Arquivo para 18 de junho de 2012

18
jun
12

Novo livro de Juarez Guedes Cruz à venda na Palavraria

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Já chegou à Palavraria o livro novo do Juarez Guedes Cruz: Antes que os espelhos se tornem opacos. Nesta semana, vamos fazer a pré-venda exclusiva, então venha conferir aqui com a gente em primeira mão.

Este não é um livro de histórias, mas de ideias. No lugar de sinopses, temáticas; acima de personagens, a reflexão sobre as pessoas. Juarez fala do ruir da vida, o olhar cansado diante da amada, os sons do desaparecimento do amor; a memória – e a própria literatura – como recursos para se defender da morte. Ao mesmo tempo, existe um último sopro, um ânimo, algo que ainda possa ser feito antes que os espelhos fracassem na sua única função de refletir.

Juarez Guedes Cruz nasceu e vive em Porto Alegre (RS). É médico, psiquiatra e psicanalista. Além da presença em antologias de contos ou de ensaios psicanalíticos, publicou dois livros de contos: A cronologia dos gestos (2003, vencedor do Prêmio Açorianos) e Alguns procedimentos para ocultar feridas (2007, finalista do Prêmio Açorianos). Também em 2007, foi o organizador da antologia de contos O paradoxo de Tchekov.


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18
jun
12

A crônica de Emir Ross: Chaves

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Chaves, por Emir Ross

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Ao completar doze anos ganhei um maço de chaves e um molho de dinheiro. Ou seria o contrário?

As chaves eram do portão, da porta de ferro, da porta de casa e até uma da Porta da Esperança. Essa foi a primeira que perdi. O molho de dinheiro era para o lanche da escola, passagem de ônibus, refrigerante do domingo e guloseimas a escolher. Escolhi tantas que o molho acabou no segundo dia.

As chaves duraram mais. Creio que só perdi a última uns dois meses depois.

Ótimo motivo para nunca mais ganhar chaves até morar sozinho. Ou ganhar dinheiro até começar a trabalhar.

O trabalho, por sinal, é a chave da doença do século. Ele deprime até o mais aficionado trabalhador. Se não for pelas quinze horas de empenho diário é pela aposentadoria por invalidez. Quando esta acontece. Porque estamos num tempo tão cheio de alternativas que o deprimido já pode decidir entre cremação ou enterro tradicional.

A maioria opta pela primeira opção. É mais fashion, na moda e ecológico. Além do mais, o deprimido quer desaparecer, evaporar, virar cinza. Os que optam pelo enterro tradicional querem, na verdade, uma lápide com a foto do seu auge e um histórico da sua vida. Crêem que isto será a chave para a eternidade.

Mas a eternidade é só uma invenção feita por aqueles que temem ser esquecidos.

Eu, como nunca na vida lembrei-me das coisas, nunca cheguei no horário ou assinei documento válido, provavelmente esquecerei de que não serei lembrado após morrer. Todo caso, isso não tira meu sono nem tranca as possibilidades para o que pretendo realizar. Afinal, para quem nunca usou chaves na vida, uma porta fechada não chega a ser problema ou paradoxo. É só um motivo para pular a cerca.

Emir Ross é publicitário e escritor e mora em Porto Alegre. Tem participação em 9 antologias de contos e recebeu mais de 20 prêmios literários. Entre eles, o Felippe d’Oliveira em Santa Maria (3 vezes), o Escriba de Piracicaba (2 vezes), o Luiz Vilela de Minas Gerais (2 vezes), o José Cândido de Carvalho do Rio de Janeiro (2 vezes), o Prêmio Araçatuba, entre outros. Escreve no blog milkyway.

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Emir Ross publica quinzenalmente neste blog.

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