a primeira vez que alguém lhe prestava alguma atenção, resolveu ficar, decidido a ser mais estátua que a própria estátua.

Mas a alva pitonisa – que também crescera sua dureza pelas noites e dias das ruas -, naquele instante, decidiu que um menino iniciante não poderia ser mais estátua do que ela. Respirou fundo, num movimento cênico – ele também respirou fundo -, e ambos pareceram ter resolvido ao mesmo tempo e numa espécie de bem humorado desafio mudo, que não sairiam de seu lugar enquanto o outro não se mexesse, ninguém a esperá-los em suas solidões.

Há dois domingos estão lá, imóveis, pobres espelhos sem destino, e o vento de outono já levou as notas mirradas que repousavam, raras, no potinho. Mas não se mexem por nada, dispostos a não perderem aquele duelo de talentos sobreviventes, e a verdade é que, hoje, ninguém mais sabe se ambos ainda são gente ou se já viraram pedra.

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25
nov
10

Palavraria indica: Percussìvé, CD de Felipe Azevedo

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Percussìvé, ou a prece do louva-a-deus, CD de Felipe Azevedo

À venda na Palavraria – R$ 20,00

Reserve seu exemplar – palavraria@palavraria.com.br, 3268 4260
ou venha até a loja: Rua Vasco da Gama, 165 – Bom Fim

Em PERCUSSÌVÉ somos apresentados a um país repleto de sons e histórias. Quem nos convida para esta viagem pelo nosso Brasil é um Kaingang interligado aos anseios e questionamentos do mundo atual. A partir dele somos contagiados pelos gêneros: maculelê, carimbó-ijexá, marcha-rancho, choro, modinha, cateretê, maxixe, forró, maracatu, valsa, canção e milonga-embolada que transitam e misturam-se a outros. (…) PERCUSSÌVÉ ou a prece do louva- a-deus é uma verdadeira antropofagia musical. É o Brasil tocado e cantado de A a Z, com todas as caras e jeitos. É um trabalho conceitual e reflexivo. Um CD que remete ao primitivismo e à antropofagia (simbolizada por um louva-a-deus) para falar de brasilidade. O CD com produção artística, direção musical e arranjos de Felipe Azevedo, conta com as participações de grandes músicos do Estado do RS, tais como: Fernando do Ó, Arthur Barbosa, Monica Lima e dos backing vocals: Angela Jobim e Paulo Rosa; além dos convidados especiais nas faixas: Tema para um compasso de espera, com a cantora paulista Monica Salmaso e Balanço Tupiniquim e Balaio de Cordas, com o percussionista carioca Marcos Suzano. [overmundo]

Veja mais: http://www.artistasgauchos.com.br/portal/?cid=335

Amostra:

Felipe Azevedo é compositor, violonista e arranjador reconhecido por grandes nomes da música brasileira como Guinga e Hermeto Paschoal, vencedor de quatro prêmios Açorianos no RS (Menção especial – Balaio de Cordas 1999; Melhor Compositor MPB 2001; Melhor Trilha composta para espetáculo de Dança 2002 e Melhor Instrumentista MPB 2005).

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25
nov
10

Vai rolar na Palavraria, 26/11: lançamento do livro Pensar em Deleuze: violência e empirismo no ensino da filosofia

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26, sexta, 19h: Lançamento do livro Pensar em Deleuze: violência e empirismo no ensino de filosofia, de Esther Maria Dreher Heuser (Editora UNIJUÍ).

O que é pensar?”, eis a questão orientadora deste livro, que, pelas linhas de força da filosofia de Gilles Deleuze, responde-a: pensar é uma violência sobre as faculdades. Resposta inspirada, sobretudo, na obra Diferença e repetição, cujo tema kantiano do conflito entre as faculdades é o lugar de explicação desse leitmotiv que atravessa a filosofia de Deleuze e que pode violentar o pensamento sobre o ensino de filosofia em seus diferentes níveis. Tratar da violência sobre as faculdades implica estabelecer uma doutrina das faculdades, o que, conforme Deleuze, só pode ser feito por meio de um empirismo transcendental. O livro defende que Deleuze produziu sua própria doutrina nas obras anteriores à Diferença e repetição, em seus escritos monográficos, obras nas quais desenvolveu as bases do seu programa filosófico quando procurou engendrar a gênese do pensar, isto é, fazer a descrição genética das condições de efetividade da experiência, edificando uma teoria diferencial das faculdades. Desenvolvimento levado a termo na conjunção: com Nietzsche, Kant, Proust, Sacher-Masoch e na intersecção entre Filosofia e Arte e Ciência, formas do pensamento ou da criação que só existem mediante experiências-limites, quando o pensamento e as demais faculdades são abaladas por forças heterogêneas a elas, tornando-as sensíveis ao impensado.
Conceber o ensino de filosofia a partir do sentido produzido por Deleuze para esse problema – “O que é pensar?” – requer, portanto, privilegiar as relações agonísticas presentes nas três formas de pensamento e embaralhá-las de modo que delas se possa extrair novos movimentos de pensamento, de escrita e de possibilidades de existência.

Ester Maria Dreher Heuser é licenciada em Filosofia e mestre em Educação nas Ciências – Área de Filosofia – pela Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul – UNIJUÍ e doutora em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS. Foi professora de Filosofia nos ensinos fundamental e médio. Atualmente trabalha em formação de professores de Filosofia na Universidade Estadual do Oeste do Paraná – UNIOESTE, no Campus de Toledo, PR, onde é professora-adjunta. É pesquisadora dos grupos de pesquisa: DIF – artistagens, fabulações, variações (UFRGS) e Linguagem, sociedade e política (UNIJUÍ), nos quais investiga a filosofia de Deleuze e suas implicações com o ensinar, aprender e pensar filosofia.

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