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A quase crônica de Nelson Safi: Mario Vargas Llosa

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Mario Vargas Llosa, por Nelson Safi

É a primeira vez que acontece, ter opinião formada sobre o ganhador do Nobel de literatura. O inédito, neste caso,  é esse ganhador ser um escritor de quem já li quase toda obra antes do prêmio. Pelo que lembro, todos os outros ganhadores só fui ler depois de serem agraciados, até mesmo o Gabriel Garcia Márquez e o José  Saramago. Poderia simplesmente dizer que o prêmio fez justiça e encerrar por aqui, já que o Nobel, sozinho, é referência suficiente. Mas este é apenas o primeiro parágrafo, tenho umas linhas a mais para argumentar.

Primeiramente o óbvio, o prêmio chegou a um autor que há muito deveria ter sido contemplado. Acredito que ninguém achou o resultado injusto. Ultimamente a “acadimia” sueca vinha premiando autores que, na minha opinião de consumidor de livros, não mostraram a que vieram. Mas não estou aqui para discutir critérios de premiações, e esse assunto foi bem divulgado à época do Prêmio Jabuti. Gosto muito dos escritores latino-americanos, dele em especial, por retratarem nosso continente e história. E a identificação é fácil, nossos cotidianos foram muito semelhantes.

Mas qual seria a razão por eu gostar tanto do que ele escreve? Não vou repetir aqui o que muitos críticos (comentadores?) literários já devem ter feito, dissertar sobre os recursos estilísticos do autor (e com mais competência do que eu teria feito). O que posso dizer é que o escrevinhador é um grande contador de histórias. E tanto faz se são narradas na primeira ou na terceira pessoa, sempre sou envolvido por elas. O que as faz tão boas é a sempre competente construção dos personagens. Nenhum é caricato, todos têm a sua importância e, o principal, é impossível ficarmos alheios às suas existências (aliás, são tão reais quanto nós mesmos, talvez até mais).

Para encerrar, é claro que alguns romances são melhores que outros, tenho os meus preferidos. Entre eles está A Guerra do Fim do Mundo. Quem poderia acreditar que fosse um peruano o responsável pelo melhor romance que já se publicou sobre a Guerra de Canudos. Transcrevo o primeiro parágrafo do livro:

“O homem era alto e tão magro que parecia sempre de perfil. Sua pele era escura, seus ossos proeminentes e seus olhos ardiam com fogo perpétuo. Calçava sandálias de pastor e a túnica azulão que lhe caía sobre o corpo lembrava o hábito desses missionários que, de quando em quando, visitavam os povoados do sertão batizando multidões de crianças e casando os amancebados. Era impossível saber a sua idade, sua procedência, sua história, mas algo havia em seu aspecto tranquilo, em seus costumes frugais, em sua imperturbável seriedade que, mesmo antes de dar conselhos, atraía as pessoas.”

Abraço,

Nelson Safi

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Nelson Safi nasceu em Porto Alegre faz tempo. Iniciou na literatura em 2002 ingressando na Oficina de Contos de Charles Kiefer. Ganhou uns prêmios por aí. Em 2004 lançou seu primeiro livro de contos (por enquanto o único), Balas de coco e outras histórias amargas, e ainda participou da antologia 101 que contam, organizada por Charles Kiefer. Em 2005 participou das antologias brevíssimos! e Histórias de quinta, organização de Charles Kiefer. Em 2006 participou das antologias Contos do novo milênio, editada pelo IEL – Instituto Estadual do Livro, e 103 que contam, ambas organizadas por Charles Kiefer. Por enquanto era isso.

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Nelson Safi passa publica no blog da Palavraria mensalmente, na terceira sexta-feira do mês.

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