Arquivo para 10 de março de 2012

10
mar
12

Aconteceu na Palavraria, nesta sexta, 09/03: bate-papo 100 anos dos contos gauchescos

.

.

Aconteceu nesta sexta, 09, bate-papo 100 anos dos contos gauchescos, com Hilda Simões Lopes, Donaldo Schuller e José Antônio Mazza Leite. Fotos do Evento.

.


.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.


.


.

.

.

.

.

.

.

 

Anúncios
10
mar
12

Jaime Medeiros Júnior, Relendo Drummond

.

.

Relendo Drummond

Convidados pela Palavraria a escrever sobre Carlos Drummond de Andrade, escritores amigos da casa ensaiam dizeres sobre a obra do escritor mineiro. O poeta Jaime Medeiros Júnior, nosso cronista inaugural, abre a série.

.

.

Mínima animália drummondiana, por Jaime Medeiros Júnior

Me coube escrever sobre Drummond. Me solicitaram. Aceitei, apesar de guardar um certo desconforto. Como cuidar de honrar a grandeza de Carlos sem se descuidar das medidas? Só mais recentemente consegui colocar Drummond em seu devido lugar [li Claro enigma].

Para não nos impor tarefa para além da que cabe em minha tresleitura do poeta, fiz um mínimo recorte, com a intenção de talvez topar com algo do DNA do autor. Por outro lado, correndo o risco de não conseguir enxergar a floresta em consequência de ter os olhos postos em uma única árvore.

Na Rosa do povo [1942], livro ainda tomado de um ativismo algo programático, vamos encontrar o primeiro daqueles grandes animais que compõem o par com que Drummond resolveu nos agraciar, pondo-os poemas. Nos diz: Fabrico um elefante/ de meus poucos recursos./ Um tanto de madeira/ tirado a velhos móveis/ talvez lhe dê apoio./ E o encho de algodão, de paina, de doçura. Animal feito da faina do poeta que pesquisa, que procura descobrir a partir de velhas matérias algo de novo no mundo ou de um renovo do mundo. Eis sua riqueza, feita de tão poucos re-cursos [possibilidade de voltar e dar novo curso as coisas] pondo algo de paina no enchimento, de doçura que garantam algo de delicadeza nos entrechoques com a vida. Enorme elefante que cuida de não pisar sobre nada vivo, apesar de se conduzir algo desajeitadamente. Esse amoroso fabrico que o poeta nos entrega ainda era um engenho, um mecanismo que se construíra da esperança diante de um mundo torpe. No fim do dia pouco sobra do seu elefante. Mas a essa altura Drummond ainda conseguirá dizer: Amanhã recomeço.

Nove anos decorrem. Vargas e Prestes se abraçam. Drummond concentra seu Áporo e faz seu Claro enigma [1951]. E nos oferta o segundo de seus grandes animais, embora menor e bem mais ao metro de um itabirano, o boi de O boi vê os homens. Carlos já nos diz nas primeiras três estrofes de Dissolução, primeiro poema de Claro enigma: Escurece, e não me seduz/ tatear sequer uma lâmpada./ Pois que aprouve ao dia findar,/aceito a noite/ E com ela aceito que brote/ uma ordem outra de seres/ e coisas não figuradas./ Braços cruzados./ Vazio de quanto amávamos,/ mais vasto é o céu. Povoações/ surgem do vácuo./ Habito alguma?/  Parece que o poeta aqui não está mais a combinar com aquelas anteriores mui grandes esperanças postas sobre o fazer. O seu boi toma um modo mais contemplativo e compassivo de falar das coisas: Tão delicados [mais que um arbusto] e correm/ e correm de um para outro lado, sempre esquecidos/ de alguma coisa/ … parecem não enxergar o que é visível/ e comum a cada um de nós, no espaço. E ficam tristes e no rasto da tristeza chegam à crueldade. Drummond aceita a noite que percebe não só no mundo, mas também em si como coisa no mundo, de onde brota uma outra ordem de seres e coisas não figurados, que por fim obriga o boi a observar quão faltos de montanha são os homens em faina. Boi robusto firmemente posto sobre sua memória, e que se obriga, para dar bons tratos a digestão, a ruminar e ruminar e ruminar sua verdade.

E agora, em concordância com meu amigo Ademir Furtado, que nos explica que um rico parece não ser o mesmo que um pobre endinheirado. Aqui, entendo que Drummond parece querer ensinar o quão ricos de renovos podemos ser com tão poucos e simples re-cursos.

.

Jaime Medeiros Jr. é poeta portoalegrense (1964), pediatra. Autor do livro de poemas Na ante-sala. Mantém os blogs Tênues Considerações e O Arco da Lira e escreve quinzenalmente neste blog na coluna A prosa ligeira de Jaime Medeiros Júnior.

.

.

.

.




março 2012
S T Q Q S S D
« fev   abr »
 1234
567891011
12131415161718
19202122232425
262728293031  

Categorias

Blog Stats

  • 722.916 hits
Follow Palavraria – Livros & Cafés on WordPress.com
Anúncios

%d blogueiros gostam disto: