Arquivo para 13 de dezembro de 2011

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Vem aí, em janeiro/2012, na Palavraria: Introdução à história da África, curso com Bolivar Gomes de Almeida. Inscrições abertas.

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Cursos e Oficinas na Palavraria

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Introdução à História da África

Curso com Bolivar Gomes de Almeida

Dias 04, 11, 18 e 25 de janeiro de 2012
Quartas-feiras, das 19 às 21h

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Informações e inscrições na Palavraria: 51 3268 4260
Rua Vasco da Gama, 165 – Bom Fim – Porto Alegre
De segunda a sábado, das 11 às 21h

 

Custo: R$ 200,00

Apresentação, em 4 ‘atos’, da História da África. O objetivo é fornecer aos interessados, elementos para posterior aprofundamento, temporal, regional ou temático.

Nos poucos cursos de História que oferecem, no Brasil, alguma cadeira de África, em geral se limitam ao período posterior à partilha colonial. Por isso, a abrangência maior, de forma a possibilitar uma diferenciação entre os diversos povos componentes do multifacetado continente.

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Que civilizações houve antes do domínio europeu?
Que características teve a relação entre europeus e africanos antes da tomada de Ceuta? E no período que vai de 1415 a 1885?
A escravidão existente era igual à que conheceu nosso continente?
Como o colonialismo afetou a economia africana?
Qual o efeito da Primeira Guerra Mundial em África?
O mais pobre continente tem futuro?

São algumas das questões cujas respostas procuraremos encontrar.

Programa:

04 – Pré-História; Antigas Civilizações; Estados Medievais
11 – Da Queda de Ceuta até a Partilha Colonial
18 – Século XX
25 – África Hoje

Bolívar Gomes de Almeida se graduou em História pela FAPA, onde também fez Especialização em História Contemporânea.

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A precisão do impreciso: poemas da oficina

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A precisão do impreciso: Poemas da Oficina

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Poemas lidos no sarau poético A precisão do impreciso, da Oficina de Poesia Ronald Augusto, realizado em novembro último na Palavraria.

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de súbito
não morri

sustive o tempo
sem saber o que fazer com ele

gotas de ti intercalo a miçangas
escondo as marcas do inverno

não ponho os pés no pedaço onde me perdi

(Maria da Graça)

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na procura por vestigios
a vassoura varre vento e vozes
forja atalhos aproxima e se-distancia
do tempo e no tempo

deixa-se abracar pelas coisas
num trilho brilhante
ruidos do arrastar
sungra silenciosamente tambem tetos e paredes

e sem dizer nada
surpreende a orelha
antes de existir alguma coisa
um ponto, uma palavra
escoamento

(Jackeline Barcellos)

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caminho como se soubesse de todas as encruzilhadas
dos atalhos e acasos
no gesto, escalo o muro à procura da vista
gradeei um cemitério de objetos
museu de cera a preencher o lugar das ausências
que cercaram meu início
monotonia circular do cotidiano
as costas arqueadas
a cada manhã que brota à janela
me fazendo esquecer de onde não vim
não cuspi nos pratos em que comi
ao invés disso, os preenchi de pressas,
de choros rasos e quantos
engoli cada toque
como se fosse o último, como se fosse o mote
tenho, no entanto, um estômago sensível:
não sabe guardar pedras

(Deisi Beier)

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O mundo da linguagem me desfaz

Por entre o mundo mudo da memória

Esquecida ao acaso no asfalto
A agulha se move ágil entre dedos
Sento-me ao sol

Sou mácula que arde
Forte haste rija

Que o tempo vai brunindo

(Paulo Prates)

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Considerações do alfafeto I

deixava para trás aquela escrita
pouca coisa mais que o menos
e o que lhe acrescentasse
as experiências de euzinha
seria lucro na mesmice do seu alfabeto
fez uma réstia de todos os erres
repúdio
raiva
réplicas de si recuperando erros
emendou-se no p da palavra
que daqui pra frente é pauta
piso
possibilidades
de versar em sua estrofe

ainda crua

(Liana Sinara)

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Efeito Kosmopolis

Eu tenho uma puta vontade de comer
Uma puta vontade de comer tudo que eu vejo e escuto
Uma puta vontade de estar em tudo que eu vejo e escuto
Uma puta
Transformar-me em uma puta
Uma puta ideia vencida
Coberta e sorvida
Cortada-etéril-precisa

Uma lima
Amarela na América
Verde na Europa
Inexistente em Abril
Em Hebreu
Contagiosa e azeda
Como duras patas de penas mortas
Como o azul apagado do teu silêncio

A lima puta
Mercadante e periférica
Compaginada em tantos rascunhos
Convencida de tantas derrotas
Imposta
À mostra

(Juliana Ben)

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Conveniência e rumor de impulso

Entre o fim e o vão de uma ideia
esse intervalo
pedaço de omitir-se
polpa e circunspecção

Se eventualmente pudesse desfigurá-lo
de forma nítida
suspenderia o excesso de luz
que me esconde aos extremos

Redefino o traçado
limite oposto
sobre a imagem de um caixilho
recuperado aos escombros do éter

Sem menos escora
sustento fachadas, ruídos

Em evidente descaso
ao cenário
a poeira germina por costume
não o das tradições valiosas               incálidas
mas o do descontínuo sem-cuidado
com que se atrelam
(vagoam-se) um após outro
o mesmo dia

(Denise Freitas)

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o abandono da anatomia
na unha da fala
o codinome do pulso
no fio da meada
a forma avessa
à pele

(João Pedro Wapler)

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Silêncio ao Mar

O meu silêncio é uma nau com todas as velas pandas
Infladas pelo vento duvidoso do (des)conhecimento
Deslizando por mares habitados por estranhas criaturas
Que no silêncio encontram o desencontro de si mesmas
Contorno o cabo-da-boa-esperança e lanço minha rede
Recolho apenas letras soltas que somem com a espuma
Deixando aos pássaros nada a dizer para alimentar sua fome
Fecho as portas do porão abarrotado de expressões vazias
E tranco a cadeado para que não saiam a perturbar as estrelas
Que silenciosamente guiam os poetas na escuridão das palavras
Tanta coisa digo em meu silêncio que não resta dizer mais nada.

(Sirlene Maria Vieira)

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Bicho

responde à chuva
ao vento
ao sol
com o seu jeito de ser.
Vive a resposta desinteressada
indiferente à pegada do destino.
O medo é ornamento do animal mais belo.
Selvagem na outra íris
seu silêncio é camuflagem ao olhar que captura.
Respingo de humanidade
na sua voracidade
de querer viver
seja jacarandá, índio,
trepadeira, gafanhoto,
uma alga ou algo mais.
Fareja sem saber
que o infinito é logo ali…
Aonde tudo começa outra vez sem relógios…
Responde instintivamente
aos presságios e aos sonhos,
responde todas as incógnitas
existindo
E bebe com toda a sua sede de bicho
sem supor que está rezando.

(Márcio Rodrigo Gelain)

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Renga[*]

 

um ponto no áspero cercado
e se as pernas
se a musculatura inescultural
se o fôlego se esses recursos todos
e a seguir sua falência
fossem apenas feixes no asfalto
linhas rígidas do esquadro
traduziriam o limiar

um dia se cansa de tudo
e não há mais nada
nada na camada subterrânea
e na face os olhos
reescrevem a caminhada
que já é flor torta
destemperada
com as pupilas parodiando aromas
e as camadas de pólen dançando
em pleno asfalto
justo ao ponto do empecilho
de qualquer modo entre
a desenvoltura dos rochedos
se ocuparia da pressa
em agitar-se sem nenhum contorno
emaciado sob um sol de março

hipotético anseio  de perpetuar-se
a despeito da inaptidão congênita
da secura entranhada

alonga
a nódoa do girassol sem vértice
na escassez de rotas
amarelas ou alvas

flor de nada dizer
a ser
simplesmente entre os feixes
matéria de cor
matéria cortada de orvalho seco

(por Maria da Graça, Denise Freitas, João Pedro Wapler, Jackeline Barcellos, Deisi Beier, Liana Sinara, Paulo Prates e Juliana Ben)

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[*] O renga é um tipo de diálogo cantado e uma espécie de divertimento literário em que se misturam os elementos lírico, cômico e satírico. Surgiu no início do século XII, apreciado pelos poetas da corte e sociedade aristocrática japonesa de então. O haicai tal como é praticado hoje, é resultante do renga (ou tanka). O renga, portanto, era um poema coletivo, em que um poeta compunha a primeira estrofe (hokku), um terceto com 5-7-5 sílabas (ou sons). Em seguida, outro poeta compunha a segunda estrofe, um dístico de 7-7 sílabas (ou sons). Assim cada poeta que chegava escrevia um dístico de 7-7 sílabas, após um hokku. O renga do grupo da Oficina A precisão do Impreciso não obedece à estrutura rígida da métrica japonesa. Trata-se de um renga não-ortodoxo, de linhagem moderna. Trata-se da tradição renovada no presente.

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