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A crônica de Claudia Coelho: Clitóris: procura-se!

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Clitóris: procura-se!, por Claudia Coelho

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No Brasil mais de 200 mil pessoas desaparecem anualmente, os especialistas dizem que a prevenção é primordial, mas e quando a prevenção está ao alcance de nossos olhos e mãos? Quando o que desaparece não é o todo, mas a parte? O que dizer da parte feminina que se perde ou é esquecida? O que dizer de todos os clitóris desa­parecidos cotidianamente?

Como assim Cláudia? Que maluquice é essa?

É sério! Tem muita gente por aí que procura uma vida inteira por um e não acha. Sem falar daqueles que nunca se deram conta da existência dele.

E o que dizer, então, daqueles que encontram alguns clitóris per­didos por aí, e não sabem nem ao menos o que vão fazer com eles? Acho até que tem gente que prefere nem encontrar!!! Pois é, a coisa tá feia. Aliás, continua feia.

Falar em clitóris era tabu na época da minha avó e continua sen­do um problema nos dias atuais. Então, vou tentar dar uma ajudinha nessa investigação e, caso você já tenha encontrado o seu ou o da sua parceira, atente para algumas dicas.

Primeiro vamos falar da mulherada, que parece, atualmente, muito bem resolvida. Entretanto, quando você pergunta, na minúcia de seus orgasmos, o que fizeram com seu clitóris, imediatamente um ponto de interrogação surge no baixo-ventre. E, pasmem, é maior do que se imagina o número de mulheres que não tem intimidade com o próprio corpo! Obviamente, acabam por não saber orientar o seu parceiro na hora H. Pior do que isso? Elas ainda reclamam como se essa culpa fosse totalmente deles!

Para começo de conversa, o homem está anos-luz à frente das mulheres no quesito masturbação. Isso sem falar na superestimula­ção que sofrem a partir de imagens cotidianas de corpos femininos. Por exemplo, revista de homem nu, na sua maioria, não é direcionada ao público feminino, mas aos homossexuais do sexo masculino. Nada de mau nisso, mas a verdade é que esse público gay é homem. Por­tanto as revistinhas continuam sendo para os homens. No final, isso acaba gerando alguns constrangimentos, pois ainda se estranha uma mulher comprando esse tipo de revista.

Não sei se adiantou tanto sutiã queimado em praça pública. Fato é que a mulher não tem o hábito de ser estimulada com imagens masculinas. Ao contrário dos homens, pois não é de se admirar que passem o dia inteiro pensando em sexo.

Quero dizer, com tudo isso, que a mulher se estimula pouco e é pouco estimulada pela própria sociedade machista, que continua condenando alguns comportamentos dela.

Bom, mas vamos ao assunto que interessa: a masturbação femi­nina por si só. Primeiro, é importante fazer um parêntese: encontrar o clitóris é tarefa mais fácil para as mulheres, ao contrário dos homens, que, eu diria, se pudessem, comprariam um GPS clitoridiano.

OK, meninas, vamos à localização aproximada. Se a barriguinha não estiver proeminente, eu calculo, mais ou menos, uns dois palmos abaixo do umbigo. Acharam? Agora é preciso entender a sua cadên­cia. Cadência? Exato! Seria mais ou menos assim: clitóris não é uma bateria em que se toca rock’n roll com vigor e caos, mas seria como uma bateria de uma escola de samba, bem cadenciada e com uma boa evolução! Amei isso!!!

Mulheres, tudo pronto então? Agora é a hora de serem bem egoístas. Persistência, movimentos cadenciados e progressivos no sentido horizontal. Não falhará. Sim, sim, simmm! Um dedo mé­dio firme e perseverante. Façam justiça com as próprias mãos, meninas!

Depois do treino, vamos ao jogo! Se, no momento a dois ele não dominar a bola, a regra é clara: não faça média com seu médio (o dedo, lembram?), usem e abusem na cara do gol. E se ele fizer cara feia? Ah! Expulsão na certa! Sinal claro de que, além da cara, o cérebro também é feio.

Agora vamos às dicas para os homens.

Bom, partindo do pressuposto que vocês homens encontraram o clitóris, parabéns! Então podemos passar para o MBA clitoridiano!

Meninos, valem as mesmas regras das mulheres, mas muita cal­ma e delicadeza nessa hora.

Outra coisa, observem a parceira, pois se ela se esquivar, ficar com cara de paisagem ou apertar os dentes, pode não ser prazer, viu?! Não insistam! Deixem para lá! Ou melhor, cruzem a bola e dei­xem para ela marcar.

Até sugiro que vocês mesmos conduzam a sua parceira nesse momento. Assim vocês estarão dando a clara mensagem de que res­peitam e desejam que ela tenha o prazer dela!

É claro que não quero dizer com isso que vocês devam abando­nar o projeto clitoridiano. De forma alguma, meninos, perseverem! A recompensa é estimulante. Mas, definitivamente, não se tornem obsessivos pelo clitóris, isso também cansa uma mulher. Pode até se tornar opressivo. Acreditem!!!

E se a sua parceira é bem resolvida, isso não lhe dá o direito ao voyeurismo persistente de ficar pedindo: “Mais um, mais um, mais um!” Meus queridos, o clitóris tem um limiar de sensibilidade bem inferior comparado ao pênis.

E, meus caros, por fim, um assunto deveras difícil, ela ter optado por fingir um orgasmo e vocês perceberem. Ou seja, se ela passar léguas de distância do clitóris e não buscar outras formas de se es­timular, das duas uma: ou ela não fingiu e vocês encontraram o tãoenigmático ponto G dela, que é quase como acertar na Mega-sena ou … ela fingiu mesmo. Então abafem o caso, e conversem com a parceira em outra hora. Mas, por favor, não deixem barato, pois o custo para o relacionamento será altíssimo!

Enfim, clitóris é assunto complexo, mas nem tudo no sexo se resume a orgasmo.

Todavia, se você, homem ou mulher, desconfiar que o clitóris se tornou totalmente obsoleto na relação, fique esperto, pois esse pode ser mais um caso de clitóris desaparecido.

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claudia coelhoCláudia Coelho nasceu em Porto Alegre, é formada em Psicologia desde 1993 pela PUCRS. É  Psicóloga Clínica e Consultora em Gestão de Pessoas. Especialista em Psicologia do Trânsito e  Projetos Sociais e Culturais.  Atua em  avaliações psicológicas comocredenciada  do DETRAN/RS e  Polícia Federal. Sem dúvida, a característica polivalente da autora propiciaram-lhe vivências enriquecedoras e multifacetadas. Em 2008  começou a escrever suas primeiras crônicas em seu blog (http://psiclaudiacoelho.blogspot.com.br/).  É aluna de  Desenho e Pintura  do Atelier Livre  da Prefeitura de Porto alegre,  onde desenvolve trabalhos que dialogam com suas crônicas. As crônicas aqui publicadas estão em Lógicas Invertidas – crônicas / Cláudia Coelho. ( Evangraf, 2012)

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3 Responses to “A crônica de Claudia Coelho: Clitóris: procura-se!”


  1. 1 MARCO ANTONIO UBERTI GONÇALVES
    25 de abril de 2013 às 14:48

    Parabéns! Um texto sério. Leve e esclarecedor ao casal, principalmente aos casados há algum tempo, que ainda procuram o clitóris. Att. Marco

  2. 2 elinei
    25 de abril de 2013 às 12:08

    Muito bom,Claudia. Adorei o teu livro.bj

  3. 3 GABRIELA MAISONNAVE RAFFONE
    25 de abril de 2013 às 00:46

    Parabéns, amei…Sucesso!!!


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