Arquivo para 22 de maio de 2011

22
maio
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Programação de 23 a 28 de maio

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24, terça, 19h: Lançamento do livro Crônicas do medo e outros fantasmas, de Homero Almeida (Redes Editora)

25, quarta, 19h: Abertura da mostra fotográfica Janelas para o Insólito, de Nico Esteves.

27, sexta, 19h: Lançamento do livro A vida no orkut,  organizado por Edvaldo Couto e Telma Brito Rocha

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22
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Aconteceu na Palavraria, neste sábado: lançamento do livro Umas e outras, de Rônei Rocha

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Aconteceu ontem, 21, na Palavraria, o lançamento do livro Umas e outras, de Rônei Rocha.

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A crônica de Mariana Ianelli: Um mundo de nomes

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Um mundo de nomes, por Mariana Ianelli

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Não chegam notícias de Ghardaia. Não sabemos como é a vida em Sandoa. Deve existir um céu estrelado em Marbat, uma mulher deslumbrante em Kandalaksha, uma alma de poeta em Jayapura. Pode ser que ainda hoje nas ilhas Banks as pessoas tenham cada uma sua canção particular como carta de recomendação para o além-túmulo. Alguma delicadeza há de existir em Nanquim, algum prazer em Puerto Deseado, alguma fresca de fim de tarde em Buenaventura, coisas pequenas mas extraordinárias que façam jus à beleza desses nomes.

O que sabemos de cidadezinhas, ilhas e aldeias que de repente ocupam o noticiário do mundo é outra coisa. Sabemos de Leogane, Porto Príncipe  e Carrefour porque ali a terra tremeu e esgarçou a chaga da miséria à vista de todos. Lembramos de Beslan porque esse nome evoca um massacre e cento e oitenta e seis velas acesas, uma para cada criança. Chegam notícias da ilha de Honshu depois de ter passado por ali um tsunami. Sabemos de Strasshof desde que uma menina desapareceu a caminho da escola e ressurgiu, fugida de um cativeiro, mais de oito anos depois. Dogo Nahawa muito possivelmente continuaria sendo uma aldeia escondida no mapa se centenas de agricultores não tivessem sido retalhados a golpes de facão. Nem tão cedo ouviríamos falar de Abbottabah se na madrugada de uma segunda-feira não tivessem descido ali vinte soldados com suas metralhadoras.

Quando esses nomes musicais e antes desconhecidos tornam-se o assunto do dia não é por seus jardins de cerejeira, sua pacatez, suas canções ao ritmo da colheita, suas terras morenas e brancas. São nomes que se fazem pronunciar por alguma exorbitância à altura do mundo. Não porque falem daquelas coisas pequenas mas extraordinárias que segredam que não existe um mundo. Existem mundos.

Ilustração de Alfredo Aquino

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Publicado em Vida Breve

 

Mariana Ianelli nasceu em 1979 na cidade de São Paulo. Poeta, mestre em Literatura e Crítica Literária, é autora dos livros Trajetória de antes (1999), Duas Chagas (2001), Passagens (2003), Fazer Silêncio (2005), Almádena (2007) e Treva Alvorada (2010), todos pela editora Iluminuras. Como resenhista, colabora atualmente  para os Jornais O Globo – Prosa&Verso (RJ) e Rascunho(PR). Saiba mais sobre a autora em seu blog http://www2.uol.com.br/marianaianelli/

Mariana Ianelli publica aos sábados no blog da Palavraria.

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