Arquivo para 2 de abril de 2012

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Aconteceu na Palavraria, neste sábado, 31/03: Bianca Obino convida Bruno Polidoro

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Aconteceu neste sábado, 31, na Palavraria, o pocket musical Bianca Obino convida Bruno Polidoro. Fotos do Evento.

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Aconteceu na Palavraria, nesta sexta, 30/03:Lançamento do livro Literatura, pão e poesia

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Aconteceu na Palavraria, nesta sexta, 30/03:Lançamento do livro Literatura, pão e poesia, de Sérgio Vaz. Fotos do Evento.

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A crônica de Emir Ross: The Wall: o dia seguinte

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The Wall: o dia seguinte, por Emir Ross

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É a quarta vez que assisto a um concerto do Roger Waters. A segunda vez que vejo The Wall. E ainda não descobri o que se faz no dia seguinte.

Os dias seguintes são os mais óbvios e os mais difíceis de se definir. Os shows de Roger Waters são como um drible do Garrincha. Todo mundo sabe o que ele vai fazer. Mas assim como os zagueiros não conseguiam segurar a bola, a gente não consegue segurar as lágrimas.

Eu gosto das lágrimas. Ainda não inventaram forma mais eficaz de se lavar a alma. As lágrimas derramadas em The Wall não são qualquer tipo de banho. São como um banho de sais, em águas termais, com direito a massagens de ninfas.

Não sei como a alma se sente no dia seguinte. É uma sensação estranha. Num momento ela parece ali, entranhada na carne. Em outro, é como se ela tivesse tirado o dia para voar no Atacama e já voltasse. Talvez seja por isso que ficamos assim, meio que sem saber se o chão onde pisamos é firme ou também foi ao Atacama dar uma volta.

Eu não sei onde é o Atacama. Na verdade, não sei sequer onde estou.

Há horas que fico pensando nas pessoas.

O que estarão elas falando?

Eu não quero falar sobre isso. Não há o que dizer. Depois de um show do Roger Waters, gosto de ficar parado. Com os olhos abertos. São as únicas vezes na vida que consigo meditar. O ar entra e sai, entra e sai, entra e sai. Diferente das pessoas, que apenas saem. Diferente de mim. Cuja alma foi passear e não disse quando retornaria.

O retorno do The Wall, de volta pra casa, também é um momento ímpar. A gente vai pra casa. Mas não está exatamente indo pra casa. Estamos indo para algum lugar. Estamos mais leves e mais cheios. E continuamos sem querer falar com ninguém. Sem ouvir. Sem pensar. Porque não há nada mais para ser pensado.

Talvez o dia seguinte seja apenas mais uma sequência deste estado a que The Wall nos leva. Ou talvez ele não exista. Tenha ido dar uma volta ao Atacama junto com nossa alma e com o chão que a gente pisa.

Espero que continuem por lá.


Emir Ross é publicitário e escritor e mora em Porto Alegre. Tem participação em 9 antologias de contos e recebeu mais de 20 prêmios literários. Entre eles, o Felippe d’Oliveira em Santa Maria (3 vezes), o Escriba de Piracicaba (2 vezes), o Luiz Vilela de Minas Gerais (2 vezes), o José Cândido de Carvalho do Rio de Janeiro (2 vezes), o Prêmio Araçatuba, entre outros. Escreve no blog milkyway.

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Emir Roos publica neste blog na primeira e terceira segunda-feira do mês.

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