Arquivo para 4 de maio de 2011

04
maio
11

FestiPoa na Palavraria: aconteceu na segunda, 02

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FestiPoa na Palavraria: na segunda-feira, 02, no primeiro encontro, Tailor Diniz, Samir Machado, Paulo Wainberg e Carlos André Moreira conversaram sobre Literatura policial. Depois, foi a vez de Carol Bensimon, Daniel Galera e Flávio Wild conversarem sobre o tema Cidades inventadas, cidades que inventamos. Fotos do evento.

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FestiPoa na Palavraria: aconteceu no domingo, 01

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No domingo, a Palavraria foi palco de três mesas da FestiPoa: Poesia no livro, no palco e na web, com Horacio Fiebelkorn, Ramon Mello e Ademir Assunção; Poesia hispânica e brasileira em traduções e publicações, com Virna Teixeira, Sidnei Schneider e Cristian De Nápoli; Novos autores: realismo na literatura ainda é possível?, com Vinícius Castro, Daniela Langer e Luciana Thomé. Fotos do evento.

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04
maio
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A crônica de Mariana Ianelli

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Quem é Leonard Cohen, por Mariana Ianelli

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Leonard Cohen era ainda um menino quando foi seduzido por essa mulher mítica, de sensualidade litúrgica, pestanas orvalhadas e perfume de vinhas floridas. Devia ter oito ou nove anos quando isso aconteceu, quando a poesia desabou sobre ele dentro de uma sinagoga em Montreal. Desde muito cedo pensou que podia ser escritor, mas nunca esteve completamente seguro disso. Foi assim que se mudou para a torre da Música, duvidando sempre. Foi assim que se viu atado a uma mesa, fadado a esperar por anos a fio até encontrar a palavra certa, o verso perfeito, porque essa era a sua religião.

Poeta, monge, cantor, amante são títulos que dizem pouco sobre Leonard Cohen. Melhor dizer que ele já abdicou de muitas coisas, que elegeu um país solitário e içou uma bandeira branca, que discutiu com a Eternidade e uma vez se deitou com uma mulher de ancas infantis em um quarto em Los Angeles. Que adormeceu a meio de um salmo, jejuou em segredo e foi um dos filhos da neve, esse mesmo filho que depois dos cinquenta teve saudades da mãe e desejou levá-la para a Índia e vê-la maravilhar-se com a cinza do Mar Arábico.

Leonard Cohen é esse homem pouco nostálgico, que não pode ser confortado nem guarda remorsos, o que teve o coração desfeito e ficou acordado a noite inteira pensando em alguma forma de beleza. É esse homem que afundou feito uma rocha, que raspou a cabeça, envergou uma túnica e agiu generosamente mesmo remoendo de ódio por dentro. É esse admirador das belas mulheres de Bombaim, o que espera que haja música no Paraíso, o pequeno judeu com sua Bíblia, que escreve sobre as sombras do Holocausto e sobre uma nuvem em forma de cogumelo, aquele que ama Joana d’Arc como uma de suas últimas mulheres.

Leonard Cohen é o peregrino que navega numa barca de asas decepadas, o que compõe um longo poema chamado Isaías, o apaixonado que, mesmo tendo esquecido metade da sua vida, ainda se lembra das coxas de uma mulher escapando das suas mãos como um cardume de peixes assustadiços. É esse homem que uma vez sentiu o seu corpo tão cheio de ternura que se dispôs a perdoar a toda gente. Esse poeta que escreveu durante anos poemas em uma mesa entre ervas daninhas e margaridas no fundo de uma casa em uma ilha do mar Egeu. Esse amante da lua que já tentou remover com seus óleos o feitiço do rival sobre a memória da namorada.

Leonard Cohen canta para o vento porque o vento é amigo do seu espírito de pluma. Ele sabe que os insetos são como os místicos por mal distinguirem entre vida e morte. Sabe que as possibilidades estão aí para serem derrotadas. Sabe também que o seu tempo está se esgotando e que nunca entenderá completamente esse vale de lágrimas. Não espera vitória nem honrarias. Conhece muito pouco do seu próprio nome. Um dia reuniu suas partes todas em torno de uma súplica, desejou morrer na cruz por um amigo, hesitou entre abandonar um amor e acompanhar os peregrinos, deixou sua túnica pendurada no gancho de uma velha cabana de um mosteiro e levou uma mulher até a beira do rio para amá-la, como qualquer outro homem teria feito.

Leonard Cohen está sentado debaixo de uma janela onde a luz é intensa. Está muito perto das coisas que perdeu e sabe que não terá de perdê-las novamente. É esse homem que melhor se sente quanto menos sabe quem é. Esse que agora sobe ao palco para cantar, no auge dos seus setenta e seis anos, com seu chapéu de feltro e seu terno impecável, provando que ainda existe neste mundo uma nota de elegância. Que ainda existe alguém que sente e pensa com elegância. Isso ele nos diz sem palavras, com um sorriso de doçura, apenas.

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Ilustração de Alfredo Aquino


Publicado em Vida Breve

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Mariana Ianelli nasceu em 1979 na cidade de São Paulo. Poeta, mestre em Literatura e Crítica Literária, é autora dos livros Trajetória de antes (1999), Duas Chagas (2001), Passagens (2003), Fazer Silêncio (2005), Almádena (2007) e Treva Alvorada (2010), todos pela editora Iluminuras. Como resenhista, colabora atualmente  para os Jornais O Globo – Prosa&Verso (RJ) e Rascunho(PR). Saiba mais sobre a autora em seu blog http://www2.uol.com.br/marianaianelli/

04
maio
11

A prosa ligeira de Jaime Medeiros Jr: Nátali e Paloma

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Nátali e Paloma – abril 26, 2011 às 16:51, por Jaime Medeiros Jr.

Oii!
Queremos saber no que voce pensava para criar poemas tao complexos ?
Nós achamos muito interesante,mas com toda sinceridade quase nao entendemos nada.

Como voce criou os poemas com os dias da semana ?

Desde já Obrigada !

Nátali e Paloma

Fico contente de que tenham, de certa forma, gostado dos poemas que leram. Apesar de não entendê-los. Acho que esta afirmação já nos garante – apesar da fome de sentido a que nos inclinam nossos hábitos de olhar, pensar e sentir o mundo – que de certo modo já se admite, aqui entre nós, que nem tudo com que nos defrontamos no mundo exige que participemos com um entendimento para que possamos apreciá-lo.

Há muitas maneiras de se portar diante de uma coisa, neste caso particular, de um poema. Mas talvez o mais importante seja um interesse pela coisa, uma vontade de se aproximar, um reconhecimento desta coisa enquanto coisa, e se ainda nos sobrar algum espacinho em nosso coração, quem sabe até uma certa simpatia, um certo querer bem, nem tanto à coisa em si, mas bem mais ao estar ali diante dela, percebendo-a como uma coisa no mundo.

Depois de chegar a este ponto do caminho talvez possamos seguir conversando lado a lado com este objeto de nosso interesse, conforme nossas disposição e predisposições, agora já, quem sabe, nosso amigo? Conversar, dialogar é sempre muito importante neste ponto, inda mais quando a coisa com que conversamos for um poema.

Tomando a parte pelo todo: Borges nos mostra em Esse ofício do verso que a metáfora – que não é o poema na sua totalidade, mas um de seus importantes recursos – detém boa parte da culpa de que o leitor simpatize com o que lê, porque ela exige uma conversa, uma participação. Ela reserva um espaço a imaginação daquele nosso incauto leitor. Um poema, que não é só uma metáfora, é em todo uma forma de diálogo. E por muito que pese neste diálogo o lado, a versão do autor, ela é só uma das vozes nesta conversa, doutro lado estão a voz ou as vozes de quem lê o poema. E aqui tem de se estar atento, o diálogo só existe com a participação de todas aquelas vozes. Portanto mesmo a versão do autor é só mais uma das muitas leituras do poema.

Sem mais

Um  ab

Com carinho

Jaime]

Jaime Medeiros Jr. é poeta portoalegrense (1964), pediatra. Autor do livro de poemas Na ante-sala. Mantém os blogs Tênues Considerações e O Arco da Lira.

A prosa ligeira de Jaime Medeiros Jr. aparece neste blog quinzenalmente às quartas-feiras.

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