Arquivo para 16 de abril de 2013

16
abr
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Cartas da Venezuela [01], por Lucas Reis Gonçalves

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Carlita,

Hoje eu não trabalhei.

Passei o pouco tempo que me sobrava da semana passada tentando sacar qual era a desse país (tão aparentemente vermelho) em épocas de eleição. E te digo de antemão: não saquei. Os jornais daqui ilustravam as “atitudes” de campanha dos candidatos com a tinta da tensão venezuelana. Os daí mal liam os daqui e já espalhavam as boas e velhas notícias que toda direita ou toda esquerda gosta de ouvir. Tanto faz. Aqui ou aí, a gente sabe, tem gente de todo lado. E lado é o que não falta aqui. Os únicos dois que polarizam tudo que é vivo e morto nessas ruas de muita (e muita) poeira são suficientemente grandes e acolhedores. Repito: é lado pra mais de metro.

Quando cheguei, há quase dois meses, me diziam:

– De que lado tu tá?

– Não tenho lado nenhum. Sou brasileiro. Tô só observando! – eu falava, inocente.

– Como assim? Na Venezuela, a gente tem que ter lado. – todos respondiam (claro, os que respondiam).

Capriles-y-Maduro-2013

Adivinha… Lógico! Tomei um lado. Ou melhor: um lado me tomou. É assim. A relação entre mim e tal lado – como é a do venezuelano e o seu – é passional, quase carnal. E dessa maneira (e de outras ainda mais passionais) é que acontece a campanha, a conquista do voto, a paquera eleitoral. E que paquera! Deu três dias antes da eleição e eu já gritava o nome do candidato da oposição, cruzava os dedos durante os discursos televisivos e dizia, com orgulho, que era um brasileiro venezuelano.

Ontem, no nervoso e dividido domingo de votação, o venezuelano era um brasileiro em final de novela: vibrava com qualquer fofoca, gritava forte e ofensivo pelas janelas, batia frigideira e panela pela demora dos resultados – e só isso já era um resultado. E faziam festa também! Carros e casas não dispensavam a manifestação do voto através das músicas e gritos de apoio ao candidato que defendem (quase como a própria vida). E assim se seguiu antes, durante e depois dos resultados.

Passado o pequeno susto (de incredulidade, para alguns; de alívio, para outros), a farra toda mudou de foco, mas – querendo ou não – ainda era farra.

Hoje, como te disse, eu não trabalhei. Nem tinha como, convenhamos. O povo venezuelano, e agora eu, é como um chiclete de carne – e ontem a gente cansou de ser mascado.

Espero, sinceramente, que amanhã eu possa trabalhar. Ou não.

Um abraço gordo e bem apertado do outro LADO da nossa américa.

Lucas

 

lucas reisLucas Reis Gonçalves é poeta e articulador cultural. Novamburguense frequentador da capital gaúcha, formou-se em eletrônica e com ela trabalhou por mais de um ano – até descobrir, por inteiro, a literatura. Depois de três anos esboçando versos, publicou seu primeiro livro, Se soubesse o que dizer, diria em prosa (Paco Editorial, 2011), finalista do prêmio da AGES e, através dele, criou, juntamente com o músico Dado Vargas, um novo projeto de declamação poética: Eletropoeteria.

 

 

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Vai rolar na Palavraria, nesta sexta, 19, o lançamento do livro livro Ranking dos maiores campeões de futebol do Brasil, de Flávio Scholant

program sem

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19, sexta, 19h: Lançamento do livro Ranking dos maiores campeões de futebol do Brasil, de Flávio Scholant (Editora Alcance)

ranking dos maioresVocê sabe quem é o maior vencedor entre todos os clubes brasileiros de futebol? E seu time do coração, em que posição estará entre os campeões? Quem está melhor posicionado? Grêmio ou Internacional? Palmeiras ou Corinthians? Flamengo ou Fluminense? Pois o engenheiro Flávio Scholant responde estas e outras questões em seu livro Ranking dos Maiores Campeões de Futebol do Brasil, que em breve será lançado pela Editora Alcance.

Um vasto trabalho de pesquisa foi feito para buscar todos os títulos oficiais registrados nas federações estaduais, CBF, Conmebol e FIFA, ao longo dos 110 anos de histórias de campeonatos dos clubes brasileiros, desde o primeiro Paulista, em 1902, vencido pelo São Paulo Athletic, até os atuais títulos de 2012.

Os critérios de elaboração do ranking foram criados antes de qualquer análise da pontuação dos clubes ou estados de maneira que o resultado fosse o mais justo possível e com a total isenção necessária.

A obra lista mais de 370 clubes de todos os recantos do Brasil em ordem de conquistas. Somando pontos através de competições oficiais desde os regionais passando pelo Brasileiro, Libertadores, Mundial.

O livro ainda traz um grande apanhado histórico com todos os vencedores de todos os campeonatos estaduais do Brasil desde seus inícios, além dos ganhadores da Libertadores, campeonato Brasileiro, Robertão, e outros torneios de relevância.

Uma obra de referência para todos os amantes do futebol.

flávio scholantFlávio Scholant nasceu em Bagé, no Rio Grande do Sul, e reside atualmente em Tramandaí, no mesmo Estado. Formou-se em Engenharia Civil, em 1986, pela UFRGS e Engenharia de Petróleo, em 2004, através do curso de formação da Universidade da Petrobras, onde trabalha até hoje. Faz sua estreia no mundo literário apresentando este trabalho de pesquisa e criação no qual desenvolve uma metodologia para definir um ranking histórico para o futebol brasileiro.

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