Arquivo para 23 de novembro de 2011

23
nov
11

A prosa ligeira de Jaime Medeiros Jr.: Da pragmática

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Da pragmática, por Jaime Medeiros Júnior

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Neste segundo semestre de 2011 alguns dos meus mitos pessoais, que ergui nos últimos anos, acabaram por ir a breca. Entre eles o de que o primeiro semestre do ano, cinematograficamente, é melhor. Fato que me parecia observável, pelo menos,  nos últimos 5 ou 6 anos. A mim parecia que os melhores filmes eram sempre os do primeiro semestre. 2011 me desmentiu isso [ Meia-noite em paris, O conto chinês, Medianeras, Copacabana e por fim o extraordinário A árvore do amor – é bom sempre lembrar o que nos pode causar o salto indutivo ao tentarmos erguer leis a partir da simples observação empírica dos fatos ].

Depois da nossa última prosa, fiquei com uma vontade grande de eleger o pragmático como o bandido da história. Mas o todo daquela nossa prosa já acusava que assim não podia ser. Bandidos parecem só ser plausíveis nas telinhas ou telonas, ou nas páginas dos nossos diários. As coisas quando pensadas ou vividas teimam em não se contentar com dualismos. E, por sorte, no curso dos livros a ler neste segundo semestre, depois de ter presenciado o lançamento, na palavraria, da tradução da Obra completa da poeta chinesa Yu Xuanji [mais uma mostra do quão extraordinário tem sido este segundo semestre de 2011]; acabei por retomar a leitura da História do pensamento chinês de Anne Cheng [Vozes], o que me obrigou a repensar a situação deste modo:

No ocidente o pragmático impôs ao contingente um método, um método que nos ensinou a descrer, método que, por fim, culminou no advento do nada e que nos obrigou a uma total desvitalização das coisas do mundo. Aqui, o método nasce do logos, subjuga o mundo e o dispõe em alternativas antagônicas, que só se tornarão válidas na medida que já estiverem previstas nos princípios. A razão contudo não consegue nos conduzir pra além de si. O outro está perdido, acabando por ficarmos apenas com o que dele se diz.

E no oriente, contudo, havemos também de nos deparar com o pragmático, mas lá ele não tomou o bonde do logos. Ali o método é, em sua inteireza, o se acercar da realidade, a sua atitude não é  desconfiada. Rondamos aquilo posto ao centro. Sabemos que ali há um outro, que não poderá ser reduzido a um conceito, a uma palavra. Nos deparamos com o todo, com o símbolo, com o vazio. E cabe dizer: o vazio, diferente do nada, é um encontro, porque estamos diante do outro, afetuosamente acolhido e limpo de nossos conceitos.

Dito isto, parece que podemos seguir pensando a atitude pragmática. Sem ter de pô-la junto da escória do mundo.

Um abraço

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Jaime Medeiros Jr. é poeta portoalegrense (1964), pediatra. Autor do livro de poemas Na ante-sala. Colabora no blog Filhos de Orfeu e mantém o blog de crônicas Tênues Considerações.

A prosa ligeira de de Jaime Medeiros Jr. aparece neste blog quinzenalmente às quartas-feiras.

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23
nov
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Aconteceu na Palavraria, nesta quarta, 23/11: Vereda Literária 2011

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Nesta quarta, 23, rolou na Palavraria o debate A verdade e as mentiras, com Cíntia Moscovich, Michel Laub e Juarez Guedes Cruz. Vereda Literária 2011. Fotos do evento.

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23
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Aconteceu na Palavraria, nesta terça, 22/11: Vereda Literária 2011

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Nesta terça, 22, a Vereda Literária 2011 apresentou o debate Emoção e consciência, com Diego Grando, Marco de Menezes e Israel Mendes . Fotos do evento.


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23
nov
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Um pouco mais do mesmo, a crônica de Roberto Medina

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Beleza, Bondade, Ingenuidade – por Roberto Medina

 

O primeiro raciocínio do homem é de natureza sensitiva…: os nossos primeiros mestres de filosofia são os nossos pés, as nossas mãos, os nossos olhos. ( Jean-Jacques Rousseau )

É reconfortante debruçarmo-nos sobre as janelas da existência e aprisionarmos o que há de fugidio e instantâneo. Viventes que somos ainda possuímos farelos do primitivo e arcaico nas nossas mentes verdejantes, como moscas ao redor da lamparina bruxuleante. As necessidades de cada um causam impactos desastrosos no combate de idéias e de pensamentos. Alguém possui a Verdade? Diógenes e o lampião em plena rua, de madrugada, à procura de um homem justo e bom. Os gregos continuam na moda, sobremaneira as máscaras vão nos guiando no coletivo, sob a égide da  verdade e do engano.

Como ansiosos por um crescimento e reconhecimento, devastamos a mata para ficarmos com o pasto e a grama e a pedra e o barro e o pó. Exterminem-se os pássaros, rosas e fadas! Vanitas é a senhora dos desertos humanos. Sim: a vaidade.

Ao pensarmos e nos pensarmos, alguns passos ficam no resgate de uma realidade exterior e interior do que possivelmente venha ao nosso compósito ideal. Tentativa inútil de aprisionar o ar com rede de caçar mosquitos…

Um exemplo de Vanitas na vida de qualquer um deixa transparecer o cerceamento autoritário da possibilidade de se ver… ou seria de se enxergar – distinto do olhar!

Platonicamente, vivemos nos auspícios da completude e na magnificência do aplauso alheio, sendo que tantas vezes costuramos o espetáculo nas fronteiras de uma casca de ovo.

O ingênuo passa distraidamente pela vida, subestimando o que está fora do seu eu/umbigo, no entanto, várias vezes, esquece-se do “homem cordial” de Sérgio Buarque de Holanda, uma falsa humildade – protetora de si e avassaladora do outro. Postura essa tantas vezes utilizada para o avanço em territórios alheios.

Léthe – o engano – desconstrói o olhar rapidamente. Acredito na soberba e luxúria judaico-cristãs. A empáfia é enganadora: basta lembrar que caixões não apresentam gavetas. O que deste mundo vem, dele se nega sair – fomes bárbaras, mortes de súbito.

De nada vale o espelho quando Narciso está cego!

Maquino aqui com meus miolos que a idade está desvelando alguns aspectos sombrios meus. Aquilo que não me incomodava agora gera desarranjo: físico e existencial.

Perceber a realidade, apesar de ela não ser o que leio, mas uma possibilidade do que venha a ser: sou ignorante, como tu que me lês. Às vezes, tento calibrar meus punhos e esmurrar a pena certeira de Machado de Assis – isso mesmo – o escritor da periferia que fala sobre o eu-latino-americano, quem somos nós? O que sou eu? E na via de Clarice Lispector: Sou mesmo?

Preciso olhar mais os debates políticos na tevê; nas propostas salvadoras; nos homens com fichas alvas: assim eu doaria minha bondade, beleza e ingenuidade.

Seriam os burros mais felizes? Inteligência rima com arrogância ou é tudo similar?

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Roberto Medina leciona português, inglês e francês em escolas, cursos preparatórios para concursos nacionais e internacionais. Foi professor de projetos literários na UDC –Faculdade Dinâmica Cataratas –, em Foz do Iguaçu. É editor e consultor de textos para editoras e autores independentes e ministra oficinas, cursos e palestras sobre temas literários e culturais em universidades e outras instituições no Rio Grande e no Paraná. Tem contos publicados na antologia 101 que contam e Brevíssimos (org. de Charles Kiefer), e lançou recentemente  o livro de poemas Pedrarias. É autor dos textos dramáticos Você precisa saber (peça teatral escrita para a Cia. Amadeus), Silêncio (peça teatral para o Teatro da Adega, SP), Até que (monólogo para a atriz Cláudia Ribeiro) e  Fernando Palavra (para a Cia G3).

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