Arquivo para 5 de maio de 2012

05
maio
12

Aconteceu na Palavraria, neste sábado, 05/05: Lançamento do livro Eu e o silêncio do meu pai, de Caio Riter

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Aconteceu na Palavraria, neste sábado, 05/05: Lançamento do livro Eu e o silêncio do meu pai, de Caio Riter, com participação especial de Dilan Camargo apresentando o livro. Fotos do evento.

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Aconteceu na Palavraria, neste sábado, 05/05 – 14h: Encontro entre Altair Martins e João Lopes Marques

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05, sábado, 14h: Minha pátria é minha língua – encontro de Altair Martins com o escritor português João Lopes Marques. Promoção Agência da Palavra. Fotos do evento.

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Aconteceu na Palavraria, nesta sexta, 04/05: Lançamento do livro Retrato de um tempo à meia-luz, de Jaime Medeiros Júnior

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Aconteceu na Palavraria, nesta sexta, 04/05: Lançamento do livro Retrato de um tempo à meia-luz, de Jaime Medeiros Júnior. Fotos do evento.

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A crônica de Moacyr Godoy Moreira: O aconchego da lembrança

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O aconchego da lembrança, por Moacyr Godoy Moreira

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Em Salvador, ao adentrar as instalações reservadas a mim no Íbis e verificar que tudo estava em seu lugar, como em qualquer outro quarto da rede de hotéis, fui tomado de uma paz inexplicável. Um dia chuvoso e abafado, um trânsito que não deixava nada a desejar ao de São Paulo a infestar os caminhos da capital baiana e um cansaço brutal, comum na reta final de um ano atarefado que se encerra, deixaram-me impaciente, ansioso, aborrecido de verdade. Mas ao deixar as malas, tomar um banho, recostar-me à cama para olhar os diversos e multilíngues canais, fui me sentindo melhor e por incrível que possa parecer, com a sensação de estar em casa.

Já havia acontecido, há muito, no Mc Donald’s. Numa viagem à Europa, num longínquo e gélido dezembro, num dia em que tudo dera errado – o museu que planejara visitar estava fechado, o hotel em que ficaria não existia mais, além de ter perdido um trem – entrei no Mc Donald’s. Depois de comprar o lanche e me sentar, fui sendo invadido por uma tranquilidade inexplicável, fui serenando o pensamento e acredito que a disposição das mesas, as cores e símbolos característicos e o cheiro inconfundível das batatas fritas, me levaram diretamente para casa.

Defronte à janela, uma infinidade de edifícios que me lembraram a Avenida Paulista transportaram-me para um lugar familiar. Lembrou-me a loja na esquina da Joaquim Eugênio de Lima, onde meu pai nos levava raramente, uma verdadeira aventura – hoje há lanchonetes do gigantesco M amarelo em qualquer esquina. Quando eu era menino, não. E acho até que este Mc Donald’s da Paulista foi o primeiro da cidade, um lugar austero, sem muito a cara das novas lojas que têm até playground, salas para aniversário e estátuas do Ronald Mc Donald’s em tamanho natural. A loja de Viena era também sóbria, repleta de executivos em suas exíguas horas de almoço, gente de terno e gravata misturada a turistas perdidos ali como eu.

Pois foi o que senti ontem no Íbis: estava em casa. E por estar em casa, fiquei tranquilo e quase satisfeito. Impressionante como em tempos cada vez mais impessoais, justamente uma lanchonete e um hotel cujos padrões fazem de seus estabelecimentos lugares invariáveis e sem graça, possam nos remeter justamente à familiaridade do lar, o aconchego de estar amparado e cercado de signos conhecidos. Na verdade, esta familiaridade vem de reconhecermos, nestes lugares, sinais de outros lugares como aqueles, que, na companhia de pessoas queridas, vivenciamos momentos de felicidade. A impessoalidade do Mc Donald’s e das redes de hotéis pré-fabricados nos conduz diretamente a lugares e momentos em que, cercados por aquele cenário invariável, sem qualquer pitada de criatividade, estivemos com pessoas que nos mostraram que a única razão de estar ali era justamente a alegria inestimável de sua companhia.

A desumanidade do cenário nos leva justamente ao que há de mais humano: o aconchego da lembrança.

11.12.2010

Moacyr Godoy Moreira é escritor, redator de teatro, tradutor e médico. Publica semanalmente crônicas e resenhas na seção “Arte do Tempo” do site http://www.agenciacartamaior.com.br. Publicou, pela Ateliê Editorial, os livros de crônicas Lâmina do Tempo, República das Bicicletas e Ruídos Urbanos.

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