Arquivo para 14 de dezembro de 2011

14
dez
11

Cartas à Palavraria, por Reginaldo Pujol Filho

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Carta pra Carla: tá tudo bem aqui, por Reginaldo Pujol Filho

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A última vez que eu fui na Palavraria, depois de uns abraços na turma, etecétera e tal, aconteceu assim: a Carla me olhou tentando sorrir e perguntou E aí, e as livrarias lá? Na hora não me caiu a ficha, mas agora, sempre que lembro da Carla perguntando e aí, e as livrarias lá, tenho a impressão de ver uma mãe perguntando pro filho que saiu de casa, tentando demonstrar interesse e felicidade pro filho que saiu de casa, alguma coisa como E aí, tá te alimentando direito? Ou, se o filho saiu de casa pra morar com aquela outra que ele insiste em chamar de esposa, a mãe perguntaria E aí, quem tá lavando tuas roupas? Isso aí do lado do bolso da camisa é uma mancha que não saiu? Aquele jeito de mãe de dizer que tá com saudade, que tá preocupada e que não entende porque que tu foi buscar tão longe, entre estranhos, tudo o que tu já tinha em casa, no teu quarto, entre as figurinhas do campeonato brasileiro e os cartuchos de Atari que ela ainda guarda pra ti.

Pois bem, dona Carla, resolvi te contar se tão me alimentando direito, se a minha roupa tá bem passada e por que livrarias tenho andado e vou andar aqui em Lisboa nesse ano longe de casa.  Espécie de cartinhas pra mãe (e quem sabe dicas pra quem vier a Lisboa e tiver uma síndrome de abstinência de livrarias).

A primeira livraria com que eu simpatizei por aqui se chama Pó dos Livros.

 Vai saber se é uma coisa edipiana de buscar uma projeção da Palavraria por aqui, mas é uma loja de bairro, tem muita coisa de editoras pequenas e independentes, realiza eventos e lançamentos (ainda não fui, mas tem) e, principalmente, tem um bar (ou café pra quem quiser assim). É claro que não tem assim, de repente, uma turma do Charles Kiefer descendo a escada e, de uma hora pra outra, lotando a livraria onde só tu estava até então. Nem o Pena chegando e perguntando se tem cerveja nesse buteco, ou o Rosp correndo com uma caixa de livros e, defeito gravíssimo, os donos não sabem que eu não preciso de copo quando peço uma long neck.

Tudo bem, acho que aos poucos vou me convencendo que vai ser preciso que eu frequente durante quase dez anos uma livraria, que os donos tenham a impressão de que me pegaram no colo, pra que eu encontre tudo isso em alguma outra.

Mas, vá lá, vou ter que achar a minha livraria por aqui.

E a Pó dos Livros pode ser. Porque além do bar, da simpatia do ambiente, tem o fundamental: um bom acervo de livros (com direito a um mini sebinho – ou alfarrabista, como eles dizem – na entrada), e gente que gosta de livros. Muitas vezes nem consultam o sistema pra pegar o livro que tu pediu. E, quando não sabem que título é esse que tu tá pedindo, em vez de dar uma meia dúzia de digitadas e te responder com uma voz de phone bank que dá pra encomendar, te perguntam Mas que livro é esse, pesquisam mais sobre ele, querem saber que diacho de livro é esse que eles, livreiros, não conhecem e, claro, depois encomendam. Porque, afinal de contas, é um pouco isso que faz a gente ir numa livraria, não é? É mais do que encontrar um livro, é estar em contato com o mundo desse e de todos os livros. E pra esse mundo ser completo, é preciso que quem está ali do outro lado do balcão não seja alguém que venda tão bem Camus quanto venderia rebimboca da parafuseta recondicionada pro teu Voyage. É saber que pode receber uma recomendação e uma dica bem mais preciosa do que Quem comprou este livro também comprou esse. É esse um dos motivos pelos quais eu procuro e gosto de ir em livraria. Claro, também pra encontrar uma dona que tenha a mania de fazer cócegas na gente. Mas isso eu acho que os portugueses são um pouco sérios demais pra fazer.

O que eu comprei na Pó dos Livros: Crítica e Clínica (Gilles Deleuze), Perder Teorias (Enrique Vila Matas) e Tree of Codes (Johnatan Safran Foer – encomendado, ainda não chegou)

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Reginaldo Pujol Filho, escritor portoalegrense, é um dos primeiros autores da Não Editora. Tem dois livros de contos publicados, Azar do Personagem e Quero ser Reginaldo Pujol Filho e é o organizador da antologia Desacordo ortográfico. Publicou contos em antologias como 101 Que Contam e Histórias de Quinta (organizadas por Charles Kiefer), 24 Letras Por Segundo (org. Rodrigo Rosp), no Janelas (projeto de cartazes literários dele com o amigo e poeta Everton Behenck) e no youtube. Mantem o blog Por causa dos elefantes.

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14
dez
11

Vem aí, em janeiro/2012, na Palavraria: A estrutura do poema. Fundamentos da linguagem poética, oficina com Ronald Augusto

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Cursos e Oficinas na Palavraria

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Oficina de verão:

A estrutura do poema. Fundamentos da linguagem poética
Com Ronald Augusto

 

Dias 09, 16, 23 e 30 de janeiro de 2012
Segundas-feiras, das 19 às 21h

 

Custo: à vista 250,00, ou em dois cheques de 145,00

 

O estudo da poesia impõe certas dificuldades, porque a franca comunicabilidade do discurso prosaico se configura no meio de expressão mais plausível para fazer funcionar nosso cotidiano; nós estamos mais familiarizados com o discurso que nomeia o real.

A linguagem da poesia é mais artificial e convencional (isto é, se vale de artifícios e de convenções formais de longa tradição) e exige uma atenção maior, inclusive porque, em nossos dias, ela se materializa em peças muito concentradas e breves, que por esta razão, ao primeiro olhar, parecem obscuras e de complexa decifração.

A ideia mestra da oficina é oferecer aos interessados (criadores ou fruidores) noções básicas sobre os elementos da linguagem poética, de maneira a minimizar essa sensação, consagrada pela dominância da prosa, de que todo poema é um objeto verbal impenetrável. O poema não é senão um ser de linguagem. E é importante informar-se sobre a lógica de tal linguagem.

Ao longo de quatro encontros (09, 16, 23 e 30 de janeiro) serão abordados os seguintes tópicos:

– Sonoridade (suavidades, asperezas e tímbres na trama fônica)
– Ritmo (a reiteração ou a cadência regular de acentos fortes e fracos)
– Metro (o ritmo institucionalizado)
– Verso (para um poeta de verdade nenhum verso é livre)

Complementarmente aos tópicos abordados na oficina haverá espaço para a criação poética dos participantes. Os exercícios propostos terão estreita ligação com os temas da oficina. Dessa maneira, os participantes colocarão em prática os conceitos da função poética da linguagem que, em última análise, nos ensinam que a poesia é forma, arte, e não um simples meio de expressar emoções.

Custo: à vista 250,00, ou em dois cheques de 190,00.

Ronald Augusto é poeta, músico, letrista, ensaísta. Suas produções foram publicadas em revistas literárias, bem como em antologias, dentre elas: A razão da Chama, organizada por Oswaldo de Camargo (1986), a revista americana Callaloo: African Brasilian Literature: a special issue, EUA (1995 e 2007), a revista alemã Dichtungsring Zeitschrift für Literatur, e outras. Ronald Augusto realiza palestras e oficinas/cursos abordando assuntos como música, poesia contemporânea e visual. Em 2007 criou ao lado do poeta Ronaldo Machado a Editora Éblis, voltada à poesia. Em 2010, a convite do SESC/SC, ministrou oficinas de literatura em várias cidades de Santa Catarina dentro do projeto Formação de Escritores. É diretor associado do website WWW.sibila.com.br. Colaborador do caderno Cultura do Diário Catarinense.  Principais publicações: Homem ao rubro, de 1983, Puya, com a primeira edição em 1987; e ainda um dos seus mais recentes trabalhos intitulado Confissões Aplicadas, publicado em 2004. Recentemente publicou pela editora Éblis o livro de poemas No assoalho Duro (2007).

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Informações e inscrições na Palavraria: 51 3268 4260
Rua Vasco da Gama, 165 – Bom Fim – Porto Alegre
De segunda a sábado, das 11 às 21h

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Aconteceu na Palavraria, nesta terça, 13/12: Lançamento do livro A Razão Universal, o Espírito filosófico e o educador, de Janice Jandrey

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Aconteceu na Palavraria, nesta terça, 13/12: Lançamento do livro A Razão Universal, o Espírito filosófico e o educador, de Janice Jandrey. Fotos do evento.

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