Arquivo para 3 de setembro de 2012

03
set
12

Aconteceu na Palavraria, neste sábado, 01/09: A ciranda das poetisas, no Sarau das 6

.

.

Aconteceu na Palavraria, neste sábado, 01,  Sarau das Seis – A ciranda das poetisas: Florbela Espanca, Sophia de Melo Andrensen, Hilda Hilst e Adélia Prado. Com Gabriela Silva, Jaqueline Bohn Donada, Lígia e Jeferson Tenório e a participação especial de Robertson Frizero. Fotos do evento.

.

.

.

.

.

 

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

.

Anúncios
03
set
12

A crônica de Gabriela Silva: A Dorothy que há em mim

.

.

A Dorothy que há em mim, por Gabriela Silva

.

.

Um dia, me lembro que era um verão muito quente e eu deveria ter uns seis anos, assisti O mágico de Oz, baseado na obra de L. Fran Baum. Eu que já assistia a filmes antigos e que gostava muito deles fiquei mesmo fascinada. O filme começava em preto e branco e depois ficava colorido, quando a protagonista, que era interpretada pela Judy Garland, entrava no mundo mágico.

A narrativa é sobre Dorothy Gale, uma menina que durante uma tempestade, é levada pelo tufão para um outro lugar, desconhecido, junto com seu cãozinho Totó. Nesse outro mundo ela conhece o Espantalho, o Homem-de-lata e o leão. Cada um busca realizar um desejo: o Espantalho deseja um cérebro, por que ele quer muito muito pensar;  o Leão quer coragem, afinal ele é o rei da selva, e é mesmo muito covarde; o Homem-de-lata quer um coração, muito sentimental, ele quer o que todos a sua volta têm: a capacidade de amar. Dorothy se junta aos três para encontrar um caminho de volta para casa. E a maneira dela voltar era ir até o Mágico de Oz.

Depois de todas as peripécias e obstáculos vencidos, ela mata a bruxa má (que toda boa história deve ter), seus amigos conseguem o que querem e ela ganha sapatos vermelhos que têm a capacidade de trazê-la de volta para casa. Basta que ela bata os dois calcanhares um no outro e diga três vezes: “não há lugar como o nosso lar”. E de volta está no seu quarto quentinho e com a tia Enm e o tio Henry, ela se dá conta que lá é o melhor lugar do mundo, onde ela se e sente segura e amada.

Por que eu contei esta história? Por um bom motivo: tornamos as coisas mais simples complicadas. Como a Dorothy, esquecemos que podemos tudo que quisermos. Mas as vezes temos um tanto de medo de ir à luta que esquecemos de colocar pilha nos sapatos vermelhos e por estarem apagados não os vemos no quarto, ali mesmo, do lado da estante.

E tudo para de novo: a dieta fica para a segunda-feira, a caminhada para domingo que vem, as decisões para daqui a pouco, pois não para agora, portanto podemos colocá-las no fundo da gaveta para depois. E assim nossa perspicácia vai por água abaixo, nosso desejo de ser feliz também e mais um dia se passa, mais um mês se passou no calendário e nada do que quisemos aconteceu. E culpamos o outro, o tempo, o passado da humanidade, os chineses que dominam o mercado e a Coca-Cola que vicia as pessoas com suas frases animadas.

E então a Dorothy que há em mim e em você grita: Que mágico que nada, criança! A Força está com você! (eu sei, isso é Star Wars, mas o que conta é o significado). E do nada, do nadinha aquela vontade de mudar, de quebrar a banca e mostrar quem é que manda surge! Dai fazemos aquelas coisas todas guardadas na gaveta.

E lá vamos nós, pelo caminho de tijolos amarelos, em busca de nossa autenticidade, do nosso verdadeiro e único lar e de todas as coisas que nos fazem feliz. E tudo deixa de ser assustadoramente complicado. Não é difícil virar a página daquele livro que estamos lendo há tanto tempo. Se o terminarmos, livros novos virão. Se conseguirmos chegar até o outro lado da ponte que nos amedronta, vai ser fácil bater os calcanhares vestidos de vermelho e voltarmos para casa. E é assim todos os dias, nos revelamos e renovamos: Leões. Homens-de-lata, Espantalhos, não só a Dorothy. Essa é a verdadeira magia de Oz.

.

Gabriela Silva tem literatura no seu dna. Desde a infância convive com homens e deuses e as histórias que lhe contam. É formada em Letras, estuda o mal e a morte na literatura e todas as teorias conspiratórias e literárias. É doutoranda em Teoria da Literatura na PUCRS, tendo como foco a construção da personagem. Entre outras atividades, coordena atualmente o grupo que organiza e apresenta mensalmente o Sarau das 6, programa de leituras e comentários literários, na Palavraria.

.

.

03
set
12

Vai rolar na Palavraria, nesta terça, 04/09: Lançamento do livro Contos de solidão e silêncios, de Guilherme Cassel

program sem

.

04, terça, 19h: Lançamento do livro Contos de solidão e silêncios, de Guilherme Cassel (Editora Bestiário).

“O que é preciso dizer, desde já, é que Guilherme Cassel inaugura-se na literatura com um livro “pronto”, para o qual não se deve ter a habitual condescendência para com os novatos.

Sob o crivo de qualquer crítico, os contos aqui reunidos apresentam a dupla condição, vitais à boa literatura: a maturidade estética unida à maturidade temática. Ademais, e isso não é pouco, estes contos têm voz própria, sem nenhuma visível e pesada influência, a não ser da boa tradição narrativa brasileira.” (Luiz Antonio de Assis Brasil)

 

Guilherme Cassel nasceu em Santa Maria, em 1956. Engenheiro civil, é funcionário público estadual, foi secretário geral do Governo do Estado do Rio Grande do Sul e Ministro de Estado do Desenvolvimento Agrário. Publicou na coletânea Contos de oficina 18, organizada por Luiz Antonio de Assis Brasil.

.

.

 




setembro 2012
S T Q Q S S D
« ago   out »
 12
3456789
10111213141516
17181920212223
24252627282930

Categorias

Blog Stats

  • 714.005 hits
Follow Palavraria – Livros & Cafés on WordPress.com
Anúncios

%d blogueiros gostam disto: