Arquivo de junho \29\UTC 2012

29
jun
12

Cartas à Palavraria, por Reginaldo Pujol Filho: O diga xis da questão

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O diga xis da questão, por Reginaldo Pujol Filho

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Mesmo com 40 graus, com um livro que aparece no estoque, mas que a Carla pegou pra ler e não avisou e com dois clientes pagando café com uma nota de 100 (cada um deles), sempre que eu entrava na Palavraria e dizia “bom dia, Seu Carlos” – nos melhores dias, nem precisava eu dizer isso – o Carlos esticava a mão pra mim. Se não houvesse ninguém por ali e as coisas tivessem bem, já comentaria um livro de algum autor português ou moçambicano ou me avisaria que o pessoal já tinha subido pra aula. Lembrei disso porque fui duas vezes ao Porto e não deixei de visitar duas vezes uma das livrarias mais lindas do mundo, segundo rankings que pipocam de tempos em tempos na internet: a Lello. E a Lello não deixa por menos. Toda a equipe também tem um padrão pra receber os clientes. Não é o bom dia. Não é nenhum cumprimento típico do norte português. Basta pisar nesse templo livresco, não precisa nem abrir a boca, que tu já vai ser recebido com um No Photo!. Assim, em inglês, nível internacional. E, como um souvenir da casa, eles vão te distribuindo no photo, no photo, no photo, a cada, no photo, passo, no photo, que, no photo, tu, no photo, der. No photo.

A Lello que, pelo nome, eu imaginava ser de um velhinho simpático, ou de um velhinho rabugento (mas por isso simpático), o Seu Lello, acabou me fazendo pensar no Vinícius, “senão é como amar uma mulher só linda, e daí? Uma mulher tem que ter qualquer coisa além da beleza”. E uma livraria também. E daí que a Lello é a terceira, a segunda livraria mais bonita do mundo, rapaz? Inevitável comparar com outra livraria mega ponto-turístico, a Shakespeare and Company, que tem orgulho de quem frequenta a casa, tem orgulho dos livros que estão lá e, bem, te convida pra dormir. Ou mesmo a Ateneo de Buenos Aires, que é mais grandalhota e tem acervo de megastore, mas tem camarotes pra gente ler. Nos sentimos bem-vindos nesses espaços. Aliás, vivem reclamando que livro não vende e, quando a gente entra na livraria, em vez de dizer, opa, chega mais, se o sujeito para pra olhar uma lombada, é: no photo. A Lello parece uma daquelas mulheres tão bonitonas e tão entusiasmadas com tudo isso que só vão a motel porque tem espelho no teto. Agem como se fossem a Monalisa – embora todos os japoneses tenham uma foto dela. Fico me perguntando, o que eles pensam? Que, se eu tirar uma foto, vou reproduzir uma Lello em Porto Alegre? Em Capão da Canoa, é isso? E se eu copiar a linda escada deles, que é linda mesmo, o que acontece? Acaba a Lello? Bom, lembrem do Vinícius, uma livraria tem que ter qualquer coisa além da beleza. Livros, por exemplo. Gente que goste de livros também. Isso faz muitas livrarias no mundo parecerem lindas pra frequentadores fieis. E a Lello, a impressão que fica, é que, de tanto se preocupar com No photo, no photo, não se preocupa com livros. Os livros meio jogados. Perguntei a uma vendedora onde ficava a sessão de literatura portuguesa e ela disse Nós não (No Photo, pra uma senhora) separamos assim (no photo, pra um grupo), estão (no photo pra mim que olhei pro lado) por ordem alfabética (no photo, prum nenê num carrinho). Achei esquisito, dei toda a volta na livraria, pra descobrir, sim, uma sessão de literatura portuguesa quase do lado do balcão onde a moça continuava roboticamente bipando no photo, no photo, no photo. No understand qualé o negócio deles. Porque eu fiquei sem vontade de olhar mais livros, de comprar livro, de ficar por ali. Querem ser monumento turístico, botem uma catraca, cobrem ingresso e vendam os livros na lojinha de souvenir na saída. E aí acho que eles vão conseguir o que querem: só turistas e não leitores visitando a casa. Porque é a impressão que dá, de que, reforçando a cada olhar esse mítico no photo, eles reforçam o tesão fotográfico do cara que só quer photo. E as pessoas continuam indo lá só pela beleza e pela photo. E daí?

E daí, lembro que, se eu botar Lello no Google, já tem photos lá. Lembro que na Palavraria a Carla tira photos da gente. E lembro que eu quero ir mais uma vez na Lello. Pra ir na sessão dos livros de arte, abrir um livro do Cartier-Bresson, do Robert Capa, do Sebastião Salgado e, quando me disserem  No photo, vou mostrar o livro e rá: Yes photo. A lot.

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Reginaldo Pujol Filho, escritor portoalegrense, é um dos primeiros autores da Não Editora. Tem dois livros de contos publicados, Azar do Personagem e Quero ser Reginaldo Pujol Filho e é o organizador da antologia Desacordo ortográfico. Publicou contos em antologias como 101 Que Contam e Histórias de Quinta (organizadas por Charles Kiefer), 24 Letras Por Segundo (org. Rodrigo Rosp), no Janelas (projeto de cartazes literários dele com o amigo e poeta Everton Behenck) e no youtube. Mantem o blog Por causa dos elefantes.

28
jun
12

Vai rolar na Palavraria, neste sábado, 30/06: Lançamento do livro A colheita dos dias, de Valesca de Assis

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30, sábado, 19h: Lançamento do livro A colheita dos dias, de Valesca de Assis  (Editora 8Inverso). Bate-papo da autora com o escritor e psicanalista Celso Gutfreind.

“A colheita dos dias”, novela narrada em primeira pessoa, conta a história de Letícia, mãe que conta à filha Virgínia, agora morta e reduzida a ossos em uma pequena urna, a própria vida. Após a morte do marido, ela reencontra Diogo, a criança boa de seu passado, que acaba por colocá-la diante das brutais verdades que ela não quis – ou não pôde – ver. Assim, através da colheita da própria história, seu passado é reconstruído e ressignificado.

Valesca de Assis nasceu em Santa Cruz do Sul, RS, em 1945. Estreou na Literatura em 1990. Desde então, publicou livros em diversos gêneros – novelas e romances adultos, literatura para crianças e jovens – e recebeu vários prêmios, entre os quais o Prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Artes) 2000 e Prêmio Açorianos de Literatura 2001. Atualmente, ministra oficinas literárias em Porto Alegre e São Paulo, e participa ativamente da vida cultural gaúcha.

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27
jun
12

Vai rolar na Palavraria, nesta sexta, 29/06: Na trilha de João e Maria, palestra e debate

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29, sexta, 18h: Na trilha de João e Maria – Migalhas de violência no caminho da infância. Palestra e debate com Aline Pinto e Vera Cardoni, promoção do Centro de Estudos Psicanalíticos de Porto Alegre.

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26
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12

Aconteceu na Palavraria, nesta sexta, 22/06: Lançamento do livro Aprendendo a viver e ensinando a sonhar

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22, sexta, aconteceu na Palavraria o lançamento do livro Aprendendo a viver e ensinando a sonhar, de Cláudia de Villar. Canja musical de Rafael Severo Guimarães. Fotos do evento.

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25
jun
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Aconteceu na Palavraria, neste sábado, 23/06, sarau da Turma de Criação Poética – PUC

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Aconteceu neste sábado, 23, na Palavraria, sarau poético-musical com alunos do escritor e professor Charles Kiefer, da Turma de Produção de Textos Poéticos do Curso de Escrita Criativa da PUC. Fotos do evento.

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25
jun
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Aconteceu na Palavraria, nesta sexta, 22/06, lançamento do livro Aprendendo a viver e ensinando a sonhar

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22, sexta, aconteceu na Palavraria o lançamento do livro Aprendendo a viver e ensinando a sonhar, de Cláudia de Villar. Canja musical de Rafael Severo Guimarães. Fotos do evento.

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24
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A crônica de Gabriela Silva: Junho, mês dos namorados

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Junho, mês dos namorados, por Gabriela Silva

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Então junho aqui no Brasil é o mês dos namorados, no resto do mundo é fevereiro.  Pois, considerei em falar sobre isso. Lembro-me que a data de fevereiro é 14, dedicada a São Valentim, que realizava casamentos às escondidas, favorecendo assim os amores ditos proibidos. Aqui a data é mais comercial do que propriamente em louvor a um santo, pois Santo Antônio (um sujeito muito querido de todos) tem como data oficial no calendário religioso o dia 13 de junho. Há algumas simpatias simpáticas que prometem aos apaixonados a plena realização de seus desejos amorosos quando praticadas na madrugada deste precioso dia.

Pensando nisso, lembrei-me de algumas personagens da literatura: Jane Eyre e Elizabeth Bennet. Ambas vivem amores quase impossíveis, se não impossíveis, no mínimo turbulentos. Jane Eyre ( o romance tem o mesmo nome),  engendrada por Charlotte Brontë, é uma criatura deveras interessante, permitam-me contar que é minha personagem predileta na galeria do gênero  feminino da literatura ocidental. Ela é uma menina que começa a narrativa sendo muito infeliz, torna-se professora e vai trabalhar para uma família rica e aí… bem… aí… ela conhece Mr.  Edward Rochester, um sujeito mesmo muito sinistro, mas que tem seu coração envolvido de imediato pela moça culta e tímida que é professora de sua pupila . Mas ele tem um segredo (quem não tem, não é mesmo?): num cômodo da casa ele mantem distante do mundo sua primeira mulher, que tem sérios problemas mentais. Após diversas peripécias Jane Eyre tem seu sonho de casar com Rochester destruído, afasta-se e, depois de muito tempo, atendendo ao chamado de seu coração, retorna para seu par que está cego e desnorteado.  Eles ficam juntos, e nós leitores felizes com esse final. Agora coloquemos sob a perspectiva de São Valentim, se ela houvesse se valido do santo e casado na surdina, ninguém teria desmascarado Rochester na hora do casamento.  Eles viveriam com a louca do sótão incendiando a casa, mas todo mundo fingiria não ver e aos domingos  todos almoçariam felizes ao ar livre no campo.

Nossa segunda moça em questão é Elizabeth Bennet, personagem protagonista do romance Orgulho e preconceito, de Jane Austen, na narrativa ela é uma das moças “casadouras” da família Bennet, já quase na idade de ficar “para titia”.  Então, ela conhece Mr. Darcy, rico, bonito, de excelente caráter  e demasiado preconceituoso com a condição financeira de Lizzie e de suas irmãs. Ela por sua vez é orgulhosa ao extremo, afirmando sempre que não se casaria por conveniência, mas somente por amor. Amor despertado por Darcy. Após armadilhas, suspeitas, desencontros e outras tantas coisinhas que um romance tem que ter, Darcy finalmente pede-a em casamento e ela…nega-lhe! Mas, como o amor tudo vence…ela reconhece o que está tolamente perdendo e eles ficam juntos. Nós, leitores, mais uma vez, suspiramos e fechamos o livro contentes. E Santo Antônio? você se pergunta ai lendo meu texto…bem…se ela houvesse na madrugada do dia 13 pedido ao santo que lhe mostrasse o homem que seria seu marido, e então Mr. Darcy aparecesse, ela saberia de imediato que era ele! E pronto, tínhamos de largada um belo casório!

Porém… como na vida, na literatura não é nada fácil. E não é fácil amar, conviver ou tentar descobrir o que torna alguém tão especial para nós. Se elas houvessem, assim como nas minhas sugestões recorrido aos santos conhecidos por suas caridades para com os enamorados, talvez fossem pessoas infelizes, pois não teriam descoberto da maneira mais íntima, como descobriram o porquê do amor e da grandeza do sentimento que as motivaram. E pior ainda: não teríamos essas fabulosas fábulas para deleitar nossos ávidos corações e expectantes cérebros.

O que vale é que amar está nas linhas desses grandes romances assim como na vida. E que assim como essas duas personagens precisamos vez por outra arriscar e descobrir o que nos espera no dia seguinte do resto de nossas vidas.

Gabriela Silva tem literatura no seu dna. Desde a infância convive com homens e deuses e as histórias que lhe contam. É formada em Letras, estuda o mal e a morte na literatura e todas as teorias conspiratórias e literárias. É doutoranda em Teoria da Literatura na PUCRS, tendo como foco a construção da personagem. Entre outras atividades, coordena atualmente o grupo que organiza e apresenta mensalmente o Sarau das 6, programa de leituras e comentários literários, na Palavraria.

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