Arquivo para 13 de maio de 2012

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Programação de 14 a 19 de maio de 2012

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16, quarta, 19h: Palestra Porto Alegre antes de Porto Alegre e sessão de autógrafos do romance Outonos de Sangue, com o autor, Marcel Citro. (Editora Libretos).

Uma homenagem a cidade de Porto Alegre e um passeio ao Sul profundo. Este são os motes do romance histórico Outonos de Fogo, nova obra do juiz federal e escritor Marcel Citro, vencedor do Prêmio Açorianos de Criação Literária 2010 com a coletânea de contos “Travessia”.

Romance de estréia do autor, Outonos de Fogo volta ao tempo em que a região onde hoje se ergue a capital era território indígena, apresenta a chegada dos primeiros casais açorianos, acompanha os passos de Pinto Bandeira e Saint-Hilaire pelas suas ladeiras mal-calçadas e introduz o leitor ao grande cerco a que a cidade foi submetida durante a Revolução Farroupilha. É, nas palavras do Secretário Estadual de Cultura Assis Brasil “um livro muito bem pensado”. A sessão de autógrafos será na quar-feira, dia 16 de maio, às 19h30, na Livraria Palavraria, e será precedida da palestra ” Porto Alegre antes de Porto Alegre”, sobre os primórdios da capital( 19h00).

A trama que antecede os primórdios da colonização e finaliza com a revolução federalista de 1893 foi precedida de cuidadosa pesquisa histórica, pois como explica Citro “os personagens ficccionais interagem com personagens reais e eventos ocorridos no passado”, de forma que buscou-se sempre “um substrato mínimo de probabilidade em relação aos fatos subjacentes às narrativas mais remotas, e de efetiva verossimilhança no que tange aos fatos mais recentes”

De fato, conforme Luiz Antonio de Assis Brasil escreve em sua apresentação, “em Outonos de Fogo o leitor acompanha a história dos seres humanos que fizeram o Rio Grande do Sul desde que este era habitado apenas pelos indígenas; segue com as primeiras presenças européias entre nós; acompanha as revoluções que nos conflagraram, as guerras em que nos envolvemos, as barbaridades que correram por esses campos; mas tudo isso é contado por segmentos que têm seus enfoques específicos”. Estes segmentos, explica Citro, são costurados por uma especificidade genética que acomete as personagens de tempos em tempos, mostrando uma linha de consangüinidade que perpassa os vários acontecimentos no decorrer dos séculos.

Tais acontecimentos, pano de fundo para a ação de personagens reais ou imaginados, foram cuidadosamente escolhidos pelo autor. Assim, apresenta-se também o primeiro encontro do explorador português com os habitantes originários do Delta do Jacuí ( em 1532 Martin Afonso de Souza teria patrocinado uma expedição de reconhecimento, pela praia, de Punta del Este até a barra do Tramandaí) o tráfico de escravos índios desta região para a lavoura do sudeste, a atividade dos jesuítas portugueses na região de Gravataí, a origem da capital a partir da sesmaria de Jerônimo de Ornellas e os confrontos que ensejaram a independência da Província Cisplatina, hoje Uruguai, e que ensangüentaram o Rio Grande na revolução federalista.

Marcel Citro é gaúcho de Porto Alegre. Bacharel em Direito e em Administração de Empresas pela UFRGS, foi funcionário do Banco do Brasil, auditor do Tesouro Nacional e é atualmente magistrado. Contista premiado (2º e 1º lugares no concurso Histórias do Trabalho – edições 1994 e 1996), escreveu A Noite do Sáurio, livro de contos publicada em 2004 pela Editora Movimento, e Travessia – quinze contos peregrinos, publicado pela Editora da Cidade em 2011 Possui, também, diversas participações em antologias e em sites de literatura.

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17, quinta, 19h: Lançamento do livro Ponto contraponto, de Luiz-Olyntho Telles da Silva e apresentação de A águia e o Simurgh, de Cesar Leal. Comentários sobre as obras com Luiz-Olynto e Hilda Simões Lopes.

 Ponto Contraponto examina, detalhadamente, as relações entre o significante e o discurso na fala do sujeito em análise, sob transferência, não tanto do ponto de vista da Linguística, mas antes da Linguisteria, tal como proposta por Jacques Lacan. Entre outras minúcias, a partir de uma metáfora de Lacan, examina as dificuldades inerentes à tradução de um verso de Baudelaire, no poema LXII.

Luiz-Olyntho Telles da Silva é psicanalista e escritor, membro fundador da Biblioteca Sigmund Freud, espaço de formação e interlocução psicanalítica. Convidado por diversas instituições psicanalíticas, já apresentou seus trabalhos, além de Porto Alegre, em Florianópolis, São Paulo, Rio de Janeiro, Niterói, Vitória, Brasília, Salvador, Recife, Buenos Aires, Montevidéu, Santiago, Barcelona, Canes, Ville de Grace, Paris e Nova Iorque. No Brasil, publicou Pagar com palavras ([Organizador] Movimento, 1984), Da miséria neurótica à infelicidade comum (Movimento, 1989 [1ª ed.] e 2009 [2ª ed. revista, corrigida e ampliada]), FREUD / LACAN: O desvelamento do sujeito (AGE, 1999), Leituras (AGE, 2004), e estreou na literatura com o livro de contos Incidentes em um ano bissexto (EDA, 2009). Publica também na página: www.tellesdasilva.com

 

Hilda Simões Lopes Costa. Nascida em Pelotas, é bacharel em Direito, mestre em Sociologia pela Universidade de Brasília e professora universitária aposentada pela Universidade Federal de Pelotas. Fez oficinas de Criação Literária com Luiz Antonio de Assis Brasil, em Porto Alegre e no Centro Cultural de Las Americas, no México. Há 12 anos, ministra oficina de criação para jovens e escritores em Pelotas e, mais recentemente, em Porto Alegre. Em 2009, foi patrona de Feira do Livro de Pelotas. Publicou os livros Do Abandono à DelinqüênciaSenhoras e Senhoritas, Gatas e Gatinhas (ensaios sociológicos); A Superfície das Águas, prêmio Açorianos de Literatura, 1998, pelo Instituto Estadual do Livro; Cuba, Casa de Boleros, conjunto de crônicas,  finalista prêmio açorianos, pela AGE; Um Silêncio Azul, AGE; o romance A Anatomia de Amanda, pela editora Juruá, onde a autora analisa a obra ‘A Paixão Segundo GH’, de Clarice Lispector e  o livro didático Manual de Criação Literária, pela Editora Baraúna. Atualmente desenvolve na Palavraria o seminário Personagens de Clarice.

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A Águia e o Simurgh é uma edição crítica dos estudos do autor sobre A Divina Comédia, de Dante. Em um deles, estabelece uma discussão com Jorge Luis Borges que havia comparado a Águia, do Canto XVIII, do Paraíso, com o Simurgh, do poeta persa Farid al-Din Attar, apontando-lhe outras veredas. Organizado por Luiz-Olyntho Telles da Silva, o livro contém ainda um poema inspirado em A Divina Comédia, além de um estudo crítico de Weydson Barros Leal, seguido de um ensaio de Dulcinea Santos no qual apresenta as ideias atuais do autor sobre Dante.

César Leal é poeta e crítico de poesia. Professor Emérito da Universidade Federal de Pernambuco. Por seu estudo sobre Dante foi condecorado pelo presidente Sandro Pertini com a Ordem ao Mérito da República Italiana, no grau de Cavaliere. No Conselho Federal de Cultura, em 1988, foi autor do parecer que resultou na criação, pelos governos de Portugal e do Brasil, do prêmio Luís de Camões. Durante temporada nos Estados Unidos tornou-se o primeiro poeta da língua portuguesa a gravar ao vivo seus poemas para a Biblioteca de Poesia da Universidade de Harvard. Na Universidade Federal de Pernambuco fundou os cursos de Pós-Graduação – Mestrado e Doutorado – em Ciência da Literatura e Linguística. Em 1970, ganhou o prêmio nacional de poesia da Fundação Cultural do Distrito Federal, em Brasília. Em 2006, ganhou a maior láurea da Academia Brasileira de Letras, o prêmio Machado de Assis, por conjunto de obras, e, no ano seguinte, o prêmio Ars Latina, conferido pela Associação dos Escritores da Romênia, presidida por George Propescu. Pertence a The Society Poetry (Londres) e à UBENY (Nova Iorque). Como editor do Suplemento Literário do Diario de Pernambuco e da Revista Estudos Universitários lançou os poetas da chamada Geração 65. Indicado pela UNESCO e pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, escreveu o capítulo 46, vol. II, da grande História das culturas literárias latino-americanas, sobre o Recife como centro cultural da América. A obra foi publicada, em 2004, pela Oxford University Press. Membro da Academia Pernambucana de Letras.

PONTO CONTRAPONTO Significante e discurso na Psicanálise
Autor: Luiz-Olyntho Telles da Silva
Editora: HCE, Porto alegre, 2012 – 103p.
12,5 x 20cm – ISBN: 978-8565026-01-7

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A ÁGUIA E O SIMURGH imagens poéticas
Autor: César Leal
Editora: HCE, Porto Alegre, 2011 – 103 p.
11,3 x 19,4cm – ISBN: 978-85-65026-00-0

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18, sexta, 19h: Lançamento do livro Tiro e queda, poemas de Fernando Saldanha (Editora Proa)

Fernando Saldanha é compositor, cantante e poeta de Uruguaiana. Integra o grupo de música e poesia Erva Buena. Reside em Porto Alegre, estuda antropologia na UFRGS, apresenta-se freqüentemente em bares da noite da capital e participa de festivais temáticos no interior do estado. Tiro e queda é seu primeiro livro.

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19, sábado, 18h30: Lançamento do livro de crônicas Soalho de tábua, de Moacyr Godoy Moreira e pocket musical com o autor. (Ateliê Editorial)

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Os contos de Soalho de Tábua são curtos, mas chamam a atenção pelo minimalismo quase poético. Outro aspecto que os aproxima da poesia, sobretudo da poesia de Adélia Prado, cujos poemas abrem cada um dos contos, é este: são narrativas tão importantes pelo que dizem como por aquilo que deixam subentendido; tão importantes pelas linhas, como pelas entrelinhas. Moacyr Godoy Moreira cria um território comum com o leitor onde este pode, ainda que sem escrever, exercer também seu poder de criação e descobrir coisas surpreendentes.

Moacyr de Vergara Godoy Moreira nasceu em São Paulo em 1972, é médico e mestre em Literatura Brasileira (USP/SP). No momento, cursa doutorado na mesma instituição. Tem resenhas e artigos publicados nos jornais Zero Hora (Porto Alegre), Jornal do Brasil (Rio de Janeiro), Jornal do Estado (Curitiba) e nos sites Agência Carta Maior, Rascunho, Cronópios e Germina Literária. Publicou os livros Lâmina do Tempo (2002, contos), República das Bicicletas (2003, crônicas) e Ruídos Urbanos (2008, narrativas, ilustrado por Enio Squeff), todos pela Ateliê Editorial, além de diversos contos publicados em antologias no Brasil e em Portugal.

 

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maio
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A crônica de Rônei Rocha: Pasárgada

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Pasárgada, por Rônei Rocha

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Japão foi a minha Pasárgada enquanto eu ia entrando na adolescência. Assustado com o homem, eu acreditava que aquela pequena ilha era a prova de que o mundo podia ser melhor.

O leitor talvez imagine que eu fosse como costumam ser os adolescentes apaixonados, um profundo e tendencioso conhecedor do objeto de sua paixão. Pois apesar de ser um gordo rato de biblioteca que traçava o que aparecesse, sobre o Japão, estranhamente, não lia nem uma vírgula.

Eu tinha a minha fantasia, e era o que bastava. Lá os políticos se suicidavam de vergonha pela honra maculada? Era disso que precisávamos no Brasil, nos envergonhar e suicidar os nossos políticos.

Fiquei revoltado e até me sentindo traído quando descobri que eles não eram assim tão diferentes de nós, ocidentais. Mas depois fui amadurecendo e superando o rancor, tanto que recentemente até desisti de construir uma máquina do tempo para poder matar japoneses em Iwo Jima.

Lembro disso com frequência quando atendo pais que vem me consultar antes de trazer os seus filhos. Num exemplo fictício bastante comum, eles suspeitam que o filho seja um psicopata, um bon-vivant, pois não assume nenhuma responsabilidade, não quer saber de estudar nem de trabalhar. Aguardam apenas um sinal meu para ministrarem a tal da surra que fará com que se endireite, ou irão desistir dele. Fico preparado para atender um lobo mau, e eis que surge um porquinho assustado, com uma depressão crônica encravada até o último fio de cabelo.

Em outra situação típica, recebo uma família que chora por estar perdendo o seu filho para, por certo, uma depressão, que o levou a procurar refúgio nas drogas. Quanto às escorregadas na conduta (mentiras, furtos, violência), os pais não tem dúvida: “São as más companhias, doutor. Ele é um bom rapaz, só que se perdeu. O senhor vai ver quando ele vier consultar!”. Ele vem e eu vejo, como já suspeitava, que a péssima companhia é ele, e acho que quem está perdido sou eu. Lembro que posso invocar a São Lucas, o santo padroeiro dos médicos, mas penso melhor e resolvo encaminhá-lo para um especialista em pacientes assim, o Dr. Nascimento (que por ser Capitão tem o estofo que se requer nesses casos).

Mas o que leva uma família a escolher entre um diagnóstico ou outro? Não se trata de qual é o menos grave; a questão é fugir para uma fantasia, por isso essas famílias não buscam informações sobre sociopatia ou depressão. Na fantasia dos primeiros, ser um psicopata é algo menos grave, coisa que uns croques ou palmadas irão resolver. Assim tentam negar a depressão, que, como um buraco negro, suga energia de todos os que estão a sua volta. Já a segunda família se refugia da culpa e do medo responsabilizando a terceiros e fantasiando que um antidepressivo-poção mágica vai dar um novo (e, desta vez, bom) caráter ao filho.

Às vezes, fantasias são muito saudáveis, e até um Japão pode ajudar a salvar a nossa pele. O que não pode acontecer é ficarmos prisioneiros, morando num cubículo de fantasia, onde não é raro pagarmos um aluguel de resort, em troca de uma nada doce ilusão.

Rônei Rocha é escritor e médico psiquiatra de Uruguaiana – RS. Publicou Umas e outras (2011) e A pau e corda (2012), ambos pela Editora Proa.

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