Arquivo para 21 de julho de 2011

21
jul
11

Vai rolar na Palavraria, nesta sexta, 22

.

22, sexta, 19h: Recital, apresentando músicas do CD Música Para Violoncelo, com Pedro Huff.

.

.

Música Para Violoncelo é o álbum autoral de Pedro Huff com peças escritas para violoncelo solo que tem a intenção de mostrar o lado mais despretensioso deste instrumento. As músicas mostram influências do samba (“despretensioso”, “beliscado” e “valente”), do baião e do roque (“em sete”), do tango (“astoriana”) e também da música gaúcha (“milonga”). O
álbum foi gravado no Estúdio Soma em Porto Alegre em junho de 2011, e o cd é o resultado de peças já tocadas em público em apresentações anteriores, sendo assim sem cortes ou edições!

Pedro Huff é formado em violoncelo pela Escola de Música de Belas Artes do Paraná (EMBAP), e atualmente reside nos Estados Unidos, mas sempre passa pelo menos uma boa parte do ano no Brasil, do qual sente saudades todos os dias quando não está. Terminou seu mestrado em violoncelo na Universidade do Tennessee (UT), e atualmente cursa o doutorado na Universidade de Louisiana (LSU). Pedro já participou de diversas orquestras no Brasil, entre elas a Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (OSPA) e a Orquestra Sinfônica do Paraná (OSP); e nos Estados Unidos, na Orquestra Sinfônica de Baton Rouge (BRSO). Pedro também tem se apresentado frequentemente em recitais solo e também de música de câmara.

.

.

Anúncios
21
jul
11

A crônica de Ademir Furtado: Longe do temor servil

.

.

Longe do temor servil, por Ademir Furtado

.

.

Estive ausente deste espaço por um motivo justificado: dedicação exclusiva a um projeto que virá a público ainda este ano. Mas não parei de ler. Pelo contrário. Só que me envolvi apenas com livros relacionados ao meu interesse do momento. E uma dessas leituras foi Brava Gente Brasileira, de Márcio Moreira Alves. Para começar, é bom esclarecer que a obra não tem nada a ver com a série homônima da Globo, levada ao ar alguns anos atrás. Trata-se de uma coleção de crônicas publicadas no jornal O Globo nos anos 2000-2001, e que poderia ter como subtítulo o nome de um dos capítulos: o Brasil que funciona.  Mas o autor passa longe da ingenuidade ufanista que ainda sobrevive em algumas mentalidades.

Para quem não sabe, Márcio Moreira Alves foi o pivô de uma das maiores atrocidades da História do Brasil dos últimos tempos: o AI-5. Na verdade, o famigerado dispositivo já estava pronto, e os generais só aguardavam um pretexto para tirá-lo da gaveta.  E a alegação que faltava surgiu com um discurso do então jovem deputado, onde os militares eram apontados como responsáveis por atos de abuso de poder e corrupção, que, aliás, todos conheciam, mas ninguém possuía a coragem necessária para denunciar. Jovem mas não ingênuo, o parlamentar encerrou o pronunciamento e saiu da tribuna direto para o exílio no exterior, pois sabia o futuro que lhe aguardava, caso permanecesse no país.

Voltou dozes anos mais tarde e decidiu conhecer o Brasil. Então, embrenhou-se Brasil adentro a procurar programas sociais destinados a melhorias das condições de vida dos brasileiros. Era o momento propício para essa busca, pois a nação começava a despertar do sono a que foi submetida por mais de vinte anos, e a reconstrução da cidadania tornou-se o primeiro item da pauta de reivindicações sociais. E em cada canto dessa imensidão territorial, e em cada aspecto da diversidade cultural, um problema particular e um desejo comum: sobreviver da maneira mais digna possível.

E nessa radiografia cultural do território brasileiro detectou alguns sintomas importantes. A maioria das iniciativas que apresentaram resultados elogiáveis no âmbito microssocial é de empresas privadas, organizações não governamentais, ou algum idealista que dedica tempo e experiência em benefício da comunidade. Nesses casos, o trabalho é resultado de uma dedicação particular ao bem estar coletivo, baseada na convicção de que o social é mais importante que o individual. As propostas oriundas de órgãos governamentais, ou emperram no peso da burocracia, ou se desviam por caminhos diversos.

Essas constatações contrariam certas crenças, da época e de hoje, que confundem aumento de renda com desenvolvimento social. Ainda há pessoas pelo Brasil afora convictas de que de nada serve um salário maior sem uma infraestrutura adequada para que esse novo padrão de vida seja efetivamente aproveitado.

As causas que impedem alguns programas oficiais de dar resultados são conhecidas de todo mundo. E um dos méritos do livro é não cair na simplificação moralista de atribuir a ineficiência do poder público à falta de caráter das pessoas que o exercem. Uma pausa para reflexão sobre o tema e conclui-se que a questão é mais profunda. Os desvios de conduta de administradores públicos não são resultado de incapacidade moral, e sim o sintoma de uma estrutura de poder autoimune e autoindulgente, mais ocupada em justificar os erros do que trabalhar pelos acertos.

Profissional do jornalismo antes de se tornar deputado, o autor sabe disso, embora não diga exatamente com essas mesmas palavras. O importante é ter feito um trabalho que apresenta outra visão dos problemas nacionais, e sugerir soluções que levam em conta as peculiaridades de cada situação. Uma abordagem muitas vezes otimista, mas sem descambar para o ufanismo irresponsável que já orientou tantos desatinos nacionais. E sem o temor de desagradar nem amigos nem partidários.

Para mais informações sobre autor e obra HTTP://www.marciomoreiraalves.com

Ademir Furtado escreve no blog http://prosaredo.blogspot.com

A crônica de Ademir Furtado é publicada neste blog na quarta quinta-feira do mês.

.

.




julho 2011
S T Q Q S S D
« jun   ago »
 123
45678910
11121314151617
18192021222324
25262728293031

Categorias

Blog Stats

  • 713.342 hits
Follow Palavraria – Livros & Cafés on WordPress.com
Anúncios

%d blogueiros gostam disto: