Arquivo para 1 de abril de 2012

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Recado de Lisboa, por Gabriela Silva: Pessoa plural como o universo

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Pessoa plural como o universo, por Gabriela Silva

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Estar em Lisboa é uma experiência única. São elementos de cultura e de história que povoam nosso imaginário e cuja existência precisamos muitas vezes comprovar. Um desses espectros é Fernando Pessoa (1888-1933). Na primeira semana aqui em Lisboa fui à Casa Fernando Pessoa.  Um lugar interessante que guarda recordações de vida do poeta.

Mas foi em fevereiro que me deparei com uma exposição deveras convidativa: Fernando Pessoa – plural como o universo. Um evento promovido pela Fundação Calouste Gulbenkian, instituição conhecida pelos portugueses por seu incentivo e cuidado com as artes de um modo geral. E “Fernando Pessoa – plural como o universo” é financiada também pela Rede Globo, Banco Itaú, Banco Caixa Geral – Brasil e apoiada pela Casa Fernando Pessoa, Consulado Geral de Portugal e do Museu de Língua Portuguesa de São Paulo e Centro Cultural Correios no Rio de Janeiro.

A exposição que começou em fevereiro e se estende até 30 de maio de 2012,  e já esteve no Museu da Língua Portuguesa em São Paulo e no Centro Cultural Correios no Rio de Janeiro, conta com diversas seções: biografia do autor, seus heterônimos e espaço para os leitores manusearem seus livros. Há intensa interatividade com a poesia. Painéis, fotos, obras de arte e poemas associados à tecnologia permitem que o visitante (e leitor) interaja com os textos poéticos de Fernando Pessoa.

Estão lá os heterônimos mais conhecidos: Ricardo Reis, Alberto Caeiro, Álvaro de Campos e Bernardo Soares. Cada um representado com suas biografias e estilos de escrita. Há cabines onde se podem escolher poemas a serem lidos e ouvidos.

E pode-se perceber que a proposta da exposição atinge seu objetivo: compartilhar Fernando Pessoa, possibilitar que os leitores “sintam” os poemas.

Minha predileção por Bernardo Soares fez-me ficar algum tempo a mais no estande dedicado ao heterônimo autor do Livro do Desassossego.

E é com Bernardo Soares que termino meu texto de hoje, é do Fragmento 1, apenas um trecho: “Para todos nós descerá a noite e chegará a diligência. Gozo a brisa que me dão e a alma que me deram para gozá-la, e não interrogo mais nem procuro. Se o que deixar escrito no livro dos viajantes puder, relido um dia por outros, entretê-los também na passagem, será bem. Se não o lerem, nem se entretiverem, será bem também.”

Gabriela Silva tem literatura no seu dna. Desde a infância convive com homens e deuses e as histórias que lhe contam. É formada em Letras, estuda o mal e a morte na literatura e todas as teorias conspiratórias e literárias. É doutoranda em Teoria da Literatura na PUCRS, tendo como foco a construção da personagem. Atualmente está em Lisboa, dizem que estudando.

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