Arquivo para 12 de dezembro de 2012

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Aconteceu na Palavraria, nesta terça, 11/12, sarau final – Poesia Brasileira, curso de Letras da UFRGS

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Aconteceu na Palavraria, nesta terça, 11/12, sarau final disciplina Poesia Brasileira do Curso de Letras da UFRGS, coordenação do professor Paulo Sebben. Fotos do evento.

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A prosa ligeira de Jaime Medeiros Júnior: Breves considerações sobre uma leitura de Se um viajante numa noite de inverno de Ítalo Calvino

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Breves considerações sobre uma leitura

de Se um viajante numa noite de inverno de Ítalo Calvino

 

Por que escolhi ler este livro? Primeiramente porque Ítalo Calvino habitava o rol daqueles autores que são por mim mui admirados, e, contudo, pouco lidos. Explicando-me melhor, havia lido alguns ensaios de Por que ler os clássicos, algumas Cosmicômicas, e algum que outro dos seus contos. Guardei bons sentimentos. Depois, amigos, que tenho na conta de bons leitores, sempre faziam arrebatados elogios ao autor, e muitos especificamente a Se um viajante numa noite de inverno. Além disso, quando arguidos sobre o tema do livro, todos estes referidos amigos, calavam-se mantendo-se dentro dos limites de um sorriso sensível. Outro motivo, do qual me dou conta só agora no momento em que me ponho a escrever estas considerações, este foi um dos últimos livros que minha mãe leu com real contentamento.

Podemos agora começar a jornada de Se um viajante. E aqui a palavra jornada parece nos remeter direto ao clima mítico heroico em que se inscreve o livro. Talvez este tenha sido o motivo, de que mesmo sem planejar, vez ou outra me pegasse a lê-lo em voz alta. E, ao mesmo tempo, temos também um livro feito em matriz moderna, que não se esquiva de se utilizar de aparatos metalinguísticos para a construção do romance. Haveremos de descobrir por aqui, pois que a tudo permeia, uma verve irônica que não nos desmonta, mas que, de certo modo, até mesmo nos ergue, redime.

Mas se temos aqui a jornada de um herói, precisamos saber quem são os nossos protagonistas. O autor nos brinda com o casal Leitor e Leitora. E a narrativa se conduzirá na forma de uma fingida conversa entre o autor e o Leitor, fingida por que ouve-se só a voz do autor nesta conversa. Aqui estamos na bruma dos inícios e o autor escolhe um tom cinzento, incapaz de dar rosto ao nosso herói, e que nos leva, mesmo que sem sentir, a emprestar algo nossos próprios olhos, ouvidos, nariz e duas ou três lascas de nosso coração a este herói que passamos curiosamente a seguir.

Se a jornada de um herói se começa nas incertezas de um primeiro gesto, ela tem um percurso, e se destina à realização [a um fazer] da obra. Qual há de ser a obra de um leitor, senão ler? Mas todo herói há de travar algum embate para consecução de sua obra. Portanto nosso herói também terá de conhecer inimigos e que, neste caso, habitam o mais comezinho de nosso mundo.

Aqui haveremos de nos defrontar com todas as provas, peripécias, a que se sujeita passar um herói. O que nos conduz ao mundo mítico da repetição. Que nos obriga a entender que toda obra se faz de ritmo, marcação e tempo. Repetição que tem a ver com a experiência de estar condenado, de se viver uma sina. Há de se realizar os doze trabalhos. Mas o que será que está a se repetir por aqui? Já que as histórias porque passa o Leitor são sempre novas. O que aqui se repete é um mesmo mecanismo, que nos aprisiona neste movimento pendular entre a expectativa e a frustração, entre o prazer e a dor, entre a vida e a morte. Toda história em que se embrenha o leitor-herói se interrompe abruptamente, frustrando sempre e novamente suas expectativas. Este é o aspecto mítico da repetição.

De outro lado [e só agora, após o encontro do grupo de leitura, quando me ponho a escrever, é que me dou conta disso], poderíamos opor esta repetição que aprisiona àquela repetição que ensina, que nos redime, que nos liberta – Aqui é bom lembrar a pergunta que Calvino faz no apêndice de Se um viajante: Será mesmo que estas histórias não acabaram? Será que já não alcançaram seu fim? Elas não poderiam ser coligidas num volume de contos e serem aceitas em seu próprio metro? O que, talvez, nos levasse a concluir que o que nos frustra não é a história em si, mas a nossa expectativa de que não acabasse ali, mas sim um pouco mais adiante – Será esta a repetição que ainda nos levará a tentar saltar por sobre o abismo em direção ao outro, instaurando-se uma nova ordem, onde não há mais vítima para o sacrifício. Esta é a repetição de quem imita conscientemente seu mestre. Aqui o herói se entrega conscientemente a morte e dela há de tornar inda mais consciente [como todo herói que se preze, que sempre há de visitar o mundo inferior e dele tornar, veja-se os casos de Héracles, Odysseus, Orpheu, Teseu e Psiquê]. Aqui o herói se abandona ao fluxo da vida. E é, somente, esta experiência que há de nos conduzir a uma outra visão das coisas do mundo, pois se antes víamos apenas os pedaços, as partes, agora alcançamos ver o todo, inteiro. Por fim, tudo ganha outro sentido. E o Leitor, então, já pode pôr fim a jornada de Se um viajante numa noite de inverno de Ítalo Calvino repousando o livro sobre o criado-mudo.

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jaime medeiros júniorJaime Medeiros Jr (1964). Médico pediatra. Escritor portoalegrense. Publicou Na ante-sala (poemas, 2008) e Retrato de um tempo à meia-luz (crônicas, Modelo de Nuvem, 2012). Publica bissemanalmente no blog da Palavraria e no seu blog Simples Hermenáutica.

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Vai rolar na Palavraria, nesta sexta, 14/12, lançamento de livros da Dulcinéia Catadora

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14, sexta, 19h: Lançamento de livros da Dulcineia Catadora: Hai-cábulos, de Andréia Laimer e Diego Petrarca; Livro varal, de Élida Tessler e Palavrarias, de Luiza Silva.

dulcinéia catadora

Dulcineia Catadora é um coletivo artístico de São Paulo, fundado em 2007, que publica obras em prosa e poesia de autores latino-americanos em edições artesanais. O projeto brasileiro é coordenado pela artista plástica Lúcia Rosa, que trabalha com catadores de papel da capital paulista. É derivado do coletivo argentino Eloísa Cartonera, criado em março do 2003 pelo artista plástico Javier Barilaro e o escritor Washington Cucurto, em Buenos Aires, iniciando suas atividades após a crise econômica que atingiu o país no final do século XX.

Os livros são elaborados artesanalmente pelos membros do grupo, em sua maioria catadoras de papelão. Pintadas e costuradas individualmente, as publicações são o eixo central do processo de criação, bem como das possibilidades de sustentabilidade, pois o coletivo está baseado em uma estratégia de geração de renda que consiste em vender os livros e repassar para as catadoras o valor de R$ 5,00 pela produção de cada exemplar.

A editora brasileira já publicou autores como Haroldo de Campos, Jorge Mautner, Douglas Diegues,[1] Marçal Aquino, João Filho, Marcelo Ariel, Alice Ruiz, Ademir Demarchi, Carlos Pessoa Rosa, Flávio Amoreira, Ricardo Domeneck, Joca Reiners Terron e Frederico Barbosa, André Carneiro, entre outros.

andréia laimer 01Andréia Laimer (Porto Alegre/RS, 1980). Escritora, formada em publicidade pela PUC-RS. Já foi vocalista e compositora de banda de rock. Cursa Letras pela UFRGS. Foi ncluída na antologia Poemas no ônibus, em 2003. Premiada no Concurso Histórias de Trabalho, em 2008 e 2009, integrou as duas antologias. Publicou no jornal Folha da Tarde, de São Paulo, cidade onde fez algumas incursões. Suas predileções literárias vão de Eduardo Galeano a Manoel de Barros, passando, com muitas escalas, por Coleridge e Ana C. Traça uma aproximação artística entre a culinária e literatura.

diego_petrarcaDiego Petrarca nasceu em Porto Alegre em 20 de março de 1980. Mestre em Teoria Literária – Escrita Criativa. Publicou três livros independentes: Nova Música Nossa (crônicas) 1998, Mesmo (poesia) 2003, Via Cinemascope (poesia) 2004, e uma edição-xeróx, Banda (poesia) 2002. Premiado em concursos literários. Integrou mais de 11 antologias por editora convencional. Publicou textos e poemas em jornais e revistas. Trabalha em projetos literários: leitura em público, produção de eventos e jornalismo literário. É professor de literatura e ministra oficinas literárias em órgãos de cultura em Porto Alegre.

élidaElida Tessler é artista plástica e professora do Departamento de Artes Visuais e do Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais do Instituto de Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS. Realizou doutorado em História da Arte Contemporânea na Université de Paris I – Panthéon-Sorbonne (França), onde residiu de 1988 a 1993. Entre 2009 e 2010, realizou o Pós-Doutorado na  EHESS-Ecole des Hautes Etudes en Sciences Sociales e junto ao Centro de Filosofia da Arte – UFR de Philosophie – Université de Paris I- Panthéon – Sorbonne. É pesquisadora do CNPq, desenvolvendo pesquisa em torno das questões que envolvem arte e literatura, relacionando a palavra escrita à imagem visual. Foi fundadora em 1993 e coordenou até 2009, junto com Jailton Moreira, o TORREÃO, espaço de produção e pesquisa em arte contemporânea, em Porto Alegre. Mantém um grupo de pesquisa chamado .p.a.r.t.e.s.c.r.i.t.a., onde articula produção e reflexão crítica a partir de textos de artistas e da presença da palavra em produções contemporâneas de arte.

luiza silvaLuiza Silva, nascida em 15 de outubro, sempre lendo escrevendo muitas palavras, desde Porto Alegre, no RS. Participou de algumas antologias de contos.

 

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A crônica de Guto Piccinini: Duas quadras, um neurótico

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Duas quadras, um neurótico, por Guto Piccinini

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Sair de casa é sempre um alívio. Será que esqueci de algo? Celular, dinheiro, chaves. Calor do inferno, acho que vou de tênis mesmo assim. Um alívio. Sensação de livrar amarras, destorcer as ataduras, se perder no desconhecido. Será que vou de tênis mesmo? Podia levar um livro, acho que demora um pouco na fila. Saco. Esta merda de fechadura deu para emperrar. Preciso mandar arrumar. Faz quanto tempo isso? Tempo perdido, isso sim. Mania de deixar as coisas pra depois. “Amanhã, quem sabe depois de amanhã…”. Será que sempre foi assim? Lembro que eu perdia bastante minha carteira. Tinha sempre a impressão de que era roubada, mas um dia ou dois estava lá ela pra troçar da minha paranoia inocente. Que ela foi fazer embaixo da cama? Porque eu já não a procurava lá antes? “Olá senhora”. Que espécie de “oi” foi esse? Preciso voltar a ser simpático. Com a idade ficamos mais rabugentos. Em breve descobrem que isto esta inscrito em nossa cadeia genética. Aposto que ela tá olhando minha bunda. Velha safada. Preciso voltar a malhar. Aposto que ela se decepcionou com o que viu. Meu deus, até uma caminhadinha destas me cansa. Espero ser assim quando for mais velho. Digo, safado. Não… aposto que não. Vou piar baixinho. Não sirvo para essas coisas. Melhor ficar em meu canto com minhas coisas. E olha que são bastante coisas! Pessimismo do caralho. As coisas não andam tão ruim assim. Tu é um dramático, isto sim. Como é aquela frase com o copo d’água? São duas, não lembro qual delas se encaixa. Deveria ter vindo de chinelo. Este tênis sim que não se encaixa. Mas quando chove não adianta, é uma sujeira só espalhada pelas ruas. Como era o nome daquele livro que chove um tempão? Nem importa. O bom é que eu consegui ler. Alaga tudo, como essa cidade de merda. Acho que eu li quando chovia também. Sim! Bela cena. Encaixe perfeito. Acho que não mudei nada dos meus três anos, querendo ver o mesmo filme over and over. Ou seriam quatro? Acho que tô precisando transar. Mais alguns meses e eu enlouqueço. Alguém já deve ter feito esta relação. Sexo e loucura. Porra, estes carros só se preocupam com o próprio cú! Não passa de hoje. Sair, tomar um trago. Preciso transar, sair de casa. Se isso resolvesse, o mundo seria um paraíso. Longe disso. Esse calor tá foda. Será que é esse calor que me deixa assim? Tomara que sobre troco. “Pão, leite, manteiga e dois maços de cigarro”.

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Guto Piccinini, psicólogo, mestre em psicologia social e frequentador da Palavraria. Atualmente experimentando palavras.

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