Arquivo para 12 de junho de 2012

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Vai rolar na Palavraria, nesta quinta, 14/06: Lançamento da novela Desvãos, de Susana Vernieri

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14, quinta, 19h: Lançamento da novela Desvãos, de Susana Vernieri (Editora Dublinense) 

Numa noite de réveillon, dois jovens se conhecem e veem a promessa de amor ser calada pela família. As barreiras erguidas entre os dois geram consequências que vão atravessar os anos e atingir outras pessoas. Em paralelo ao desenrolar dessa trama, presenciamos cenas – fragmentos – de uma jovem que cresce colecionando pequenos desastres amorosos.

Susana Vernieri nasceu em outubro de 1965, em Porto Alegre (RS). Doutora e mestra em literatura brasileira pela UFRGS, é graduada jornalista pela mesma universidade e em direito pela PUCRS. Trabalhou por dez anos no jornal Zero Hora. É autora da novela O caminho de Telêmaco e dos livros Memorabilia (poesia) e De(s)amores (poesia e contos). Em 2009, recebeu o Prêmio Açorianos de Literatura na categoria conto com o livro As grades do céu.


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Sidnei Schneider, relendo Drummond

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Relendo Drummond

Convidados pela Palavraria a escrever sobre Carlos Drummond de Andrade, escritores amigos da casa ensaiam dizeres sobre a obra do escritor mineiro. Sidnei Schneider apresenta sua releitura.

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Acessando Drummond, por Sidnei Schneider

Os poetas brasileiros que primeiro me interessaram, pela ordem, foram Ferreira Gullar, Manuel Bandeira e João Cabral de Melo Neto. Cheguei a Carlos Drummond de Andrade meio de atravessado, pelo livro Boitempo I (1968), de importância lateral, embora tenha retido poemas como “Negra” e “Copo d’água no sereno”, e gostasse de “O homem; as viagens”, de As impurezas do branco (1973), presente num livro escolar. O poeta mineiro, àquele leitor iniciante, parecia verborrágico e com predileção por temas nostálgicos, diante da secura e da contemporaneidade de Gullar e Cabral.

Hoje, quando penso em Drummond, volto aos livros que inicialmente me seduziram, e marcaram. Primeiro, A rosa do povo (1945), com aquela quantidade impressionante de poemas estelares, um fenômeno da poesia brasileira: “Procura da poesia”, “A flor e a náusea”, “Carrego comigo”, “Nosso tempo”, “Áporo”; os narrativos “Caso do vestido” e “Morte do leiteiro”; a série que trata do terrível momento pelo qual atravessava o mundo de então, formada por “Carta a Stalingrado”, “Telegrama de Moscou”, “Visão 1944”, “Com o russo em Berlim”, revelando também uma espetacular confiança no futuro desde “Mas viveremos”, que deseja-e-prevê um “avião sem bombas entre Natal e China/ petróleo, flores, crianças estudando,/ beijo de moça, trigo e sol nascendo”. Depois, Claro enigma (1951), com o muitas vezes relido “Máquina do mundo”, que por si vale um livro completo, e o agridoce “Amar”, derivado provavelmente de “Amo, amas”, do modernista nicaraguense Rubén Darío. Que essa minha predileção de leitor iniciante tenha coincidido com a posição de boa parte da crítica, foi uma surpresa que só mais tarde eu constataria. Anterior a estes, Sentimento do mundo (1940) introduziria o ponto de vista que redundaria em A rosa do povo, através de poemas como “Mãos dadas” e “Mundo grande”. Drummond, evidentemente, tem muitíssimo mais do que comporta esse pequeno texto.

Recordo a crítica de João Cabral de Melo Neto, talvez ainda parte de um processo de desvencilhamento daquele que foi seu grande mestre, dizendo que Drummond se excedia e publicava demais. Impossível discordar completamente, para quem leu os livros Boitempo I, II e III (1968, 1973 e 1979), repletos de recordações que já apareciam de algum modo no inicial Alguma poesia (1930). O fato é que Drummond sentiu necessidade de revisitar o passado, não se lhe nega esse direito, um poeta escreve sobre o que bem entender, mas a pergunta, se realmente deveria publicar toda essa investida, fica suspensa igual a espada de Dâmocles. Claro, podemos ler só o que mais apreciamos; acontece que essas questões preocupam os poetas, pois eles se colocam o problema de o que publicar continuamente.

Drummond, com sua poesia de faca de ponta (diferente da de Cabral, que parece afiar sua só lâmina na pedra enquanto se ausenta do poema, mas não de sua planejada eficácia), vai escarafunchando as nódoas da sociedade e da civilização, mas antes escarafuncha as que carrega, como se, fazendo-o, colocasse o seu “eu poético” no lugar de todos. Embora tenha escrito excelentes poemas nas mais diversas formas, tradicionais e inovadoras, há nele uma forte dicção logopeica, afeita a extrair a credulidade das estratégias que encobrem os fatos e as relações humanas, sem se preocupar centralmente, nessas ocasiões, em reproduzir uma musiquinha ou mesmo dar a ver imagens com o seu poema. É essa escrita fria, perfurante, não-melódica no sentido tradicional, crítica e autocrítica ao extremo que melhor o caracteriza: vê-se logo quando o poema é dele. Escrever poesia numa língua que produziu poetas como Drummond é uma dádiva e uma responsabilidade. Sua obra, sim, temos que disseminar por aqui e exportar cada vez mais, para que os raimundos de todo o lugar o possam ler.

09-05-2012

Sidnei Schneider é poeta, tradutor e contista. Autor dos livros de poesia Quichiligangues (Dahmer, 2008), Plano de Navegação (Dahmer, 1999) e tradutor de Versos Singelos/José Martí (SBS, 1997). Participa de Poesia Sempre (Biblioteca Nacional/MinC, 2001), Antologia do Sul (Assembléia Legislativa, 2001), O Melhor da Festa 1 e 2 (Nova Roma, 2009; Casa Verde, 2010) e de outras dez publicações. 1º lugar no Concurso de Contos Caio Fernando Abreu, UFRGS, 2003 e 1º lugar em poesia no Concurso Talentos, UFSM, 1995, de um total de treze premiações. Publicou artigos, poemas, contos e traduções de poesia em jornais e revistas. Participa do projeto ArteSesc e é membro da Associação Gaúcha de Escritores.




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