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Um pouco mais do mesmo: a crônica de Roberto Medina

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A folha em branco, por Roberto Medina

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O desafio de qualquer escritor é o dia da folha em branco. O que ela solicita de ti, artífice da palavra. Participo de rodadas sobre o processo de criação… o barraco cai e não se chega à conclusão alguma.

Gostosa mesmo é a crônica – senhora que aceita quase tudo! Cuidado com as malícias, leitor(a). Que palavra bonita MALÍCIA…

Em termos mais acadêmicos: na interação imprescindível entre leitor e texto, por meio do diálogo entre competências cognitivas, sociais e interacionais, na relação mais estreita entre texto e contexto para a busca da construção de sentidos de cada texto lido, a leitura e produção  de crônicas podem configurar-se como estratégias extremamente adequadas a uma metodologia do ensino de leitura e prática textual.

Ao lermos uma crônica, envolvemo-nos, pelo prazer da leitura e proximidade com o gênero, o que nos permite ampliar nosso universo de conhecimento, pois somos instigados à interpretação e, assim, avançamos como leitores: ultrapassamos a linearidade, rompemos com a paráfrase, passamos às relações necessárias à leitura polissêmica – aquela que de fato nos permite atuar como leitores críticos; adentramos, enfim, à riqueza do mundo discursivo como fenômeno prático, social e cultural.

Nas crônicas, a realidade dos fatos tratados numa contemporaneidade por nós vivida estimula, ao mesmo tempo, a busca da coerência do texto organizado bem como o estabelecimento de uma interação social e, assim, realizamos uma leitura que se apóia numa análise do discurso entendida como ação social permanente e também concentrada na ordem e organização.

Tal enfoque de leitura permite ao leitor trilhar caminhos cujo contexto se compreende de diversas formas, seja pela sintaxe, pela semântica, pela estilística e pela retórica, seja pelo gênero crônica, definido entre a argumentação e a narração sobre fatos do cotidiano e um pouco mais.

Consoante Antonio Candido, em “A vida ao rés-do-chão”, na crônica, “tudo é vida, tudo é motivo de experiência e reflexão, ou simplesmente de divertimento, de esquecimento momentâneo de nós mesmos a troco do sonho ou da piada que nos transporta ao mundo da imaginação. Para voltarmos mais maduros à vida…”

Uma folha em branco, às vezes, puxa como tema o próprio ato de escrever… a angústia de escrever… co-irmã da ânsia de viver. Na crônica cabem mundos.

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Roberto Medina leciona português, inglês e francês em escolas, cursos preparatórios para concursos nacionais e internacionais. Foi professor de projetos literários na UDC –Faculdade Dinâmica Cataratas –, em Foz do Iguaçu. É editor e consultor de textos para editoras e autores independentes e ministra oficinas, cursos e palestras sobre temas literários e culturais em universidades e outras instituições no Rio Grande e no Paraná. Tem contos publicados na antologia 101 que contam e Brevíssimos (org. de Charles Kiefer), e lançou recentemente  o livro de poemas Pedrarias. É autor dos textos dramáticos Você precisa saber (peça teatral escrita para a Cia. Amadeus), Silêncio (peça teatral para o Teatro da Adega, SP), Até que (monólogo para a atriz Cláudia Ribeiro) e  Fernando Palavra (para a Cia G3).

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