Arquivo para 13 de setembro de 2011

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Aconteceu na Palavraria, nesta terça, 13/09: lançamento do livro Pequenas crises

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Aconteceu na Palavraria, nesta terça, o lançamento do livro Pequenas crises – Pesquisa em comunicação e experiência estética. Fotos do evento.

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Um pouco mais do mesmo, a crônica de Roberto Medina

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Alguém nos ouve, por Roberto Medina

“Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.”

(Carlos Drummond de Andrade)

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Hoje me olhei meio suspeito, mas acho que existe um outro eu por aí, aprontando ou desaprovando o que disfarçadamente nos anuncia a morte perante a luz como mariposas solitárias.

Ando pensando e pensando ando. Resolvo lançar-me na direção da rua da República, na Cidade Baixa. Ligo na urgência para a Aninha.

– Onde tu tá?

– Na reunião do partido, por quê?

– Nada não, tô aqui no Garrafas. Tá a fim?

– Putz, difícil.

Com as excusas entendidas, notei que as donas do bar me escutaram, reolhei o estabelecimento, acredito ter trocado de nome, pois a decoração gritava para outros motivos temáticos.

É sabido que quem lê tem de ter bolsas espaçosas ou mochilas – pode ser uma sacolinha de mercado. Dentro sempre há algo que nos salva ou provoca um naufrágio bom.

Mergulhei a mão no interior da mochila e retirei a revista “Diálogo das Artes”, 2010. Rapidamente quis uma cerveja, lápis, papel e encetar uma conversa boa.

Ler é estar comigo e com o meu amigo escritor.

Listei os variados autores-interlocutores e escolhi como companhia a do Ildo Carbonera: ouvi-o falando para mim – Ildo X casmurrices. Gosto dele (uísque 18 anos, puro blend) e delas.

Meu olho correu “Geralmente, a vizinha do apartamento 3 (…)”. Pronto. Não estava mais só. Conversamos monologicamente por minutos. Em um instante, Ildo pinga um ponto final na página. Encerra o texto; então, saltam os bate-bocas literários.

Não falo mais sem pensar ou ruminar. Preciso perceber o que li e depois puxar o autor para as possíveis leituras ou desleituras: acordos, desacordos e contratos tácitos… há uma espécie de enriquecimento, de esclarecimento, de admiração.

(Aqui no bar, suspeito que muitos dos comensais não entendem o que uma das minhas mãos faz apoiada na cabeça e a outra dançando com o lápis sobre a página! Peço uma cerveja Polar.)

Diálogo: troca de razões entre dois… (1. Entendimento através da palavra, conversação, colóquio, comunicação. 2. Discussão ou troca de idéias, conceitos, opiniões, objetivando a solução de problemas e a harmonia).

Senti um vento machadiano me batendo depois da conversa-leitura. Uma folha se desprendeu do bloco de anotações e das árvores desta rua.

Machado de Assis, Jorge Luis Borges e Mario Vargas Llosa, “apenas” para citar alguns ícones  da criação literária. Quão longe já levaram a América Latina? Eles nortearam a visão sobre o centro e a periferia: a contramarcha. O de fora – sempre modelar. Melhor? Assim vai a velha tradição na onda do “homem cordial”, complacência negaceada na humildade furiosa.

Nós somos deuses?

Bom, deuses são construídos e eleitos, bem como os demônios. Alguém começa e a estratégia nazio-propagandística se firma colossal.

Ok. Não estou omitindo a tradição, porém lembrando que o aprendiz pode andar com os próprios pés.

Seria o ser humano uniforme? Acredito que essa heresia teria um correlato como se todas as baratas fossem a da Clarice Lispector ou – suponho – a de Franz Kafka. Per favore: seres humanos, indivíduos… Diferenças…

Vou trocar de mesa (não de foco!).

(Passou uma grávida, e o pai está mais pavão do que ela. Bonito, só vendo).

Escrever é engravidar a vida alheia…

Ou até deixar filhotes, coçando-se para se jogarem nas letras: o velho instinto de contar, de expor pontos de vista, de mundividência.

Entendo bem que falo de um lugar. Apresento visões em diferentes vozes e formas: minhas ou sonhadas.

(É obrigação do escritor dominar seu ofício).

Não faço aqui uma declaração autobiográfica. No entanto, ressalto um sentir latino.

Caso o mito se confirme, realmente somos “calientes”. Destruímos o gelo das almas, bebemos nosso suco e histórias.

Seria o drama humano o mesmo? Sei lá. Mas que existem recorrências, isso sim. Vida, morte, Deus, amor, diabo, demônios, etc… mistério. Mistérios. “Nonada”?

Um gole a mais e uma inquietação: o que o Brasil tem a dizer e fazer para si e para os outros países e o mundo?

– Vida. Experiência. Humanidade(s). Drama.

Sem brasilolatria, mas temos, claro, o que nos ouvir e fofocar.

Machado de Assis já dedicou, por meio de Brás Cubas, um livro ao verme.

– Obrigado. Aceito-o.

(Os carros aceleram ali na rua).

Ildo é um perigo. Põe a gente comovido…

Aqui paro.

(Alguém olhou para mim com olhos de cigana e de ressaca).

– Moça, mais uma.

Acendo um cigarro.

Prometo: não descerei as escadas, deixando os demais convivas como o narrador em “O espelho”. Ficarei. Quero meu reflexo. Na literatura não é diferente.

Creio que escreverei uma crônica que começará assim: “Geralmente, a vizinha do apartamento 3…” – sem medo da felicidade da influência.

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Roberto Medina leciona português, inglês e francês em escolas, cursos preparatórios para concursos nacionais e internacionais. Foi professor de projetos literários na UDC –Faculdade Dinâmica Cataratas –, em Foz do Iguaçu. É editor e consultor de textos para editoras e autores independentes e ministra oficinas, cursos e palestras sobre temas literários e culturais em universidades e outras instituições no Rio Grande e no Paraná. Tem contos publicados na antologia 101 que contam e Brevíssimos (org. de Charles Kiefer), e lançou recentemente  o livro de poemas Pedrarias. É autor dos textos dramáticos Você precisa saber (peça teatral escrita para a Cia. Amadeus), Silêncio (peça teatral para o Teatro da Adega, SP), Até que (monólogo para a atriz Cláudia Ribeiro) e  Fernando Palavra (para a Cia G3).

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Vai rolar na Palavraria, nesta quarta, 14/09: lançamento do livro A vida é breve e passa ao lado

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14, quarta, 19h: Lançamento do livro A vida é breve e passa ao lado, de Henrique Schneider (Editora Dublinense)


A vida é breve e passa ao lado reúne contos publicados por Henrique Schneider em sua coluna dominical. Ficcionista com agilidade de cronista, o autor trata de temas como relacionamentos, pequenos crimes, a solidão. Com um texto leve, que tanto pode fazer rir como provocar tristeza, Henrique cria personagens que você encontra todos dos dias – e algum deles pode estar, neste momento, bem do seu lado.

“Henrique Schneider faz literatura moderna (pelo tema, pela construção da linguagem, pela visão de mundo) sem ser modernoso. Sua linguagem é moderna sem os trejeitos daqueles que pensam fazer concessão à linguagem popular; e é clássica sem o bolor de quem pensa escrever para nossos antepassados.” Menalton Braff

Henrique Schneider nasceu em 1963 e vive em Novo Hamburgo (RS). Tem diversos livros publicados, entre os quais O grito dos mudos, A segunda pessoa e Contramão. Escreve, todos os domingos, a coluna Vida breve, no jornal ABC Domingo.

 

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