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A crônica de Emir Ross: Pubblicità Caffè

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Pubblicità Caffè, por Emir Ross

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Quando eu crescer, não quero ser publicitário: quero ser dono de um café.

Quando eu crescer, não quero um sorriso estampado no rosto e um rótulo estampado na testa. Quando eu crescer, não quero fazer campanhas, mesmo que seja esta contra os rótulos. Porque os únicos rótulos que gosto são de vinhos e cervejas. E a única campanha que presta é a campanha gaúcha.

Quando eu crescer, não quero falar frases com a metade das palavras em marquetês, afinal, vivo no Brasil e aqui se fala brasileiro. Quando eu crescer, não quero comer modelos que não enxergam através do espelho: quero uma namorada que saiba ler as entrelinhas.

Quero um cabernet ao invés de uma coca-cola; quero um risoto com música ao vivo ao invés de uma pizza na mesa de reuniões. Quero um amigo ao invés de um dupla de criação.

Quando eu crescer não terei idéias: gozarei.

Quando eu crescer não planejarei o ano: viverei.

Quando eu crescer não terei um anúncio na manga: terei convicções.

Pois quando eu for grande, não irei atrás de prêmios, irei atrás de gente.

E passarei noites memoráveis ao invés de noites em claro.

Quando eu crescer não quero ser publicitário: quero ser duradouro.

Não farei as pessoas comprarem: as farei felizes.

Não direi que um produto mudará suas vidas: servirei um café.

E puxarei uma canção, ao invés de um tapete.

Quando eu crescer, não tentarei inventar o mundo: tentarei decifrá-lo.

Tentarei contar uma história triste: porque nas histórias tristes está a essência das coisas.

Tentarei fazer com que as pessoas adotem um animal: porque ser vivo não se compra ou vende, além do que, muitos não têm porque botar um filho na terra.

Tentarei instituir a hora do abraço. Porque enquanto as mãos estiverem ocupadas não podem fazer bobagens.

Quando eu crescer, todos poderão visitar meu café na ‘noite do escuro’. Porque quando não há luzes, conseguimos enxergar muito melhor.

E, finalmente, quero que todos tenham tempo e vontade para ler os textos até o fim, quantas vezes for necessário, e se emocionem pelo simples fato de sua vida não ser de plástico e seu trabalho não servir apenas para ser colocado sobre o tapete de um carro na forma do jornal de ontem.

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Emir Ross é publicitário e escritor e mora em Porto Alegre. Tem participação em 9 antologias de contos e recebeu mais de 20 prêmios literários. Entre eles, o Felippe d’Oliveira em Santa Maria (3 vezes), o Escriba de Piracicaba (2 vezes), o Luiz Vilela de Minas Gerais (2 vezes), o José Cândido de Carvalho do Rio de Janeiro (2 vezes), o Prêmio Araçatuba, entre outros. Escreve no blog milkyway.

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Emir Ross publica quinzenalmente neste blog.

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1 Response to “A crônica de Emir Ross: Pubblicità Caffè”


  1. 1 Carlos Grassioli
    17 de maio de 2013 às 19:31

    Pois é… já, eu, quando crescer, me darei por satisfeito se conseguir dominar o verbo como Emir Rossi, que pra mim já “está pronto”, ainda que em fase de crescimento.
    Gosto muito do que escreves e de como escreves.
    valeu!


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