Arquivo para setembro \25\UTC 2011



25
set
11

Programação da semana de 26 de setembro a 01 de outubro

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28, quarta, 19h30: Adolescência em Winnicott, bate-papo com José Outeiral e comissão editorial da Revista Rabisco


 

30, sexta, 15h: Lançamento do livro PT: de oposição à sustentação da ordem, de Cyro Garcia.

 “Este livro nos relata uma história política que foi, ao mesmo tempo, emocionante e terrível. E que, para remeter ao vocabulário cunhado pelos clássicos gregos, uniu epopeia, tragédia e até, mais recentemente, um pouco de comédia. O PT foi o maior partido da história da classe trabalhadora brasileira no século XX. Nos anos oitenta, Lula e a direção do PT foram capazes de construir e empolgar um partido que, em dez anos, evoluiu de uma organização de uns poucos milhares, para centenas de milhares, e que saiu dos 10% dos votos em 1982 para governador em São Paulo, para a disputa do segundo turno das eleições presidenciais de 1989, contando apenas com contribuições voluntárias e militância abnegada. O PT de 2011 é, evidentemente, outro partido, embora a direção seja quase toda a mesma. Em três décadas, o PT elegeu muitos milhares de vereadores, algumas centenas de deputados estaduais e federais, chegou ao governo de mais de mil prefeituras, muitos Estados e está pela terceira vez à frente da presidência. O PT é, sem dúvida, a mais profissional máquina eleitoral do Brasil.” Valerio Arcary

Cyro Garcia é membro do PSTU desde a sua fundação, em 1994. Fundou e dirigiu o PT e a CUT na década de 1980, presidiu o Sindicato dos Bancários do Rio e foi deputado federal. Expulso do PT, rompeu com a CUT e hoje é presidente do PSTU-RJ e membro da CSP-Conlutas. Atualmente é suplente na Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro.

 

30, sexta, 19h: Lançamento do livro Poemas de aprendiz, de Cleci Silveira (Editora Movimento).

 

01, sábado, 18h: Leituras Feevale – Contos da Vida Breve, com Henrique Schneider. Canja musical por Dona Ivone Pacheco.


 

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24
set
11

Lançamento do disco solo de Dani Rauen: ingressos à venda na Palavraria

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Qualquer lá no Teatro Renascença

primeiro disco solo da cantora Dani Rauen.

INGRESSOS À VENDA NA PALAVRARIA

 

Acontece dia 1o de outubro, no Teatro Renascença, o lançamento do primeiro disco solo da cantora Dani Rauen, Qualquer lá.

Dani Rauen começou sua carreira em 1999 como vocalista da Suco Electrico. E foi à frente da Suco Electrico que fez escola no palco, pegou a estrada, chegando a tocar no circuito Banco do Nordeste e a abrir o show do mutante Arnaldo Baptista em Porto Alegre, além de participar de programas e festivais como “Covernation” da MTV, Festival Morrostock, Festival Grito Rock e de lançar sete discos entre demos, EPs e oficiais.

Após dez anos de Suco, Dani Rauen desengavetou um antigo projeto: Fazer um disco de interpretações. Um disco onde pudesse rir e cantar a dor de cotovelo. Desplugou as guitarras e deu outra perspectiva para músicas que fizeram parte de sua vida.

Composto de interpretações e releituras, o disco nasceu da vontade de experimentar outras vertentes além do rock e de se reinventar como intérprete.

A busca do repertório foi em cima de músicas com potencial de transformação. Bandas de rock, antigos parceiros, material da própria Suco serviram como base para a criação deste novo universo.

Este foi o desafio assumido por Toneco da Costa, diretor musical e arranjador do disco. Qualquer lá traz músicas de bandas como Laranja Freak, Frida, Acústicos & Valvulados, Véspera, Suco Eléctrico, além de outros compositores como Zé Caradípia, Murilo Biff, Rodrigo Bittencourt. O repertório conta ainda com Confissões de Amor – música de domínio público – composta por Sinhô (José Barbosa da Silva), um dos grandes nomes do samba da década de 20.

Nelson Coelho de Castro faz uma participação especial na sua própria música, Quando eu feri.

Qualquer lá – uma das duas faixas autorais –, nascida durante as gravações, tem letra de Dani Rauen e música de Toneco da Costa. A música acabou dando nome ao disco por conter a sua essência; a música fala de tomar caminhos diferentes, desconhecidos e seguir para qualquer lá.

Serviço

O que: Dani Rauen lança seu primeiro disco, Qualquer Lá
Quando: Dia 1o de outubro, sábado, às 21 horas
Onde: Teatro Renascença – Av. Érico Veríssimo, 307
Quanto: R$20 no local
Ingressos antecipados: R$15 na Palavraria – Vasco da Gama, 165

22
set
11

Vai rolar na Palavraria, nesta quinta, 22/09: Café do Conhecimento com palestra/debate sobre Schopenhauer

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22, quinta, 19h30: Palestra/debate sobre Schopenhauer. No Café do Conhecimento, promoção da Sociedade Brasileira de Gestão do Conhecimento.

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22
set
11

A crônica de Ademir Furtado: Currente calamo

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Currente Calamo, por Ademir Furtado

A maior pedra no sapato de qualquer escritor é o clichê, essa faca que de tão usada já não corta, ainda que a língua esteja bem afiada.  Um amante das letras trabalha com afinco para lançar nova luz sobre uma passagem e quando se dá conta, lá está aquela frase feita, aquela idéia pronta. E aí não adianta querer tapar o sol com uma peneira, porque a verdade salta aos olhos, e para um bom leitor, meio clichê basta para estragar um texto.

Falar de clichê é chover no molhado, porque desde que o mundo é mundo que o ser humano opta comodamente pela lei do menor esforço. Por isso, carrega sempre no bolso meia dúzia de idéias prontas e frases feitas, que usa e abusa, a torto e a direito. Pensar é chato, cansativo, dá trabalho, e ser original exige responsabilidade e um pouco de ousadia.  Além do mais, a todo instante há a necessidade de uma comunicação rápida e eficiente, e o clichê já possui um significado consolidado, ao alcance de todos os viventes.

Por isso, é difícil abster-se de beber na fonte das idéias prontas e das imagens surradas, e pode atirar a primeira pedra quem nunca lançou mão das sentenças do senso comum para dar o seu recado. Esse hábito é tão antigo quando caminhar pra frente. Tanto é assim, que existem livros que tratam do assunto. No âmbito nacional temos o Pai dos Burros – dicionário de lugares-comuns e frases feitas, de Humberto Werneck, uma coleção de clichês pinçados em órgãos da imprensa. Mas a leitura mais deliciosa nesse sentido é o Dicionário das Idéias Feitas, de Gustav Flaubert, um opúsculo cheio de ironias, em que o grande romancista deita e rola em cima da boçalidade dos franceses oitocentistas. Flaubert dispensa apresentações. Um renomado escritor que atingiu os píncaros da glória com uma obra literária muito original, e saiu a campo, em altos brados, contra o currente calamo, que não é nada mais do que preguiça mental disfarçada de sabedoria popular.

Agora, fiquei com uma pulga atrás da orelha. Por que será que esse assunto dá tanto pano pra manga? É de bom alvitre que o escritor dê asas à imaginação na hora de traçar as suas linhas, mas se ele não tiver bala na agulha fica à beira de um ataque de nervos diante de cada frase lançada no papel.

É bem verdade que muitos beletristas gostam de praticar seu ofício ao correr da pena, e não estão nem aí para originalidade de estilo. Mas felizmente, há aqueles, como Flaubert, que se proclamam inimigo público das simplificações retóricas e não medem esforços para dar uma injeção de vitalidade na linguagem. Criadores que não se curvam ao peso do hábito e não se protegem com desculpas esfarrapadas do tipo: “não existe mais nada original para ser dito”, ou: “a vida é cheia de clichês”. Mesmo que seja para dar murro em ponta de faca, eles avançam a passos largos, de cabeça erguida, força hercúlea e idealismo quixotesco. A esses, temos obrigação de tirar o chapéu e aplaudir em alto e bom som, pois são eles que dão um passo à frente no progresso da arte literária. Uma história bem contada, novinha em folha, é tudo de bom. Por outro lado, ler um texto cheio de clichês – vamos combinar – ninguém merece.

Ademir Furtado escreve no blog http://prosaredo.blogspot.com

A crônica de Ademir Furtado é publicada neste blog na quarta quinta-feira do mês.

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17
set
11

A crônica de Rônei Rocha

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De pato a ganso, por Rônei Rocha

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No início da faculdade de medicina, os calouros parecem misses desejando a paz mundial e a erradicação da fome, quase todos alegando, cheios de boa intenção, terem decidido ser médicos para poder ajudar as pessoas, ou outras razões igualmente nobres. É raro encontrar alguém que almeje fama ou riqueza.

Quando fui convidado para escrever crônicas para o jornal Tribuna, meu primeiro pensamento foi que teria a oportunidade de fazer chegar a um grande número de leitores, informações úteis para que eles conseguissem uma melhor qualidade de vida. Mas logo fui atacado por uma inquietação: “será que as pessoas vão aguentar outro psiquiatra escrevendo?” A segunda dúvida veio logo em seguida: “será que eu aguento outro psiquiatra escrevendo?” Convenhamos que há praticamente uma overdose de psicos mídia afora. Segundo as minhas pesquisas, só estão sobrando vagas para psiquiatras cantores. A saída que eu encontrei foi tentar não escrever como um “doutor”, mas sim chegar o mais próximo que eu conseguisse de uma conversa pouco formal. Na hora, quase não aceitei a proposta. Teria morrido de arrependimento, se fosse possível esse exercício fantasioso que sempre fazemos de “se eu soubesse antes o que eu sei agora” e não tivesse feito.

Uma das vantagens (e das desvantagens) de se viver em uma cidade pequena, como Uruguaiana, é que todos se conhecem. Chegar para tomar um café na praça e ouvir os comentários e sugestões das pessoas a respeito do que eu escrevo é uma experiência que só seria possível, em outro lugar, se eu fosse um escritor consagrado.

Muitas vezes recomendo que meus pacientes se exponham mais, para poder viver um feedback da realidade, mas, tal qual um pneumologista que fuma, termino por não seguir o meu próprio conselho. Com certeza, eu poderia estar curtindo há mais tempo esse tipo de “barato” que tem me causado escrever.

Continuo bem intencionado — a paz mundial, etcétera e tal — mas sou obrigado a admitir que hoje escrevo simplesmente porque preciso. (A praça com o meu nome e a fortuna caíram para quarto e quinto lugar respectivamente.) Sinto que fui picado por alguma mosquinha, não sei nem de que cor, mas estou escrevendo até no chuveiro e consultando um dicionário a todo o instante, enquanto a minha mulher consulta um advogado. Espero, para o bem de todos, que esta aventura tenha êxito, porque vocês nunca me ouviram, nem irão querer me ouvir, cantando O Ébrio.

Me aguardem.

Rônei Rocha é médico psiquiatra, reside em Uruguaiana – RS. Publicou recentemente o livro de crônicas Umas e outras (Editora Proa, 2011). Passa a publicar suas crônicas neste blog no 3º sábado de cada mês.

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14
set
11

Aconteceu na Palavraria, nesta quarta, 14/09: lançamento do livro A vida é breve e passa ao lado

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Aconteceu na Palavraria, nesta quarta, 14/09: lançamento do livro A vida é breve e passa ao lado, de Henrique Schneider. Fotos do evento.

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14
set
11

A prosa ligeira de Jaime Medeiros Júnior: como nos desacostumar às trancas?

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Como nos desacostumar às trancas? [prosa da independência], por Jaime Medeiros Jr.

Dia da independência. Saio bem depois do meio-dia de casa. Almoço já bem tarde. A vida nos privou da ágora. Fomos pro shopping. Lá perambulamos. Lá nos pomos frente às gôndolas do supermercado e da livraria. Lá sentamos, tomamos café, lemos a bebericá-lo, fazemos de um tudo. Vamos ao cinema. Tudo fortemente acompanhados de tantos outros, fortemente acompanhados de nossos sonhos de vencer a solidão.

Independência rima com solidão? Na gôndola da livraria abro na página onde a autora fala de seu encontro, o mestre lhe diz que já foi ao sétimo céu, e já desceu à sétima profundeza infernal. Tudo aparentemente igual. De um lado o trem é o da tristeza, de outro, o da alegria, mas o fundo é todo igual e o caminho circular. Toda jornada que se preze parece começar assim. É sempre bom ter um enigma pra pôr os miolos a funcionar.

Achei um Confúcio da Martins Fontes que me pareceu bom de pôr junto aos meus Analectos da L&PM. Dou de frente também com Trabalhe sua raiva de Thubten Chodron, monja do Budismo Tibetano. Me programo, compro duas entradas, uma para a sessão das vinte [Un cuento chino], outra para a das vinte e duas [Octubre]. De resto, procurar o café habitual. As mesas do café estão quase todas tomadas pelos outros, as que eu gosto, e que me oferecem uma tomada onde me plugar, estão ocupadas. Tento não me irritar. Tento. Tento…


Zum-zum. Crianças correndo. Algazarra. Qual há de ser a rima a se fazer aqui? Putz! Tudo inexplicavelmente irritante. Sento. Sento e leio. Sento, leio e tento, tento me acomodar. Me acomodo. Aos poucos consigo prestar alguma atenção nas páginas de introdução: Einstein disse, certa vez, que entendia sua teoria da relatividade até que os matemáticos se apossaram dela. Do mesmo modo, pensei muitas vezes que eu entendia a oração até que li o que os teólogos e filósofos tinham a dizer sobre ela. E mais adiante já na voz de Tich Nhat Hanh, que nos faz a pergunta: quem é a pessoa a quem nos dirigimos na oração?… Onde termina uma linha e começa a outra? … na tradição budista, sempre que juntamos as palmas de nossas mãos diante do objeto de nosso respeito, temos de refletir profundamente para saber quem somos e quem é a pessoa sentada diante de nós e diante da qual estamos dispostos a nos inclinar. Rezo. As crianças fazem barulho, mas agora dá pra sorrir junto com elas. E, quem sabe, se sentir um pouco menos só.

Então, uma vaca cai do céu. Um bebê é deixado na sala da casa de um prestamista. O outro irrompe na vida de alguém. Como operar, aqui, com bênçãos desconhecidas? Como nos desacostumar às trancas e acreditar que todo o sem sentido, que teimamos colecionar, talvez possa ter algum sentido, e aquilo que até então parecia um castigo ainda possa guardar algum qualquer milagre? Que rima deveria se pôr aqui? Por fim, tomo um táxi. Vou pra casa. E esse algo que sempre se crê desperto, dorme. E no fim de tudo, continuo a sonhar.

Jaime Medeiros Jr. é poeta portoalegrense (1964), pediatra. Autor do livro de poemas Na ante-sala. Mantém os blogs Tênues Considerações e O Arco da Lira.

A prosa ligeira de Jaime Medeiros Jr. aparece neste blog quinzenalmente às quartas-feiras.

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setembro 2011
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