Arquivo para 24 de maio de 2013

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maio
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Vai rolar na Palavraria, neste sábado, 25/05: AGES Entrevista, com Marlon Almeida, Valesca de Assis e Hermes Bernardi Jr.

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25, sábado, 10h: AGES Entrevista. Marlon Almeida recebe Valesca de Assis e Hermes Bernardi Jr.

AGES ENTREVISTA

 A Associação Gaúcha de Escritores – AGES, em parceria com a Livraria PALAVRARIA e com o programa POESIA BLUES (www.radiofalandodeamor.com.br), do sócio e poeta MARLON DE ALMEIDA, apresenta, ao longo do ano, sempre aos sábados, uma série de entrevistas abertas, com escritores associados, para irem ao ar no mesmo sábado do evento, às 20h, com reprise aos domingos, 11h, às terças-feiras, 20h, às quintas-feiras, 10h e às sextas-feiras, 17h. O objetivo é de divulgar a obra dos convidados e organizar um material, em mídia CD, com o resultado do trabalho.

Valesca de AssisValesca de Assis nasceu em Santa Cruz do Sul, RS, em 1945. Estreou na Literatura em 1990. Desde então, publicou livros em diversos gêneros – novelas e romances adultos, literatura para crianças e jovens – e recebeu vários prêmios, entre os quais o Prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Artes) 2000 e Prêmio Açorianos de Literatura 2001. Atualmente, ministra oficinas literárias em Porto Alegre e São Paulo, e participa ativamente da vida cultural gaúcha.

hermes bernardi jrHermes Bernardi Jr. é escritor e ilustrador de Literatura para crianças. Reside em Porto Alegre, onde criou projetos de incentivo à leitura, tais como: Tapete Mágico – espaço de leituras, Colcha de histórias, – espaço itinerante de contação de histórias, 30 retalhos – a poesia ao alcance do olhar, e Terça eu conto pra você – Prêmio O Sul e os livros – Melhor projeto de incentivo à leitura 2008; além de receber o Prêmio Palavra Viva 2009, do Sintrajufe/RS. Hermes é presidente da AEILIJ – Associação de Escritores e Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil, coordena e faz a curadoria do Seminário de Literatura Infantil e Juvenil/AEILIJ na Feira do Livro de Porto Alegre. Coordenou as oficinas de literatura da Descentralização da SMC de Porto Alegre e desenvolveu o Projeto Tapete Mágico – Espaço de leituras, além de outros projetos de incentivo à leitura para crianças com o financiamento do Fumproarte. Tem mais de uma dezena de livros publicados, dentre os quais destacam-se Doido pra voar (Artes e Ofícios Editora/RS) e Medo dó de medo monstro (Editora Zit/RJ-2012). Em 2009 foi finalista do Prêmio Jabuti de Literatura, com E um rinoceronte dobrado (Editora Projeto/RS) e, em 2011 teve seu livro Pé de Sapato indicado ao Prêmio AGES – Livro do Ano. Seu livro Pé de Sapato – uma história de muitas histórias também foi selecionado para o catálogo de Bolonha/Itália, organizado pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, como uma das obras de referência da LIJ brasileira, em 2011.

marlon almeidaMarlon de Almeida é doutor em Letras pela UFRGS com tese sobre a poesia de Guilhermino Cesar. É autor dos livros: Histórias de um domingo qualquer (1994), Domingo desde a esquina (1997), Domingo de futebol (1997), Domingo de chuva (2000), Malabares ou clube dos incomparáveis (2003) – livro indicado ao Prêmio Portugal Telecom de Literatura Brasileira, Prosa do mar (7Letras/2008), vencedor do Prêmio da Associação Gaúcha de Escritores e do recente O pistoleiro e o guarda-meta de Bagé e outros poemas de acontecido.. Além de escritor, Marlon  é professor do Colégio de Aplicação da UFRGS.

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A crônica de Ademir Furtado – Recados de Londres: A pátria dos expatriados

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A pátria dos expatriadospor Ademir Furtado

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Pink Street Photography - London England - Graffiti
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Uma das coisas mais fascinantes numa viagem é a necessidade que a gente tem de se livrar dos referenciais do cotidiano e se reestruturar no novo espaço. É uma maneira de descobrir os aspectos que são realmente importantes da nossa personalidade, e os que a gente deveria abandonar, ou pelos menos trabalhar um pouco sobre eles. Nesse processo, a gente pode descobrir novas perspectivas, ou desenvolver potencialidades que ficaram adormecidas ao longo da nossa formação. Como a sociabilidade, por exemplo.  Eis uma qualidade que muita gente não desenvolve porque não precisa dela. Mas ser sociável num pais estrangeiro, onde não se conhece ninguém e não se domina o idioma, é quase uma questão de sobrevivência.

Pois tenho notado aqui em Londres, de parte dos imigrantes, uma receptividade que me surpreendeu. Minha experiência anterior na Europa foi na Alemanha, um pais que se mostrou muito carente desse sentimento de aceitação do outro. Mesmo para mim, com uma evidente descendência, e que cheguei lá com um conhecimento razoável de alemão. Mas lá os estrangeiros sempre foram vistos com muita desconfiança, quando não com aversão explícita.

Aqui em Londres, parece que os estrangeiros vivem num estado de espírito mais tranquilo, o que os torna mais simpáticos. É claro que se trata de impressões de terceira semana de viagem, de alguém que não está disputando espaço com ninguém. O que importa é que a sensação é boa. Não há aqui aquela tensão vivida na Alemanha nos momentos em que a comunicação se tornava difícil. Basta se mostrar um viajante que a curiosidade é imediata. E, por incrível que pareça, eles, em geral, gostam do Brasil, o que me dá um pouco de crédito para um bate-papo. Como o caso do garçom que, ao perceber meu inglês forçado, quis saber minha procedência. Era um português, e não precisou mais nada para desandar a falar de si. Casado com uma brasileira, tinha morado em São Paulo e exibia um inconfundível sotaque paulistano. Ou, ainda, o barbeiro libanês, o único que encontrei domingo de manhã. Foi só saber da minha origem para se pôr a falar de futebol e carnaval, provavelmente as únicas coisas que conhecia do Brasil. No final, nos despedimos com abraços e saí com a promessa de retornar em duas semanas, que é o tempo que minha barba leva para me deixar com cara de homeless.

Uma das hipóteses que desenvolvi é que a condição de estrangeiro deixa as pessoas mais tolerantes e receptivas. Como se fosse uma necessidade de encontrar o outro numa comunidade de exilados. Naturalmente que os ingleses nativos estão longe de parecerem pessoas antipáticas. Pelo menos aqueles com quem tive algum contato. Daí, eu fiquei divagando a respeito do sentimento deles sobre o lugar que ocupam nesta cidade. Considerando-se a quantia de imigrantes que se vê nas ruas, não seria de estranhar que os autênticos londrinos se sintam expatriados. Ou talvez, em tempos de globalização, o conceito de pátria precise de uma revisão. Um caminho que parece viável é que as fronteiras não sejam mais geográficas e sim espirituais, definidas apenas por esse desejo de ir ao encontro do outro.

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Ademir Furtado é autor do romance Se eu olhar para trás (Dublinense, 2011). Escreve no blog http://prosaredo.blogspot.com

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A prosa ligeira de Jaime Medeiros Jr.: Milan Kundera (ou Do riso)

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Milan Kundera (ou Do riso), por Jaime Medeiros Júnior

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risiveis-amores.

Ignoro se  alguna vez creí en la Ciudad de los inmortales:
pienso que  entonces me bastó la tarefa de buscarla.
[Borges – El inmortal – El aleph]

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Propus para o clube de leitura da Palavraria lermos Risíveis amores, pois o tinha lido nos já bem distantes anos 80. Quase nenhum recuerdo feito de início, meio e fim, só guardara a sensação de que tinha sido bom lê-lo. E também a lembrança de uma conversa com a amiga Adriana Lunardi, onde havíamos concluído que Kundera escreve melhor contos do que romances.

Apesar de aceita a proposta, houve o contradito: será que podemos falar de um livro de contos na sua inteireza, ou teremos de falar da particularidade de cada um dos seus contos? Algo em mim antevia a possibilidade de se extrair sumo não só de cada um dos quadros mas também de todo o percurso da exposição. Esta aposta se dava na sensação, algo vaga, que guardava, de que alguma coisa neste livro fazia com que os contos funcionassem como um todo e não apenas de modo isolado.

Além disso, não fazia muito topara com um ensaio de Alain Finkielkraut sobre A brincadeira de Kundera. O qual me pareceu apresentar a chave não só do romance ali abordado, mas também parecia ser capaz de destravar os caminhos do percurso dos contos de Risíveis amores [ambos foram compostos à mesma época]. Qual seja? O riso.

Finkielkraut começa por lembrar-nos que Kundera em sua A arte do romance cita o provérbio judaico – O homem pensa, Deus ri . Depois situa-nos no grande espectro da nossa postura diante do rir. Espectro em que numa das extremidades havemos de encontrar o agelasta [aquele que não se deixa irromper em riso nunca, tudo é muito sério para que se possa achar graça]. No outro extremo temos o riso do deboche, do escracho, de quem não consegue ver senão motivos de riso no mundo posto diante de si.

Os personagens de Kundera parecem ser portadores de um riso em confronto equívoco com a experiência de uma vida oficial agelasta, baseada na paranoia oficial da Tchecoeslováquia totalitária em que vivem. Essa mesma paranoia obriga a que os personagens tenham de coibir seu riso, o qual há de transmutar-se em jogo. Aqui o jogo torna-se talvez o instrumento do riso de Deus, que desafia a todo momento o cogitar humano que quer pôr ferros à vida. Aqui é impossível conviver com o riso. Qualquer brincadeira, por mais inocente que possa ser, traz em si energia suficiente para desencadear toda uma sucessão de pequenos desastres que forma ao fim de tudo uma grande comédia de erros. Comédia  que  há de condenar também o leitor a rir, riso cheio de comiseração pela dor daquelas personagens que estão sempre a supor saber qual será o próximo lance do jogo.

E então ouvimos o grito do protagonista do primeiro dos contos do livro. Preso entre um Estado incapaz de assimilar o blefe, blefe que nasce da necessidade de parecer aquilo que supõe que os agentes do estado estão a querer dele. Diz então à sua amante: Veja Klara, você pensa que uma mentira vale tanto quanto outra, mas está errada. Posso inventar qualquer coisa, zombar dos outros, criar toda espécie de mistificações, fazer todo tipo de piadas e não tenho a impressão de ser um mentiroso; essas mentiras, se quiser chamá-las mentiras, sou eu, tal como sou; com essas mentiras não simulo nada, na verdade com essas mentiras estou dizendo a verdade. Mas existem coisas sobre as quais não posso mentir. Existem coisas que conheço a fundo, e que amo. Não brinco com essas coisas. Mentir sobre isso seria me diminuir, não posso fazê-lo, não exija isso de mim, não o farei.

Aqui partimos em direção dos próximos quadros em exposição e percebemos que também nestes haveremos de encontrar sempre o mesmo mote, o jogo que as precavidas suposições das personagens obrigam-nas a jogar. O jogo agora já não permeia apenas as relações de ofício, mas invade as relações amorosas, de amizade. Invade a intimidade. Até culminar no jogo que se origina das expectativas que as personagens têm para consigo mesmas, onde o sempre presente riso de Deus mostra também quão improvável é o controle que elas pretensamente têm sobre seus desejos e pulsões.

Extrapolemos agora os limites da obra de Kundera. Finkielkraut anuncia que vivemos a vitória do riso. Que nosso tempo é o do escracho e o da zombaria, onde já não guardamos mais lugar nenhum em que não se imiscua o riso [exemplificando: tempo de Pânico ou Cqc]. Tempo em que sacrificamos todos os valores no altar do riso [perde-se o amigo mas não a piada]. Aquele grito em prol do que se conhece a fundo, do que se ama, parece ter sido emudecido pela necessidade onipresente de parecer ser, de se conformar as expectativas, de dizer sempre o inteligente, o engraçado e o perspicaz pré-concebidos.

Esse jogo a que nossas expectativas nos obrigam, parece fazer recair sobre o outro a mofa, aqui partimos sempre de certezas, das certezas de mercado, das certezas de ocasião, que parecem nos condenar a perda do outro, porque simplesmente não o escutamos, pois já sabemos o que ele quer ouvir. A nossa resposta se torna reflexa, pouco nossa. Joga-se. Blefa-se. E por consequência temos também a perda do sujeito, que agora não é senão reflexo de um outro sem substância.

Como sair desta enrascada? Pois parece que o caminho escolhido pelo Jorge de O nome da rosa, condenar o riso ao desaparecimento, envenenar as páginas da Estética que tratam sobre a comédia parece estar interdito. Pelo menos àqueles que não crêem na prescrição pura e simples da verdade de Estado, religiosa ou outras que tais. Teremos de ser acometidos de paralisia facial, para que não possamos rir? Mesmo isso não apagaria a nossa intenção de rir, o riso se faz antes do esgar dos lábios.

Aqui talvez coubesse lembrar a cena final do Symposium. Os convivas dialogam e bebem, a noite acomete-os, o cansaço, o torpor aos poucos os dominam. Poucos restam. Por fim Sócrates é quem sobra, após ter posto para dormir a comédia [Aristófanes] e a tragédia [Ágaton]. A filosofia quer superar esse par de opostos. Aqui havemos de conhecer a ironia socrática, que não deixa de guardar lugar para o riso. Mas este riso não quer se chocar com um outro suposto, e sim ser meio para chegar ao encontro com um outro substancial. Um outro a ser descoberto, a ser desvelado no percurso do diálogo. Talvez nunca encontremos a Cidade dos Imortais, mas cabe-nos a tarefa de buscá-la.

jaime medeiros júniorJaime Medeiros Jr (1964). Médico pediatra. Escritor portoalegrense. Publicou Na ante-sala (poemas, 2008) e Retrato de um tempo à meia-luz(crônicas, Modelo de Nuvem, 2012). Publica no seu blog Simples Hermenáutica.

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