Arquivo para 14 de setembro de 2011

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Aconteceu na Palavraria, nesta quarta, 14/09: lançamento do livro A vida é breve e passa ao lado

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Aconteceu na Palavraria, nesta quarta, 14/09: lançamento do livro A vida é breve e passa ao lado, de Henrique Schneider. Fotos do evento.

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A prosa ligeira de Jaime Medeiros Júnior: como nos desacostumar às trancas?

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Como nos desacostumar às trancas? [prosa da independência], por Jaime Medeiros Jr.

Dia da independência. Saio bem depois do meio-dia de casa. Almoço já bem tarde. A vida nos privou da ágora. Fomos pro shopping. Lá perambulamos. Lá nos pomos frente às gôndolas do supermercado e da livraria. Lá sentamos, tomamos café, lemos a bebericá-lo, fazemos de um tudo. Vamos ao cinema. Tudo fortemente acompanhados de tantos outros, fortemente acompanhados de nossos sonhos de vencer a solidão.

Independência rima com solidão? Na gôndola da livraria abro na página onde a autora fala de seu encontro, o mestre lhe diz que já foi ao sétimo céu, e já desceu à sétima profundeza infernal. Tudo aparentemente igual. De um lado o trem é o da tristeza, de outro, o da alegria, mas o fundo é todo igual e o caminho circular. Toda jornada que se preze parece começar assim. É sempre bom ter um enigma pra pôr os miolos a funcionar.

Achei um Confúcio da Martins Fontes que me pareceu bom de pôr junto aos meus Analectos da L&PM. Dou de frente também com Trabalhe sua raiva de Thubten Chodron, monja do Budismo Tibetano. Me programo, compro duas entradas, uma para a sessão das vinte [Un cuento chino], outra para a das vinte e duas [Octubre]. De resto, procurar o café habitual. As mesas do café estão quase todas tomadas pelos outros, as que eu gosto, e que me oferecem uma tomada onde me plugar, estão ocupadas. Tento não me irritar. Tento. Tento…


Zum-zum. Crianças correndo. Algazarra. Qual há de ser a rima a se fazer aqui? Putz! Tudo inexplicavelmente irritante. Sento. Sento e leio. Sento, leio e tento, tento me acomodar. Me acomodo. Aos poucos consigo prestar alguma atenção nas páginas de introdução: Einstein disse, certa vez, que entendia sua teoria da relatividade até que os matemáticos se apossaram dela. Do mesmo modo, pensei muitas vezes que eu entendia a oração até que li o que os teólogos e filósofos tinham a dizer sobre ela. E mais adiante já na voz de Tich Nhat Hanh, que nos faz a pergunta: quem é a pessoa a quem nos dirigimos na oração?… Onde termina uma linha e começa a outra? … na tradição budista, sempre que juntamos as palmas de nossas mãos diante do objeto de nosso respeito, temos de refletir profundamente para saber quem somos e quem é a pessoa sentada diante de nós e diante da qual estamos dispostos a nos inclinar. Rezo. As crianças fazem barulho, mas agora dá pra sorrir junto com elas. E, quem sabe, se sentir um pouco menos só.

Então, uma vaca cai do céu. Um bebê é deixado na sala da casa de um prestamista. O outro irrompe na vida de alguém. Como operar, aqui, com bênçãos desconhecidas? Como nos desacostumar às trancas e acreditar que todo o sem sentido, que teimamos colecionar, talvez possa ter algum sentido, e aquilo que até então parecia um castigo ainda possa guardar algum qualquer milagre? Que rima deveria se pôr aqui? Por fim, tomo um táxi. Vou pra casa. E esse algo que sempre se crê desperto, dorme. E no fim de tudo, continuo a sonhar.

Jaime Medeiros Jr. é poeta portoalegrense (1964), pediatra. Autor do livro de poemas Na ante-sala. Mantém os blogs Tênues Considerações e O Arco da Lira.

A prosa ligeira de Jaime Medeiros Jr. aparece neste blog quinzenalmente às quartas-feiras.

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