Arquivo para 19 de agosto de 2012

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Livros de Shermer já estão na Palavraria

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O escritor Michael Shermer, psicólogo e historiador da ciência norte-americano, estará em Porto Alegre para conferência no Fronteiras do Pensamento no próximo dia 27 de agosto. Três de suas obras mais recentes em português (veja as sinopses abaixo) já estão à venda na Palavraria.

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Ensine ciência a seu filho

Foi para os pais – cientistas ou não – que desejam manter viva a curiosidade dos filhos, que Michael Shermer escreveu Ensine ciência a seu filho.  A obra inclui uma introdução a assuntos de física, astronomia, química, biologia etc. Com termos simples, claros e corretos, explica conceitos básicos de tal forma que os pais podem facilmente entender e compartilhar com os pequenos – e nunca mais eles vão precisar responder “porque é assim”.

A obra é muito mais que um livro de conceitos científicos: ela ajuda a entender como se faz ciência e a usar o método científico no dia a dia. Com diversos exemplos e sugestões práticas, Shermer mostra maneiras de incentivar as crianças a buscar as respostas a tantas questões, iniciando-as no caminho do pensamento racional.

A abordagem, diz Shermer, deve ser de honestidade e de desafio constantes. Há dicas, por exemplo, de como lidar com dúvidas para as quais você não sabe a resposta e, mais importante, o que fazer quando você e seu filho não conseguem encontrar a resposta. O indicado em momentos como esses é dizer que a ciência se constrói exatamente de perguntas não respondidas (essas são sem dúvida boas perguntas) e que, quem sabe, um dia seu filho se torne um cientista para estudar aquele tema de forma mais profunda – e então finalmente achar uma resposta.

Para completar, o livro traz uma série de experiências que podem ser feitas em casa, com materiais comuns, uma forma divertida e educativa de se passar um tempo em família.

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Por que as pessoas acreditam em coisas estranhas

Poucos podem falar com mais autoridade pessoal das crenças humanas do que Michael Shermer. Ele conta que se tornou cético depois de uma odisseia de dez anos pelo mundo da saúde alternativa e das terapias para melhorar a aptidão física. Em seu livro, Shermer aborda sob uma ótica estritamente científica temas como a negação do Holocausto, o criacionismo, as experiências de quase morte e a paranormalidade. Segundo ele, nada supera o método científico, que envolve a obtenção de dados para formular e testar as explicações dos fenômenos naturais, desenvolvido inicialmente nos séculos XVI e XVII.

Para Shermer, as pessoas acreditam em coisas estranhas porque faz parte da natureza humana procurar padrões, conexões de eventos, mesmo onde na verdade não existe nada. Seu livro serve como uma bússola ajudando a navegar pelo “frequentemente confuso desfile de afirmações e crenças que nos são apresentadas como histórias e padrões que fazem sentido”. Mas, acima de tudo, o autor demonstra que o cético não é um cínico nem um niilista. “O ceticismo é uma abordagem provisória das afirmações, é a aplicação da razão a todas as ideias”, diz. “O ceticismo é um método, não uma posição. Os céticos não entram numa investigação fechados à possibilidade de que o fenômeno seja real ou a afirmação seja verdadeira. Quando dizemos que somos céticos, queremos dizer que precisamos ver evidências concretas antes de acreditar.”

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Cérebro e crença

Sintetizando trinta anos de pesquisas, o psicólogo e historiador da ciência Michael Shermer subverte o pensamento tradicional sobre como os humanos formam suas crenças referentes ao mundo. Em palavras simples, as crenças surgem primeiro e seus motivos vêm depois. O cérebro, afirma Shermer, é o motor da crença. Usando dados sensoriais que fluem a partir dos sentidos, o cérebro procura e encontra padrões, para depois infundir-lhes significado na forma de crenças. Concebidas as crenças, nosso cérebro subconscientemente busca evidências que as confirmem, acelerando o processo de reforço – e esse continua num feedback positivo. Em Cérebro e crença, Shermer oferece exemplos reais de como o processo ocorre, indo da política, economia e religião para teorias conspiratórias, crenças sobrenaturais e paranormais. Demonstra por que a ciência é o melhor instrumento já concebido para determinar se nossas crenças correspondem ou não à realidade.

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Michael Shermer Professor e escritor norte-americano, é mestre em Psicologia experimental e Ph.D. em História da Ciência. Articulista semanal da Scientific American, é também fundador da Sociedade dos Céticos, instituição que publica a revista Skeptic e que investiga questões que se apresentam como paranormais ou supernaturais e que promove conferências com os principais nomes da ciência atual. De um cristão fervoroso na juventude até a mudança da faculdade de Teologia para Psicologia e Biologia, a diversificada história de vida de Shermer foi decisiva para que ele abordasse os mesmos questionamentos sob outros ângulos. Atualmente, divulga suas ideias pelo mundo através de palestras e escreve livros que rapidamente se tornam best-sellers.

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Programação de 20 a 25 de agosto de 2012

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23, quinta, 19h: Lançamento do livro Primeiras mulheres, contos de Luís Carpim (Redes Editora).

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Embora o nome possa sugerir, Primeiras Mulheres não é um livro temático – no sentido estrito de tratar de variações sobre um mesmo tema. Este volume foi assim denominado por reunir sete textos em que as personagens femininas são, de alguma forma, excepcionais. Escritos em épocas diferentes, e sem perder de vista o aspecto ficcional, mostram mulheres que poderiam ser vilãs ou heroínas, dependendo apenas do ângulo escolhido por quem as observa. Evitando o viés formalista, mas não cedendo ao apelo do simples e fácil, Primeiras Mulheres brinca com as palavras e com as rimas, constituindo-se num desafio lúdico aos que leem.

Luís Carpim, de Porto Alegre, é professor e jornalista. Já publicou reportagens e ensaios em jornais e revistas, além de ter desenvolvido, como bolsista do CNPq e da Funarte/MEC, estudos sobre a crítica de arte nas revistas semanais de informação e sobre a ilustração na imprensa do Rio Grande do Sul. Premiado em salões literários no Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais e Pernambuco, participa com contos várias antologias.

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24, sexta, 19h: Lançamento do livro Vidamundo, poemas de Cícero Galeno Lopes. Comentários sobre a obra por Rafael Jardim e leitura de poemas por José Édil de Lima. (Editora Movimento).

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Vidamundo é uma obra sobre o tempo. Embora o senso comum acredite que o tempo passa, a verdade é que somos nós que passamos por ele. Lopes exemplifica vários aspectos de nossa passagem pelo tempo: a impotência diante do tempo cronológico e a posse do tempo psicológico, a oportunidade irrepetível, a exaltação da idade presente e a não aceitação de nossas perdas. Mais do que um ajuste de contas, é o eu-lírico partindo em busca de entrar em acordo com o tempo. (Rafael Peruzzo Jardim)

Cícero Galeno Lopes é Licenciado (UCPel), Especialista (UFSM), Mestre (PUCRS) e Doutor (UFRGS) em Letras. Como docente de ensino superior, dedica-se à literatura brasileira, de modo especial à sul-rio-grandense. Como editor, planejou, criou, editou e consolidou revistas acadêmico-científicas e uma série de cadernos universitários, entre 1996 e 2004. Publicou três livros de contos pela Editora Movimento, de Porto Alegre: Conto e ponto (1999), A curva da estrada (2000) e A viagem (2005).

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25, sábado, 18h: Pocket musical de Pré-lançamento do CD TocaSA.

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Afirmar que a TOCA S/A é uma banda de amigos seria incompleto. Mais do que uma coletividade musical, é um grupo de obstinados por arte, para quem a música tem uma só finalidade: sensibilizar pessoas. Despreocupada com rótulos, a TOCA S/A constrói sua própria estética. A peculiaridade das canções autorais forma um trabalho que tem pluralidade rítmica, sofisticação harmônica e, acima de tudo, é essencialmente popular. Seu 1º CD reúne um apanhado poético sobre o cotidiano, propondo um novo olhar sobre lugares, sentimentos e relações.

A banda é formada por Cissa Laval – voz, Lucas Sobreiro – Voz|violão|Guitarra, Mauro Guerra – Baixo, Dani Moraes – Bateria|percussão, Beto Porcher – violão|escaleta|teclados.

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A crônica de Gabriela Silva: Um pouco de paciência

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Um pouco de paciência, por Gabriela Silva

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Certa vez trabalhei numa pesquisa sobre Machado de Assis, era minha tarefa (um bocado prazerosa) ler as crônicas produzidas por ele. Num destes textos encontrei a seguinte frase: “a paciência é um biscoito dado pelos deuses.” Não contesto essa frase. Dizem os budistas que a paciência é cultivável. Não contesto também.

A palavra paciência vem do latim “patientĭa, ae” com o significado de “capacidade de suportar, constância; submissão, servilismo; faculdade de resistir, derivado do verbo patĭor, ĕris, passus sum, pati “sofrer” – informações essas retiradas do Houaiss.

Bem, a paciência é uma virtude. Inerente ou adquirida. Aliada à sabedoria, torna-nos seres melhores. O questionamento é: o que é ser melhor? Considero uma boa resposta: saber posicionar-se entre bem e o mal, entre as virtudes e as incapacidades, entre o não e o sim. Equilíbrio é um bom sentido para “ser melhor”. A caridade e a justiça nem sempre precisam estar conjugadas a um trabalho social. A caridade pode ser também a gentileza e a solidariedade. A justiça pede que prestemos atenção a tudo que nos cerca e então poderemos fazer uso dela.

É fato que a paciência nos exige o exercício cotidiano de aprender. Então você se pergunta: aprender o quê? E eu respondo: aprender a observar, a “sacar” o mundo e as pessoas.

Então eu me lembro de algumas das personagens criadas por Salinger que são tomadas pela mais sublime paciência, como Seymour, ou ainda Holden Caulfield. São personagens que observam o mundo, tranqüilas, e decidem a longo prazo o que vão fazer. Isso sempre me fascinou em Holden, protagonista de O apanhador no campo de centeio (do original The catcher in the rye). Chamado de “o livro que criou uma geração”, a narrativa é sobre um garoto que depois de rodar em quase todas as disciplinas na escola está voltando pra casa. E então é que entra a minha questão sobre paciência: Holden pensa sobre sua vida, sobre as coisas que quer e que não consegue fazer, sobre a sua relação com o mundo e com as coisas. Não um símbolo de rebeldia, mas de observação, de método, de paciência.

Lembro que conseguir esse livro foi para mim um exercício de paciência. Eu o queria há bastante tempo, um dia descobri que minha irmã o tinha na sua estante. Eu que não havia percebido. Mas não me bastava ler aquele ali, ele tinha de ser meu. E eu não podia apenas pegá-lo para mim, tinha que ser um negócio limpo. Achei na minha estante um livro que ela queria: O senhor embaixador de Erico Veríssimo. Foi um bom negócio. Depois do Apanhador, eu comprei todos os outros do Salinger. Nunca mais deixei de ler suas histórias, nunca mais consegui não pensar durante horas antes de resolver um assunto. A paciência é, sim, cultivável.

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Gabriela Silva tem literatura no seu dna. Desde a infância convive com homens e deuses e as histórias que lhe contam. É formada em Letras, estuda o mal e a morte na literatura e todas as teorias conspiratórias e literárias. É doutoranda em Teoria da Literatura na PUCRS, tendo como foco a construção da personagem. Entre outras atividades, coordena atualmente o grupo que organiza e apresenta mensalmente o Sarau das 6, programa de leituras e comentários literários, na Palavraria.

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