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Programação de 05 a 10 de novembro de 2012

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05, segunda, 19h: Clube de Leitura: Terra sonâmbula, de Mia Couto. Mediação de Carla Osório.

O Clube de leitura visa reunir, na primeira segunda-feira de cada mês, pessoas interessadas em ler e trocar idéias sobre obras da literatura clássica e contemporânea.

A primeira reunião, que será no dia 5 de novembro de 2012, terá como foco de discussão o livro Terra Sonâmbula, de Mia Couto (já disponível na Palavraria). A partir daí, em cada reunião os participantes escolherão as obras a serem discutidas nos próximos encontros e os respectivos mediadores, que serão sempre alternados.

Os participantes do Clube de Leitura terão um desconto de 10%, ao adquirirem na Palavraria os livros destinados à discussão.

Terra sonâmbula – sinopse:

Um ônibus incendiado em uma estrada poeirenta serve de abrigo ao velho Tuahir e ao menino Muidinga, em fuga da guerra civil devastadora que grassa por toda parte em Moçambique. Como se sabe, depois de dez anos de guerra anticolonial (1965-75), o país do sudeste africano viu-se às voltas com um longo e sangrento conflito interno que se estendeu de 1976 a 1992.

O veículo está cheio de corpos carbonizados. Mas há também um outro corpo à beira da estrada, junto a uma mala que abriga os “cadernos de Kindzu”, o longo diário do morto em questão. A partir daí, duas histórias são narradas paralelamente: a viagem de Tuahir e Muidinga, e, em flashback, o percurso de Kindzu em busca dos naparamas, guerreiros tradicionais, abençoados pelos feiticeiros, que são, aos olhos do garoto, a única esperança contra os senhores da guerra.

Terra Sonâmbula – considerado por júri especial da Feira do Livro de Zimbabwe um dos doze melhores livros africanos do século XX e agora reeditado no Brasil pela Companhia das Letras – é um romance em abismo, escrito numa prosa poética que remete a Guimarães Rosa. Couto se vale também de recursos do realismo mágico e da arte narrativa tradicional africana para compor esta bela fábula, que nos ensina que sonhar, mesmo nas condições mais adversas, é um elemento indispensável para se continuar vivendo.

Mia Couto nasceu na Beira, em Moçambique, em 1955. Jornalista, poeta, cronista, ficcionista, é considerado um dos principais escritores africanos da atualidade. Em muitas das suas obras, tenta recriar a língua portuguesa com uma influência moçambicana, utilizando o léxico de várias regiões do país e produzindo um novo modelo de narrativa africana. Em 1999, o autor recebeu o prêmio Vergílio Ferreira pelo conjunto de sua obra e, em 2007, o prêmio União Latina de Literaturas Românicas.

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Carla Osório é sócia proprietária da Palavraria.

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06, terça, 19h30: Lançamento do livro Aqui jasmim, de Caroline Millman (Editora Modelo de Nuvem)

O que diz Fabrício Carpinejar sobre o livro:

Caroline Milman é contida, guardada, recatada.

Não se espera dela nada, a não ser bons modos.

Nem leia o livro se quer manter essa imagem dela.

Porque seus olhos claros escondem tormentas. Suas pétalas, como lâminas, atraem insetos indefesos.

Aqui Jasmim cheira a pecado. Cheira a volúpia. Cheira a voragem de flor.

É perfume no pulso da página. No pescoço do poema.
Versos sestrosos, livres, corajosos. Caroline recorda de sua infância com a habilidade hipnótica. Fala aquilo que muitos temem, transborda de ofensas e verdades.

Dificilmente uma estreia é tão pungente, delicada e verdadeira. É uma estreia cheia de pequenas mortes e remorsos.

Ela nos devolve o inconsciente.

Quem nunca foi forçado a dormir de tarde pelos pais?

“Horas demais em silêncio.

Tanto assim que eu mesma piei

chamando os pássaros.

De longe talvez

o carro que dobrou uma esquina antes.

Inerte na cama que ocupava o centro.

Eu pregada na cruz da tarde quente

fingindo que dormia.

E duas horas depois

fingindo que acordava

contente.”

Assim, a cada página, somos acordados repentinamente da dormência dos hábitos, da infância que a gente julgava resolvida e acabada.

Há uma sequência de quadros familiares impecáveis, regressando ao quarto-sala-cozinha-corredor da criação dos anos 70. Crianças desafiam as convenções e pressentem a maturidade desde cedo.

É admirável a composição das cenas. Com um Amarcord gaúcho, a memória vai se fazendo em espiral, cíclica.

Meninas descem a rua aos dez anos, com a alça da camisa caindo, e logo se transformam em noivas casando, em mães gerando outras meninas descendo a lomba.

O único apoio para a leitura é o suspiro. A escada do suspiro.

“No terraço, o pai explica o trovão.

A mãe busca picolés antes da chuva.

Eu me encosto no suspiro de meu irmão”

Não é livro para rir ou chorar, é livro para respirar fundo em busca de ar.

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07, quarta, 19h: Lançamento do livro Polêmica velada: uma leitura de Memórias póstumas de Brás Cubas como resposta ao Primo Basílio, de Gisélle Razera.

Polêmica velada é o resultado de uma dissertação de mestrado desenvolvida na UFRGS que teve como centro a análise comparativa entre dois ilustres romances: “Memórias póstumas de Brás Cubas” de Machado de Assis e “O primo Basílio”, de Eça de Queirós. Baseando-se na crítica feita por Machado de Assis ao romance de adultério queirosiano, a autora investigou a polêmica que a publicação de “O primo Basílio” protagonizou no Brasil, sobretudo na imprensa carioca. Além disso, foram analisados os desdobramentos dessa polêmica, inclusive na reformulação do estilo literário machadiano. Com ineditismo, o trabalho desdobra e demonstra a tese de que “Memórias póstumas de Brás Cubas” pode ser lido como uma resposta ao “Primo Basílio” e às doutrinas literárias difundidas pelo Naturalismo de Emile Zola.

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08, quinta, 19h: FestiPoa revisitada e sampleada – Duas vozes: Ivo Bender e João Gilberto Noll – leituras sublinhadas e comentadas, por  Celso Gutfreind, Camila Ali, Clarice Müller e Luna Vitrolira. Com a presença dos autores.

FestiPoa Literária revisitada e sampleada realiza na Palavraria o evento “Duas vozes – leituras sublinhadas e comentadas”. No encontro, atrizes farão leitura dramatizada de contos de Ivo Bender e João Gilberto Noll, escritores homenageados da FestiPoa Literária, em 2012 e 2011, respectivamente. Além da leitura, a atividade contará com a participação do escritor Celso Gutfreind que comentará os contos lidos e lerá duas crônicas inspiradas nos contos dos autores. A poeta e declamadora pernambucana Luna Vitrolira fará participação especial na atividade.

Ivo Bender, natural de São Leopoldo (RS), é autor de Queridíssimo canalha (1971), Quem roubou meu Anabela? (1972) e a Trilogia perversa (1988). Dramaturgo, professor aposentado do curso de Artes Dramáticas da UFRGS e é mestre e doutor em Teoria da Literatura pela PUCRS. Agraciado em 2002 com o Prêmio Açorianos de Literatura na categoria literatura dramática pela peça Mulheres Mix, este volume marca a estreia de um dos maiores dramaturgos brasileiros contemporâneos na escrita de relatos breves. Ivo já traduziu obras de Jean Racine, Emily Dickinson e Harold Pinter e encenou O Macaco e velha.

João Gilberto Noll nasceu em Porto Alegre, em 1946. Publicou treze livros. Recebeu inúmeros prêmios, incluindo o Prêmio Jabuti em cinco ocasiões, em 1981, 1994, 1997, 2004 e 2005. Seu romance HARMADA está incluído na lista dos 100 livros essenciais brasileiros em qualquer gênero e em todas as épocas da Revista Bravo.

FestiPoa Literária revisitada e sampleada é a retomada de parte da programação do evento, com a presença de alguns dos artistas que participaram de sua 5ª edição em abril deste ano, e a oportunidade que o público leitor está tendo de acompanhar a festa literária ao longo de todo o segundo semestre. Temas, reflexões, debates e livros, que estiveram na pauta da última edição, recebem novas abordagens dos convidados, e os escritores revisitam assuntos e textos seus e de outros autores, contemporâneos ou clássicos. A organização da FestiPoa, que prepara a 6ª edição do evento para maio de 2013, pretende manter à tona e aquecidos debates sobre a produção literária atual, destacar livros lançados pós-abril e experimentar situações e atividades que poderão fazer parte do evento em 2013.

Entrada franca

Conheça a FestiPoa Literária: www.festipoaliteraria.com

E acompanhe as novidades no blog http://festipoaliteraria.blogspot.com/

nofacebook/festipoa e no twitter

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Cabaré do Verbo: http://cabaredoverbo.blogspot.com

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09, sexta, 18h: Onde vivem os monstros, lançamento do livro, palestra e debate com Viviane de Freitas Souza e Rafael Ban Jacobsen. No Compartilhando Leituras, promoção do CEPdePA.

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10, sábado, 16h: Lançamento do livro Um útero é do tamanho de um punho, poemas de Angélica Freitas. Leituras com a autora, Marcelo Noah e Vitor Ramil. (Cossac Naify)

Em seu segundo livro, a gaúcha Angélica Freitas reúne 35 poemas marcados por uma visão crítica extremamente original, animada por um humor que deixa o leitor em suspenso entre a seriedade e o riso. Os versos precisos revelam o domínio da poeta sobre a linguagem. Um útero é do tamanho de um punho tem a mulher como centro temático: procurando definir que figura feminina é essa que nossa cultura trata de desenhar e que se desconstrói incessantemente, a autora questiona de um lado o mundo, de outro a própria identidade. Angélica Freitas estabelece uma relação sutil entre os poemas, de modo que sua voz se torna mais contundente ao longo da leitura. Depois de Rilke shake (2007), a poeta mostra amadurecimento e se destaca como uma das vozes mais vigorosas da poesia brasileira contemporânea.

Angélica Freitas nasceu em 8 de abril de 1973, em Pelotas, Rio Grande do Sul. Estudou jornalismo em Porto Alegre, na UFRGS. Trabalhou como repórter no O Estado de S. Paulo e na revista Informática Hoje, em São Paulo. Atualmente dedica-se à tradução de poesia e ao segundo livro, com pequenos poemas de viagem pela Bolívia. Publicou em diversas revistas como Inimigo Rumor, Diário de Poesía (Argentina) e aguasfurtadas (Portugal). Integra a coletânea Cuatro poetas recientes de Brasil (Buenos Aires, 2006). Rilke shake é seu primeiro livro (coleção Ás de Colete) e está na lista dos 51 títulos que foram aprovados pela comissão do Prêmio Portugal Telecom 2008. Por anos manteve o blog tome uma xícara de chá.

Poeta pós-contemporâneo, Marcelo Noah foi acusado de envolvimento no “I Congresso de Poesia Totalitária – Algonauta Navepoesia Galacto-canibal”, bem como da difusão do programa de rádio “Clara Crocodilo Show!”. Lançou em 2006 o CD “Trinta em Transe”, apanhado da poesia no sul do Brasil e organizou o primeiro Slam de Poesia do país. No cinema, dirigiu o curta-metragem “Mel do Zé”, que cobre uma noite de prazeres de Zé Celso Martinez em Porto Alegre. Produz e apresenta o programa TEOREMA na rádio Ipanema 94.9 FM/POA.

 

Vitor Ramil, compositor, instrumentista, cantor e escritor gaúcho de Pelotas, é autor de dez discos, duas novelas e um ensaio. Gravou seu primeiro disco, Estrela, Estrela (1981) aos 18 anos. De lá pra cá lançou A Paixão de V Segundo Ele Próprio (1984), Tango (1987), À Beça (1995), Ramilonga – A Estética do Frio (1997), Tambong (2000), Longes (2004), Satolep Sambatown (com Marcos Suzano; 2007), Delibáb (2010) e Foi no mês que vem (2012). Publicou as novelas Pequod (L&PM, 1999) e Satolep (Cossac Naify, 2008), edições atualmente esgotadas e o ensaio A estética do frio (Ed. do autor, 2004).

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10, sábado, 19h: Sarau das 6 – A morte pede a palavra, com Gabriela Silva, Diego Petrarca e Pedro Matias.

A edição do mês de novembro do Sarau das Seis é sobre a morte. Cantares, baladas, poemas, textos narrativos e aforismos sobre a indesejada das gentes. A escolha do tema está ligada ao mês de novembro em que comemoramos o Dia dos Mortos. Diversos autores e de diversas nacionalidades serão lidos. Desde os tempos mais primitivos o homem celebra seus mortos através de festas, de feriados ou do simples silêncio do luto. Traga seu texto, poema ou canção predileto sobre o tema. Esta edição conta com a presença do poeta Diego Petrarca e Pedro Matias como nossos convidados super especiais.

Gabriela Silva tem literatura no seu dna. Desde a infância convive com homens e deuses e as histórias que lhe contam. É formada em Letras, estuda o mal e a morte na literatura e todas as teorias conspiratórias e literárias. É doutoranda em Teoria da Literatura na PUCRS, tendo como foco a construção da personagem. Entre outras atividades, coordena atualmente (2011-2012) o grupo que organiza e apresenta mensalmente o Sarau das 6, programa de leituras e comentários literários, na Palavraria e publica semanalmente na coluna Crônicas da Palavraria, no blog da Palavraria. É colaboradora da coluna Crônicas da Palavraria, publicada no blog da Palavraria.

Diego Petrarca nasceu em Porto Alegre em 20 de março de 1980. Mestre em Teoria Literária – Escrita Criativa. Publicou três livros independentes: Nova Música Nossa (crônicas) 1998, Mesmo (poesia) 2003, Via Cinemascope (poesia) 2004, e uma edição-xeróx, Banda (poesia) 2002. Premiado em concursos literários. Integrou mais de 11 antologias por editora convencional. Publicou textos e poemas em jornais e revistas. Trabalha em projetos literários: leitura em público, produção de eventos e jornalismo literário. É professor de literatura e ministra oficinas literárias em órgãos de cultura em Porto Alegre.

Pedro Matias é licenciado em Letras pela FAPA, especializando em Literatura Brasileira na UFRGS e professor de português e literatura.

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