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A crônica de Emir Ross: A felicidade e José Saramago

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A felicidade e José Saramago, por Emir Ross

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A Globonews  reprisou esses dias uma entrevista do Edney Silvestre com o José Saramago. O Saramago é incrível, embora suas palavras, enquanto as fala, não confiram tanta credibilidade.

Mas quem hoje em dia preocupa-se com credibilidade. O que ele fala é ainda mais bonito do que escreve. Embora menos genial.

Saramago publicou o primeiro sucesso, Memorial do Convento, aos 60 anos de idade. Trabalhou a maior parte da vida como mecânico. Algo um pouco distante da literatura. Comentou que, hoje (naquele dia, no caso) não saberia consertar um carro, porque ele já não era o mesmo, mas, principalmente, porque os carros já não são os mesmos. Felizmente, para nós, depois que ele começou a escrever, a literatura também não é a mesma.

O que mais chamou-me atenção foi o fato de Saramago dizer que o Prêmio Nobel que recebera não tinha grande importância na sua vida. Era um grande prêmio, mas comparado à grandeza do universo, isso era muito pequeno. Quando o recebeu, em seu discurso, disse que o homem mais sábio que conhecera fora o avô, que não sabia ler nem escrever.

Segundo o escritor, a infância foi a principal parte da sua vida: a parte em que ele a sentiu mais intensamente. José Saramago nasceu e passou os primeiros anos em Azinhaga, uma aldeia em Portugal, até mudar-se para Lisboa com a família; mas nas férias, sempre voltava para a terra natal, onde tirava os sapatos e encontrava os (verdadeiros) amigos, a sua gente. Só para lembrar, nos anos em que o único escritor de língua portuguesa a ganhar o Nobel, José Saramago, sentiu a vida roçar sua pele na forma mais completa, ele era pobre, filho de camponeses e nada conhecia do mundo além do lugar onde vivia.

Talvez esta seja a principal lição. Quanto menos conhecemos as coisas, mais estamos próximos da felicidade.


Emir Ross é publicitário e escritor e mora em Porto Alegre. Tem participação em 9 antologias de contos e recebeu mais de 20 prêmios literários. Entre eles, o Felippe d’Oliveira em Santa Maria (3 vezes), o Escriba de Piracicaba (2 vezes), o Luiz Vilela de Minas Gerais (2 vezes), o José Cândido de Carvalho do Rio de Janeiro (2 vezes), o Prêmio Araçatuba, entre outros. Escreve no blog milkyway.

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Emir Ross publica quinzenalmente neste blog.

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