Arquivo para 3 de dezembro de 2010

03
dez
10

Coisas frágeis de Thiago Marchetti: Between the lines

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Between the lines, por Thiago Marchetti

É quase manhã. Seguro um copo vazio enquanto olho em direção a uma tela negra de televisão. Penso nas diferenças entre ler e ver. Penso nos sentimentos que são passados através da tinta, nas miríades, nas mãos elevadas à potência da imaginação. Penso na real diferença, e se  as palavras “real” e “diferença” significam o que eu acho que significam, ou se entendi errado o conceito delas há muito tempo atrás. Também penso que alguém pode ter cometido esse erro muito antes de mim.

Antes disso, pensava noutras coisas, como no que diria no funeral de meu pai. Ou o que diria à minha avó na próxima vez que a visse. O que direi. Às duas. Direi que os amo? Que os amei? Sou só palavras, e um homem de palavras e não ações é como um jardim de ervas daninhas. Tudo que cresce ali é inútil e duvidoso.

Mentira. Não me sinto como um jardim inútil, tampouco um homem duvidoso. Sinto-me coberto de teias cultivadas pela negligência de um menino que nunca viveu suas memórias: as inventou. Sinto-me obcecado pelo fogo no coração dos homens. Sinto-me escravo do pulso do universo. Sinto-me atrelado a arremedos.

Eu poderia viver entre as estrelas, e por escolha própria me contento em refletir seu brilho enquanto não estão prestando atenção. Não é vida. É uma peça de teatro não especialmente interessante e arrastada. É uma infância inteira em uma só tarde morna de domingo.

É quase manhã. Seguro um copo vazio enquanto olho em direção a uma tela negra de televisão.

Penso em vez de brilhar.

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Thiago Marchetti é co-editor do blog da Palavraria. Participou das Oficinas de Literatura Charles Kiefer e tem um conto publicado na antologia 104 que contam, organizado por Charles Kiefer (Editora Nova Prova, 2008).

Thiago Marchetti publica neste blog mensalmente na primeira sexta-feira.

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03
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Vai rolar na Palavraria, 04/12: Qual é a do Issa, com os poetas Ricardo Silvestrin, Alexandre Brito e Marco Celso Huffel Viola

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04, sábado, 18h: Qual é a do Kobayashi Issa? Bate-papo sobre o mestre japonês dos haikais, com Ricardo Silvestrin, Alexandre Brito e Marco Celso Huffel Viola. Promoção do Jornal Vaia.


Ricardo Silvestrin lançou 13 livros. Os mais recentes são “O videogame do rei”, romance, “O Menos Vendido”, poesia, “Play”, contos, “Transpoemas”, infantil de poesia. É também músico da banda os poETs. É colunista do jornal Zero Hora. Apresenta na rádio Ipanema FM o programa Transmissão de Pensamento. Recebeu por 5 vezes o prêmio Açorianos de Literatura.

Alexandre Brito é poeta, músico, letrista, produtor cultural, editor da ameop — ame o poema editora. Idealizou e coordenou como editor a Coleção de poesia Petit-Poa para a Coordenação do Livro e Literatura da Secretaria Municipal da Cultura de Porto Alegre, quando foi publicado Zeros. Tem poemas publicados em diversas antologias e revistas especializadas. Integrou a Banda Os Três Poetas com Ricardo Silvestrin e Ricardo Portugal.  Integra a banda os poETs com os poetas/músicos Ronald Augusto e Ricardo Silvestrin, desenvolvendo trabalho de letrista e compositor.

O poeta gaúcho Marco Celso Huffell Viola começou a imprimir e a expor seus poemas em 1969, iniciando o que a crítica denominou, mais tarde, de geração mimeógrafo. É um dos idealizadores e executores do evento literário Porto Poesia, que este ano ganhou entre nós sua quarta edição. Publicou os livros Icosaedro, O feiticeiro e a taça, O mistérios da vida, O livro negro dos bardos e seu mais recente, Poemas para ler em voz alta”, Porto Alegre: Office, 2004.  Edita os blogs Marco Celso Huffel Viola e Marco Celso Viola.

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