Arquivo de fevereiro \28\UTC 2011

28
fev
11

Moacyr Scliar: 1937 – 2011

 

A Palavraria associa-se ao pesar de familiares e leitores pelo falecimento do escritor gaúcho Moacyr Scliar.

Porto Alegre, 28 de fevereiro de 2011.

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25
fev
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A quase-crônica de Nelson Safi: A literatura é edificante?

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A literatura é edificante?, por Nelson Safi

Nesta semana li um texto muito bom no “estadão virtual”, escrito pelo Mario Vargas Llosa; publicado originalmente no El País, Espanha (veja aqui). Ele comentou a decisão do governo francês de tirar da lista de comemorações nacionais o nome do escritor Louis-Ferdinand Céline, pelo fato de este ter ideias antissemitas. A crítica de Llosa se deve ao fato de que a reverência era dada à qualidade da produção literária de Louis-Ferdinand e sua relevância no contexto da literatura francesa. Ou, traduzindo para um linguajar bem popular, o cara é podre, mas o trabalho dele não, e são duas coisas bem distintas.

Feito o prólogo, quero dizer que gosto muito quando acontece de se ter as duas avaliações positivas; ou seja, a obra é de qualidade e o caráter do escritor segue a mesma linha. Com certeza daria para citar vários nomes, mas o que mais aprecio entre estes é o Tchékhov (Anton Pávlovitch Tchékhov). Até conhecer o Charles Kiefer (outro que se encaixa na dupla avaliação positiva) eu havia lido uns dois ou, quando muito, três contos do médico russo. E não fazia a menor ideia do quanto ele foi genial. Acredito que, depois da orientação do Charles, devo ter lido quase tudo que existe de traduzido deste escritor. E não foram apenas os contos, também suas peças teatrais e suas cartas tinham um grande valor literário. No “Cartas a Suvorin – 1886-1891” (Edusp, 2002) tem-se uma amostra da sensibilidade que o diferenciava dos demais escritores. Como exemplo, coloco este trecho de uma carta em que  falava de um aspecto da vida no campo, onde esteve passando suas férias de verão:

“… Os silvos, os arquejos, os roncos da máquina, surdos como os de um pião, que se fazem ouvir no mais duro da lida, o ranger das rodas, o andar preguiçoso dos bois, as nuvens de fumaça, os rostos suados e negros de quase cinquenta homens – tudo isso ficou gravado na minha memória como o Padre-nosso. E, desta vez também, passei horas a fio na debulha e senti-me extremamente bem. A máquina, quando trabalha, parece viva, tem uma expressão astuta, brincalhona, ao passo que as pessoas e os bois, ao contrário, parecem máquinas…”

E quem foi Tchékhov fora da literatura? Homem de origem simples, formou-se em medicina e a tinha como atividade principal. Dizia que a medicina era sua esposa e a literatura, sua amante (curiosamente, era a literatura que lhe garantia um aporte adicional de renda). Teve intensa atividade de cunho social e esteve envolvido no trabalho de construção de escolas. Em 1890, aos trinta anos, partiu para a ilha de Sacalina, local de prisões mantidas pelo regime czarista no mar do Japão, empreitada que o fez atravessar a Rússia pela Sibéria até chegar no oceano Pacífico. Lá estando, entrevistou todos os moradores-detentos, o que lhe possibilitou um retrato detalhado da situação e características do sistema prisional russo. De volta a Moscou, elaborou um dos trabalhos mais completos sobre o assunto, cujo impacto foi suficiente a ponto desse sistema ser revisto pelo regime czarista.

Em seu precoce final de vida, seus contos cresceram em tamanho e densidade e perderam o humor que os caracterizava. O livro “O assassinato e outras histórias” (Cosac&Naify, 2002) contém seis contos desta fase, escritos entre seus trinta e quatro e quarenta anos de idade (morreu enfraquecido pela tuberculose, em 1904, aos quarenta e quatro anos). Retiro um trecho do conto “O assassinato”, uma história que, certamente, começou a ser germinada em 1890, quando de sua estada em Sacalina; portanto, cinco anos antes de ser escrita, em 1895:

“Certa noite, na enseada de Dveski, na ilha de Sacalina, um vapor estrangeiro ancorou e solicitou carvão. Pediram ao comandante que esperasse amanhecer, mas ele não queria esperar nem uma hora, dizendo que, se o tempo piorasse durante a noite, corria o risco de ter de partir sem carvão. No estreito da Tartária, o tempo pode mudar abruptamente em meia hora, e então o litoral de Sacalina torna-se perigoso. O ar havia esfriado e já se formavam ondas bastante fortes.

Da prisão de Voievódskaia, a mais miserável e severa das prisões de Sacalina, despacharam um grupo de detentos para uma mina. Tinham de encher barcaças com carvão, depois rebocá-las com uma lancha a vapor até o navio, que estava a mais de meia versta* da margem, e lá seria preciso começar o transbordo do carvão – um trabalho torturante, enquanto a barcaça se entrechoca com o navio e os trabalhadores mal conseguem se manter de pé, por causa do enjoo…”

* Versta: unidade de medida russa, equivalente a 1,067 Km.

Sei que poderia ter escolhido um trecho de outro conto, que fosse mais alegre ou, até mesmo, cativante. Procurei apenas mostrar o que faz dele, para mim, um escritor especial: um talento extraordinário para escrever e um caráter da mesma envergadura deste talento.

Abraço,

Nelson Safi

Nelson Safi nasceu em Porto Alegre faz tempo. Iniciou na literatura em 2002 ingressando na Oficina de Contos de Charles Kiefer. Ganhou uns prêmios por aí. Em 2004 lançou seu primeiro livro de contos (por enquanto o único), Balas de coco e outras histórias amargas, e ainda participou da antologia 101 que contam, organizada por Charles Kiefer. Em 2005 participou das antologias brevíssimos! e Histórias de quinta, organização de Charles Kiefer. Em 2006 participou das antologias Contos do novo milênio, editada pelo IEL – Instituto Estadual do Livro, e 103 que contam, ambas organizadas por Charles Kiefer

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Nelson Safi publica no blog da Palavraria mensalmente, na terceira sexta-feira do mês.

23
fev
11

A prosa ligeira de Jaime Medeiros Júnior: Black swan

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Black Swan, por Jaime Medeiros Júnior

Natalie Portman é definitivamente grande. Todavia o cisne negro, para mim, é definitivamente mais um dramalhão, um clichê. Parentesco entre arte e loucura. A técnica oposta “ao se deixar levar”, forma única de chegar ao original. Ambientar tudo isto dentro de uma atmosfera de sedução. Isto tudo rende uma boa torrente de lágrimas, leva a um exagero de sentimentos. Talvez possa se aproveitar alguma coisa disso tudo se aceitarmos a película como uma alegoria, mas definitivamente é muito difícil de engolir enquanto drama.

O “se deixar levar” volta e meia repisado pelos hollywoodianos, parece sempre ganhar em significância quando não o opomos à técnica, mas, isto sim, o entendemos como o elemento inusitado que desta mesma técnica se deriva. Algo disso parece estar escondido nos próprios termos, quando recordamos que o vocábulo grego teknè ou techne foi traduzido como ars pelos latinos. E que o que se convencionou chamar Arte é fundamentalmente a experiência desta técnica. Como o homem vive, por assim dizer, em diversos planos, esta experiência não se dá de modo unívoco dentro de todos estes planos. E talvez fruamos esta arte de modo mais abrangente justamente quando a amadurecemos em todos estes planos. Mas o que aqui é importante é que isso se resolve sempre empiricamente, experimentando, fazendo, e fundamentalmente, imitando. Portanto a arte antes de ser o novo é, fundamentalmente, imitação.

Lembramos então outro filme: A partida, filme japonês que também nos fala sobre arte. Ao modo oriental, que parece fazer aquilo que alguns de nós fizeram com o absoluto [com deus] também com a arte [só não jogaram fora a criança junto com a água do banho] quando rompe com a solução de continuidade entre os mundos: da arte e o cotidiano. O quanto o preparar o corpo morto de alguém para ser enterrado, ou mesmo incinerado, momento efêmero como a própria vida, pode ser experimentado como arte. O quão importante é tentar arranjar, pela experiência, do melhor modo que neste qualquer momento formos capazes de fazer, sem esperar um maior ganho do que o bem tê-lo feito [isso nos aproxima de certos conceitos, que talvez valesse a pena ser relembrados, como o de graça]. Tudo isso nasce do apreço e da dedicação ao que é feito, da atenção dispensada a ação. Este tipo de arte se abre aos sentimentos, é feita por homens, e este um do tantos planos da experiência humana. Mas aqui quer se evitar os desvarios, os exageros já não são necessários.

Por fim, a sedução parece ser uma promessa. Uma promessa no mais das vezes enganosa. Quem se deixa seduzir crê em quem ou no que o seduz. Para se seduzir ou ser seduzido é mais conveniente crer-se num mundo cindido, onde o mundo da arte e o cotidiano são diferentes e, bem possivelmente, opostos. Um mundo para únicos e originais, e no qual se erige ídolo o novo.

Para encerrar, confesso que também estarei na torcida para que Natalie venha a ganhar o Oscar.

Um ab a todos

Jaime

Jaime Medeiros Jr. é poeta portoalegrense (1964), pediatra. Autor do livro de poemas Na ante-sala. Mantém os blogs Tênues Considerações e O Arco da Lira.

A prosa ligeira de Jaime Medeiros Jr. aparece neste blog quinzenalmente às quartas-feiras.



22
fev
11

Aconteceu na Palavraria: lançamento da HQ Ordinário, de Rafael Sica

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Dia 16, quarta-ferira, rolou na Palavraria o lançamento da HQ Ordinário, de Rafael Sica. Fotos do evento.

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15
fev
11

Vai rolar nesta quarta, 16/02, na Palavraria

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16, quarta, 19h: Lançamento do livro de quadrinhos Ordinário, de Rafael Sica

Um dos maiores expoentes da nova geração de quadrinistas brasileiros, Rafael Sica retrata o cotidiano absurdo da vida na metrópole,misturando horror, solidão, tristeza e humor nessa coletânea de tiras em preto e branco e sem palavras da sua série Ordinário.

Ordinário é uma coletânea da série de tiras de mesmo nome, publicada por Rafael Sica em seu blog desde 2009. Essas tiras, em preto e branco e sem falas,  a vida na metrópole, marcada por sentimentos intensos como solidão, tristeza, medo e horror, sempre com um humor ácido e um toque de surrealismo. Nesse universo bastante particular — e facilmente reconhecível — criado por Sica, de um modo quase tragicômico questiona- se a vida urbana e o comportamento do homem contemporâneo. O resultado seria algo próximo de Macanudo, se fosse escrito por alguém como Tim Burton. Rafael Sica teve seu trabalho publicado em revistas como Piauí e +Soma, no caderno Folhateen da Folha de S.Paulo e no fanzine Tarja Preta. Vencedor de dois prêmios HQ Mix (Desenhista Revelação e Web Quadrinhos), é considerado um dos mais influentes quadrinistas brasileiros da nova geração. A exposição “Cinza–Choque”, apresentada no Museu do Trabalho em Porto Alegre em 2009, contou com treze desenhos inéditos seus, feitos a lápis, e foi um reconhecimento ao valor da obra do jovem quadrinista gaúcho.

Rafael Sica nasceu em 1979, em Pelotas, no Rio Grande do Sul. Suas tiras já foram publicadas em grandes veículos de imprensa. Atualmente, publica a série Ordinário em seu blog e faz parte do grupo Bestiário, responsável pela revista Picabu. Para acompanhar seu trabalho, acesse <www.rafaelsica.zip.net

13
fev
11

Nesta Quarta, 16/02, na Palavraria: lançamento dos quadrinhos de Rafael Sica

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16, quarta, 19h: Lançamento do livro de quadrinhos Ordinário, de Rafael Sicca

Um dos maiores expoentes da nova geração de quadrinistas brasileiros, Rafael Sica retrata o cotidiano absurdo da vida na metrópole,misturando horror, solidão, tristeza e humor nessa coletânea de tiras em preto e branco e sem palavras da sua série Ordinário.

Ordinário é uma coletânea da série de tiras de mesmo nome, publicada por Rafael Sica em seu blog desde 2009. Essas tiras, em preto e branco e sem falas,  a vida na metrópole, marcada por sentimentos intensos como solidão, tristeza, medo e horror, sempre com um humor ácido e um toque de surrealismo. Nesse universo bastante particular — e facilmente reconhecível — criado por Sica, de um modo quase tragicômico questiona- se a vida urbana e o comportamento do homem contemporâneo. O resultado seria algo próximo de Macanudo, se fosse escrito por alguém como Tim Burton. Rafael Sica teve seu trabalho publicado em revistas como Piauí e +Soma, no caderno Folhateen da Folha de S.Paulo e no fanzine Tarja Preta. Vencedor de dois prêmios HQ Mix (Desenhista Revelação e Web Quadrinhos), é considerado um dos mais influentes quadrinistas brasileiros da nova geração. A exposição “Cinza–Choque”, apresentada no Museu do Trabalho em Porto Alegre em 2009, contou com treze desenhos inéditos seus, feitos a lápis, e foi um reconhecimento ao valor da obra do jovem quadrinista gaúcho.

Rafael Sica nasceu em 1979, em Pelotas, no Rio Grande do Sul. Suas tiras já foram publicadas em grandes veículos de imprensa. Atualmente, publica a série Ordinário em seu blog e faz parte do grupo Bestiário, responsável pela revista Picabu. Para acompanhar seu trabalho, acesse <www.rafaelsica.zip.net


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fev
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Dia 16, quarta, lançamento da HQ Ordinário, de Rafael Sica, na Palavraria

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