Arquivo para junho \24\UTC 2012



24
jun
12

Programação de 25 a 30 de junho de 2012

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29, sexta, 18h: Na trilha de João e Maria – Migalhas de violência no caminho da infância. Palestra e debate da série Compartilhando Leituras – Contos de Fadas, promoção do Centro de Estudos Psicanalíticos de Porto Alegre.

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30, sábado, 19h: Lançamento do livro Colheita dos dias, de Valesca de Assis  (Editora 8Inverso). Bate-papo da autora com o escritor e psicanalista Celso Gutfreind.

“A colheita dos dias”, novela narrada em primeira pessoa, conta a história de Letícia, mãe que conta à filha Virgínia, agora morta e reduzida a ossos em uma pequena urna, a própria vida. Após a morte do marido, ela reencontra Diogo, a criança boa de seu passado, que acaba por colocá-la diante das brutais verdades que ela não quis – ou não pôde – ver. Assim, através da colheita da própria história, seu passado é reconstruído e ressignificado.

Valesca de Assis nasceu em Santa Cruz do Sul, RS, em 1945. Estreou na Literatura em 1990. Desde então, publicou livros em diversos gêneros – novelas e romances adultos, literatura para crianças e jovens – e recebeu vários prêmios, entre os quais o Prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Artes) 2000 e Prêmio Açorianos de Literatura 2001. Atualmente, ministra oficinas literárias em Porto Alegre e São Paulo, e participa ativamente da vida cultural gaúcha.

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22
jun
12

A prosa ligeira de Jaime Medeiros Jr.: Epinúmeno: primeiro artefato

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Epinúmeno: primeiro artefato, por Jaime Medeiros Júnior

A vista híbrida de descomeços cheia de esperança queria assentar-se sobre a coisa, mas não tinha paradeiro. Esperava descortinos, mas desconhecia outra sorte que não o vagar intermitente e brando sobre os fotogramas que guardara a muito custo de todo o impreciso que tudo o que havia sido se tornara.

A voz reticente nada sabia além de um desdizer constante. Imperfeito. Perenemente assombrada, desalmada, furiosamente tomada pelas potestades do desabrigo de si. Vitoriosas figuras embaladas no bêbado lavradio do esmaecer de si, agora, nada, senão adormecer.

Acorda. Olhos impolutos e tensos. Bebe da água sobre o escravo mudo. Veste-se da manhã. Sai para a vida. Só, consagra-se a descobrir a velocidade das coisas. No bolso busca a chave. Não esquecera nada?

Ele tinha de ir ao centro. Tudo ainda estava por se fazer. Máquina de despropósitos. Burlas a uma acidez intestina. Graças inverossímeis vindas como que num pespegar notícias em jornal alheio. Prazos. Horas de reclames trôpegas de anúncios a se derramarem sobre ele. Sim, ele contristezado e pronto, bem pronto, de querer ser feliz.

No centro do dia. Confluências de descuidos sós sobram ao trote dos cotovelos que brindam o inequívoco repetir. Repentes consequentes seguem a ordem ominosa da horda. Vejam, contudo, as pululantes vísceras frugais dos que se compartem sem-saberes. A hora é sempre hora da morte. Justa hora das justas de mercado. O que ainda funciona?

Funcionam gonzos gostos gordos de malmequeres bemquerentes carentes de luz.  E vivem não só nele. E despem-se da urdidura. E fundam o fim. Pois os vestígios presumíveis de todo o tolo tesouro, ainda cálido debruça-se sobre o horizonte. E tudo ficou ali, um pouco antes do mergulho. E agora? Somente adormecer.

Jaime Medeiros Jr (1964). Médico pediatra. Escritor portoalegrense. Publicou Na ante-sala (poemas, 2008) e Retrato de um tempo à meia-luz (crônicas, Modelo de Nuvem, 2012). Publica bissemanalmente no blog da Palavraria e no seu blog Simples Hermenáutica.

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20
jun
12

Vai rolar na Palavraria, nesta sexta, lançamento do livro Aprendendo a viver e ensinando a sonhar, de Cláudia de Villar

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22, sexta, 19h: Lançamento do livro Aprendendo a viver e ensinando a sonhar, de Cláudia de Villar (Editora Manas).

Aprendendo a viver e ensinando a sonhar aborda temas como a família, a culpa, o envelhecimento, as despedidas, a saudade, a morte e a vida.

Nascida em Porto Alegre/RS, Cláudia Oliveira de Villar é professora, escritora de literatura infanto-juvenil e contadora de histórias. É formada em Letras pela FAPA e pós-graduada em Pedagogia Gestora e Supervisão Escolar pela IERGS. Publicou os livros Bola, sacola e escola 2009, Zé Trelelé no GRE-NAL – 2010, Uma foca na copa, 2010 e Meu primeiro amor – -2011, todos pela Editora Manas.

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19
jun
12

Intervenções efêmeras de Clarissa Marchetti: Bonsai

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Bonsai, por Clarissa Marchetti

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No final ela morre e ele fica sozinho. Assim começa o primeiro romance do chileno Alejandro Zambra, uma obra que conta a história do amor de Júilo e Emília e  suas ramificações. Um livro que entrega o final na primeira linha, porque nele, assim como na vida, o importante é o meio, o durante, o recheio. No caso de Bonsai, um meio cheio de literatura, sintaxe, letras, leituras.

Mas Bonsai é mais que literatura, é uma experiência estética. Sua programação visual é  agradável, limpa, cheia de espaços de respiro. Um trecho do livro, destacado na contracapa da edição, é capaz de ilustrar a intenção de Zambra com este romance: “Um bonsai é uma réplica artística de uma arte em miniatura. Consta de dois elementos: a árvore viva e o recipiente. Os dois elementos têm de estar em harmonia e a seleção do vaso apropriado para uma árvore é, por si só, quase uma forma de arte. Uma espécie de paralelo entre jardinagem e o ato de escrever, genial.

Delicado e franco na medida. Denso o suficiente pra nos tocar fundo, breve o bastante pra nos deixar com vontade de refletir sobre suas páginas. Instigante demais  pra nos deixar impassíveis, este é um daqueles livros escritos pra provocar, despertar. Em mim? Súbita vontade de tornar a existência mais simples, aparar as arestas e aproveitar mais e mais o meio.

Sobre o livro:
Bonsai
Autor: Alejandro Zambra
Tradução: Josely Vianna Baptista
Editora: Cosac Naify
Páginas: 96

[Publicado no blog Conexões Efêmeras]

Clarissa Marchetti: publicitária especializada em Marketing (ESMP/2004) e Comunicação e Moda (PUC-RS/2006). Realiza projetos de marketing promocional e planejamento de comunicação para empresas. Foi eleita a profissional do ano (2010) na área de planejamento promocional pela ARP (Associação Riograndense de Propaganda). Leciona Gestão de Eventos na pós-graduação em Produção Cultural da Castelli – Escola Superior de Hotelaria de Canela.

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18
jun
12

Novo livro de Juarez Guedes Cruz à venda na Palavraria

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Já chegou à Palavraria o livro novo do Juarez Guedes Cruz: Antes que os espelhos se tornem opacos. Nesta semana, vamos fazer a pré-venda exclusiva, então venha conferir aqui com a gente em primeira mão.

Este não é um livro de histórias, mas de ideias. No lugar de sinopses, temáticas; acima de personagens, a reflexão sobre as pessoas. Juarez fala do ruir da vida, o olhar cansado diante da amada, os sons do desaparecimento do amor; a memória – e a própria literatura – como recursos para se defender da morte. Ao mesmo tempo, existe um último sopro, um ânimo, algo que ainda possa ser feito antes que os espelhos fracassem na sua única função de refletir.

Juarez Guedes Cruz nasceu e vive em Porto Alegre (RS). É médico, psiquiatra e psicanalista. Além da presença em antologias de contos ou de ensaios psicanalíticos, publicou dois livros de contos: A cronologia dos gestos (2003, vencedor do Prêmio Açorianos) e Alguns procedimentos para ocultar feridas (2007, finalista do Prêmio Açorianos). Também em 2007, foi o organizador da antologia de contos O paradoxo de Tchekov.


18
jun
12

A crônica de Emir Ross: Chaves

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Chaves, por Emir Ross

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Ao completar doze anos ganhei um maço de chaves e um molho de dinheiro. Ou seria o contrário?

As chaves eram do portão, da porta de ferro, da porta de casa e até uma da Porta da Esperança. Essa foi a primeira que perdi. O molho de dinheiro era para o lanche da escola, passagem de ônibus, refrigerante do domingo e guloseimas a escolher. Escolhi tantas que o molho acabou no segundo dia.

As chaves duraram mais. Creio que só perdi a última uns dois meses depois.

Ótimo motivo para nunca mais ganhar chaves até morar sozinho. Ou ganhar dinheiro até começar a trabalhar.

O trabalho, por sinal, é a chave da doença do século. Ele deprime até o mais aficionado trabalhador. Se não for pelas quinze horas de empenho diário é pela aposentadoria por invalidez. Quando esta acontece. Porque estamos num tempo tão cheio de alternativas que o deprimido já pode decidir entre cremação ou enterro tradicional.

A maioria opta pela primeira opção. É mais fashion, na moda e ecológico. Além do mais, o deprimido quer desaparecer, evaporar, virar cinza. Os que optam pelo enterro tradicional querem, na verdade, uma lápide com a foto do seu auge e um histórico da sua vida. Crêem que isto será a chave para a eternidade.

Mas a eternidade é só uma invenção feita por aqueles que temem ser esquecidos.

Eu, como nunca na vida lembrei-me das coisas, nunca cheguei no horário ou assinei documento válido, provavelmente esquecerei de que não serei lembrado após morrer. Todo caso, isso não tira meu sono nem tranca as possibilidades para o que pretendo realizar. Afinal, para quem nunca usou chaves na vida, uma porta fechada não chega a ser problema ou paradoxo. É só um motivo para pular a cerca.

Emir Ross é publicitário e escritor e mora em Porto Alegre. Tem participação em 9 antologias de contos e recebeu mais de 20 prêmios literários. Entre eles, o Felippe d’Oliveira em Santa Maria (3 vezes), o Escriba de Piracicaba (2 vezes), o Luiz Vilela de Minas Gerais (2 vezes), o José Cândido de Carvalho do Rio de Janeiro (2 vezes), o Prêmio Araçatuba, entre outros. Escreve no blog milkyway.

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Emir Ross publica quinzenalmente neste blog.

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17
jun
12

Programação de 18 a 23 de junho de 2012

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21, quinta, 19h: Lançamento do CD Rosa Pastel, poemas de Marília Saldanha (Editora Ideias a Granel)

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22, sexta, 19h: Lançamento do livro Aprendendo a viver e ensinando a sonhar, de Cláudia de Villar (Editora Manas).

Aprendendo a viver e ensinando a sonhar aborda temas como a família, a culpa, o envelhecimento, as despedidas, a saudade, a morte e a vida.

Nascida em Porto Alegre/RS, Cláudia Oliveira de Villar é professora, escritora de literatura infanto-juvenil e contadora de histórias. É formada em Letras pela FAPA e pós-graduada em Pedagogia Gestora e Supervisão Escolar pela IERGS. Publicou os livros Bola, sacola e escola 2009, Zé Trelelé no GRE-NAL – 2010, Uma foca na copa, 2010 e Meu primeiro amor – -2011, todos pela Editora Manas.

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23, sábado, 18h: Sarau poético Turma de Produção de textos poéticos-PUC, de Charles Kiefer

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