Arquivo para 6 de maio de 2012

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maio
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Programação de 07 a 12 de maio de 2012

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07, segunda, 19h: Debate sobre o romance Caim, de José Saramago. Com Pedro Dutra Gonzaga e Ellen Bornholdt Epifánio. Da série Conversas afinadas na Palavraria¸ promoção do IEPP.

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Pedro Gonzaga é músico, tradutor e escritor. Já verteu para o português nomes como Conan Doyle, Patricia Highsmith, Raymond Chandler e Charles Bukowski. É autor do livro de contos Cidade Fechada (2004), Editora Leitura XXI. Em 2007, lançou seu segundo livro, também de contos, chamado Dois Andares: Acima!, Editora Novo Século. Participou ainda de diversas coletâneas digitais e impressas.

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Ellen Bornholdt Epifánio é Psicóloga (PUC-RS). terapeuta em formação pelo Instituto de Ensino e Pesquisa em Psicoterapia (IEPP).Mestre em Psicologia Clínica (PUC-RS/CNPq) e doutoranda em Psicologia Clínica pela Universidad Del Salvador, Buenos Aires, Argentina.

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10, quinta, 19h30: Lançamento do livro Efêmero revisitado, de Leonardo Foletto. Com transmissão da Pós Tv#TubodeEnsaio, enfocando o tema Teatralidade digital: potencialidades e desafios da cultura digital no teatro. Mediação de Claudia Schulz e a participação de Marcio Meirelles, de Salvador-Ba, por skype.

Com a rede mundial dos computadores, estar em algum lugar deixou de ser apenas uma condição real, física, para ser também uma condição virtual, digital. Os corpos passaram a ter a possibilidade de se digitalizarem, serem transformados em uma série de números binários que podem ser transportados via cabos de fibra ótica para diversos cantos do planeta como cópias potencialmente infinitas; um corpo vira número, que viaja, viaja, e se transforma em corpo (virtual, real?) de novo, em outro lugar, via computador. Se aos corpos é permitida a possibilidade de digitalização, ao teatro também? Poderia o olho no olho e o calor do tête à tetê ser transformado em número e reproduzido em diversos lugares ao mesmo tempo e ainda continuar a ser teatro? Poderia haver, assim, um teatro digital?

 

Leonardo Foletto é jornalista, pesquisador e professor. É editor do baixacultura.org, página que versa sobre cultura livre e (contra)cultura digital, e integrante da Casa da Cultura Digital, em São Paulo. Em 2011, pesquisou a relação do teatro com a tecnologia digital através de uma bolsa Funarte (Reflexão Crítica em Mídias Digitais), que resultou no livro Efêmero Revisitado: Conversas sobre teatro e cultura digital, publicado em dezembro de 2011 pelo selo do BaixaCultura e lançado no Festival CulturaDigital.br, no Rio de Janeiro.

 

Márcio Meirelles é diretor teatral, cenógrafo, dramaturgo e figurinista. Atua em teatro desde 1972. Foi fundador do grupo Avelãz y Avestruz (l976-1989), e criador/diretor do espaço cultural A Fábrica (1982). Durante os anos de 85 e 86, assumiu a chefia dos núcleos de cenografia e figurino e de direção e elenco da TV Educativa da Bahia. Paralelamente criou o Projeto Teatro para a Fundação Gregório de Mattos (1986). Foi diretor do Teatro Castro Alves, em Salvador – no período de 87 a 91. Ganhador de vários prêmios como diretor, cenógrafo e figurinista. Fez estágio na Circle Repertory Company (Nova York). Participou do Coloquio Brasil Alemanha de Teatro como palestrante a convite do Instituto Goethe. Co-dirigiu Sonho de uma noite de verão, com Werner Herzog. Dirigiu Zumbi em Londres com o Black Theatre Co-op, como parte do Lift (London International Theatre of London). Em 1990 criou, com Chica Carelli, o Bando de Teatro Olodum, que dirige até hoje. Em 1994, coordenou o projeto de reforma e revitalização do Teatro Vila Velha, foi seu diretor artístico até 1998 e, até 2006, na nova forma institucional que propôs, fez parte do colegiado gestor do teatro. De 2007 a 2010 foi Secretário de Cultura do Estado da Bahia.

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12, sábado, 19h: Eletropoeteria – sarau poético-musical  com leitura de poemas de Carlos Drummond de Andrade e Augusto dos Anjos, com Lucas Reis Gonçalves, Dado Vargas e convidados.

ADIADO PARA 07 DE JULHO

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A crônica de Rônei Rocha: Auto-ajuda

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Auto-ajuda, por Rônei Rocha

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Até hoje, eu nunca atendi um apaixonado. Pelo menos não um que esteja sendo correspondido em sua paixão. E não é um fenômeno restrito a saúde mental; clínicos gerais também notam essa estranha ausência nos seus consultórios. Pode-se ponderar que pessoas felizes adoecem menos, mas eu não estou dizendo que apaixonados sejam felizes, tampouco mais saudáveis que o restante da população.

Quando nos apaixonamos, somos atropelados e vencidos por nossos sentimentos, ganhando assim aquela razão de viver, a desculpa para tudo, um combustível invejável e o perdão de nós mesmos.

Quem precisa de um médico?

Um estado de espírito tão especial, que só Chicos e Nerudas conseguem descrever plenamente, mas que a enxerida da medicina, como de costume, tinha que meter o bedelho e dissecar.

Lá estão as nossas paixões, numa minguada e fria classificação, catalogadas como stress. O pior é que, por mais estraga prazer que possa ser, não há como contrapor, pois qualquer mudança que altere o nosso funcionamento habitual, não importando se para melhor ou para pior, exigindo de nós uma nova adaptação, caracteriza o stress.

A fina ironia é que a mesma capacidade impressionante de adaptação, salvadora e vital em tantas situações difíceis que precisamos enfrentar, é, também, o carrasco da paixão. Ela é capaz de fazer, não só com que eu me acostume com um câncer, como, em pouco tempo, nos torna íntimos; e é meu câncer isso, meu câncer aquilo, o meu é maior que o teu, etc.

Não por coincidência, todas as pesquisas que já foram feitas a respeito de mudanças estressantes na nossa vida e o tempo que se leva para acostumar-se com elas, apontam para o mesmo prazo: dois anos. Tanto para nos ambientarmos a uma nova cidade, um novo peso, uma nova condição (paternidade, viuvez, riqueza) como para que se apaguem as chamas de uma paixão; lá estão os tais dois anos.

Quer dizer então que estamos condenados à triste sina de buscar eternamente novos objetos de paixão? Um novo hobby, um novo trabalho, um novo corpo mais novo, pois todos virão com o prazo de validade estampado em uma lápide? Não! Existe uma saída. Foi descoberta por cientistas da Groenlândia enquanto analisavam o comportamento de pinguins felizes; é muito complicada, antinatural, extremamente trabalhosa, mas de resultados comprovadamente não garantidos.

Consiste em fugir da sua zona de conforto e entregar-se à caça do stress, buscando mudanças dentro do mesmo; sentindo sempre algo novo, de preferência que faça a adrenalina ferver, nós conseguimos ressuscitar a paixão. Então mexa-se. Adote um pitbull para fazer companhia ao seu poodle; diga não a sua sogra; esqueça os bicos de papagaio, dispense o peão e dome você mesmo os seus potros; ande de táxi em Porto Alegre; seja voluntário num asilo; declare ao seu amigo que você ama ele e a sua mulher tudo o que você realmente pensa sobre ela; comece a escrever a sua biografia — a verdadeira. Não há nada que se compare; sentir o sangue quente correndo em nossas veias, ou fora delas, uma paixão não tem preço.

Rônei Rocha é médico psiquiatra de Uruguaiana – RS.

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