Arquivo para 6 de dezembro de 2011

06
dez
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Vai rolar na Palavraria, nesta quinta, 08/12: Lançamento do livro Se eu olhar para trás, de Ademir Furtado

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08, quinta, 19h: Lançamento do livro Se eu olhar para trás, de Ademir Furtado (Dublinense)

Estreia literária de Ademir Furtado vai e volta no tempo, usando a história e a ditadura para mostrar como o presente é formado por resíduos do passado

Logo na primeira cena descrita em Se eu olhar pra trás, o carro do protagonista, Edimar, adentra a cidade – e nós vamos com ele. A partir daí, ingressamos na trama intensamente urbana criada por Ademir Furtado, escorada em pontos-chave de Porto Alegre e Santa Maria, que recria o clima opressivo da ditadura militar, de apreensões e prisões repentinas. Edimar é impelido, às vésperas da aposentadoria, a buscar documentos do falecido pai, professor de história. Essa busca irá arremessá-lo em seu próprio passado, obrigando-o a repensar sua vida, tão frustrada, tão norteada pela inércia. O livro se estrutura num vaivém temporal constante, guiado por rememorações, e apresenta um texto movimentado, ágil. Os tais documentos são como as madeleines proustianas, desencadeadoras de um devassamento da vida pregressa, como já é explicitado no próprio título. A política também aparece com força, pontuando a trama temporalmente, e os anos de chumbo da ditadura militar são essenciais aqui. A história do país mistura-se à história das pessoas e suas vidas cotidianas. O ontem lança sua luz sobre o hoje, determinando-o – é o que sempre parece ser dito no volume, ocupando linhas e entrelinhas. Como bem diz um personagem a certa altura: “Assim como o deus Jano, que vês aqui nesta estátua, tenho uma face voltada para o passado, para poder organizar o futuro. Um é reflexo do outro”.

Ademir Furtado nasceu em Canguçu (RS), mas é cidadão porto-alegrense, por opção, desde 1981. Formou-se em Letras – licenciatura pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, mas não quis ser professor. Ganha a vida como funcionário público na Justiça Federal.

Editora – A Dublinense foi criada em 2009 com o objetivo de formar um catálogo eclético. Isso significa receber os jovens e criativos autores, mas também os escritores maduros e já consagrados. Os valores que norteiam a editora são o apuro com a palavra e o cuidado gráfico. A linha editorial da Dublinense está direcionada principalmente para os gêneros tradicionais da literatura de ficção, mas compreende também livros de negócios, ensaios, relatos e esportes. Seus sócios e idealizadores são Gustavo Faraon e Rodrigo Rosp.
A lista completa de pontos de venda da Dublinense pode ser consultada no site www.dublinense.com.br.

LANÇAMENTO DE SE EU OLHAR PRA TRÁS, com sessão de autógrafos do autor.
Preço: R$ 32,00 (exemplar) / Formato: 14 x 21 cm / 192 páginas

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06
dez
11

A crônica de Tiago Cardoso: Scarlett Marton e o homem que fazia filosofia com o martelo

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Scarlett Marton e o homem que fazia filosofia com o martelo, por Tiago Cardoso

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“Nietzsche, filósofo da suspeita”, editado pela Casa da Palavra, de autoria da professora Scarlett Marton, traz um conteúdo conciso e de muito boa qualidade para quem tem curiosidade a respeito da obra do autor alemão. A opção de abordagem de Scarlett é muito dinâmica e desenvolta, organizando o texto em, basicamente, cinco partes. Nas três partes centrais, encontramos capítulos que debatem as principais objeções comumente articuladas ao legado nietzscheano, quais sejam: primeiro, a de que ele nunca teria feito filosofia; segundo, a de que Nietzsche seria um dos precursores do Nazismo; terceiro, de que o professor da Universidade da Basiléia teria celebrado o irracionalismo e o niilismo. É muito interessante acessar essas páginas em que, de uma forma bastante direta e clara, a professora da USP traz à tona as “crenças” que amparam cada uma dessas objeções a Nietzsche para, logo em seguida, pô-las “sob suspeita”. As outras duas partes, algo como um prólogo e um epílogo do livro, carregam, em síntese, o argumento central da autora: o de que Nietzsche foi, sem dúvida, um “pensador-de-problemas”, um provocador. Por esta razão, não podemos, ao acessar Nietzsche, imaginar que estamos diante de um autor que se propõe a arquitetar um sistema filosófico, para daí derivar soluções universais. Muito antes pelo contrário, Nietzsche é anti-sistemático e, portanto, julga que um “filósofo não pode ter opiniões categóricas”, sob pena de transformarmos a pretensão filosófica em um mero agir dogmático.

Muito embora estejamos em 2011, não cessamos de perceber o transbordamento moral com o qual as mais descomedidas “análises”, que tem habitado especialmente o mundo de nossa comunicação social, têm disparado suas bem-intencionadas sentenças. Não obstante os muitos problemas sociais ali sinalizados, temos a impressão de que o mundo anda habitado por um contingente cada vez mais numeroso de novos párocos, na maioria (pasmem!) céticos e ateus. Conhecer o autor de “Genealogia da moral”, pela mediação desta renomada pesquisadora do legado nietzscheano, pode favorecer o florescimento de olhares críticos e algo provocadores, estimulados a insistir na busca, na pesquisa e na criatividade, ou seja, dispostos a julgar que a reflexão filosófica deve estar aliada à experimentação, à vivência e à profanação. Um movimento que pode contribuir, como o autor de “Crepúsculo dos ídolos” afirma, para que evitemos um estágio de ignorância que tanto o julgamento moral como o religioso compartilham: a crença em realidades que não são realidades.

Cumpre destacar que o livro de Scarlett está articulado em uma linguagem que pretende aproximar um público bastante amplo do autor alemão e de seu exercício filosófico, e oferece, também, uma breve biografia intelectual de Nietzsche e indicações de leitura. Aliado ao trabalho que diagnostica algumas objeções, frequentemente utilizadas para pôr-se a salvo das provocações que a obra de Nietzsche nos desafia a enfrentar, a professora Scarlett Marton traz uma excelente introdução e, mais do que isso, um convite para acessarmos esse indispensável legado que, acima de tudo, marcou (e ainda influencia) profundamente o pensamento crítico de nosso tempo.

 


Tiago Cardoso
é frequentador da Palavraria, graduado em direito e mestre em filosofia pela UNISINOS.

 

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