Arquivo para 9 de junho de 2013

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Programação de 10 a 15 de junho de 2013

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10, segunda, 18h30: Saideira da Festipoa 2013 – Personagens no Romance, com Letícia Wierzchowsky, Ana Mariano e Tabajara Ruas.

FestiPoa Literária conclui sua programação no primeiro semestre

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A “saideira” da 6ª edição da FestiPoa Literária promoverá o encontro dos ficcionistas Tabajara Ruas, Leticia Wierzchowski e Ana Mariano. O tema da conversa serão os personagens de “O tempo e o vento”, épico de Erico Verissimo. O público terá oportunidade de ouvir dos autores relatos que dizem respeito à influência que a narrativa de Verissimo provocou na criação de seus próprios personagens e livros.

Leticia Wierzchowski por Carin MandelliTabajara Ruas_Crédito Dulce HelferLeticia e Tabajara trabalharam juntos no roteiro da adaptação cinematográfica de “O tempo e o vento”, que deve chegar aos cinemas em setembro, com direção de Jayme Monjardim.

ANA MARIANOAna Mariano é autora do romance “Atado de ervas” (L&PM), finalista do prêmio São Paulo de Literatura 2012. Leticia prepara-se para lançar em julho, estreando na editora Intrinseca, seu novo romance, “Sal”, e Tabajara finaliza novo longa, “Senhores da guerra”, adaptação do romance homônimo de José Antônio Severo.

O evento segue apresentando variada programação de atividades literárias em livrarias e espaços culturais no segundo semestre sob o título de FestiPoa revisitada e sampleada.

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11, terça, 18h: Roda de Leitura, enfocando o livro Vento sobre terra vermelha, de Caio Riter. Com o autor e a mediação de Laura Rangel.

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Na obra, Caio apresenta um bem amarrado conjunto de contos sitiados em uma cidade a todo tempo desafiada por pequenas barbáries, quase sempre cometidas por gente comum e sem rumo. Os 15 contos do livro falam de personagens marcados pela estranheza e pela fatalidade, envolvidos em histórias de buscas por si mesmos e por algo maior em suas vidas.

caio riterCaio Riter é porto-alegrense. Professor, mestre e doutor em literatura brasileira, ministra oficinas de criação literária e, desde 1994, tem publicado regularmente livros para crianças e jovens. Sua última publicação para adultos foi o livro de contos A dobra do mundo, de 2003, livro finalista do Prêmio Açorianos. Vencedor e finalista de vários prêmios literários, Caio foi o primeiro brasileiro a receber o Barco a Vapor com o livro O rapaz que não era de Liverpool, em 2005. Em sua trajetória literária, são mais de 40 livros publicados.

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12, quarta, 19h: Lançamento de livro Ecoplamento, de Gert Schinke (Editora Insular).

ecoplamentoA teoria do ‘Ecoplamento’ explica o processo de assimilação das questões ecológicas por parte do sistema capitalista global, tanto ao nível do discurso político quanto ao nível da economia. Evidencia como se operam as relações das diferentes ‘ações/medidas ambientais’ em suas interfaces nas diversas esferas territoriais e institucionais, desvendando os bloqueios e contramedidas que o sistema capitalista mundial coloca diante de toda ‘ação/medida de caráter ecológico’, de forma a neutralizá-la nas esferas territoriais e institucionais similares ou superiores, sob a forma da conhecida ‘maquiagem verde’.

“O autor nos oferece a oportunidade de uma profunda reflexão das artimanhas do sistema capitalista para nos colocar em um verdadeiro engodo de possibilidades e promessas que a tecnologia nos salvará do colapso em curso, segundo ele, protelando sempre as mudanças necessárias na estrutura política socioambiental. O ineditismo da ‘teoria do ecoplamento’, que inova e agrega um novo conceito na ecologia política, possibilita entendermos de forma clara, a relação política com as questões ambientais. (…) Esta é uma obra que vem de forma criativa e simples oportunizar a todos, desnudar, descortinar a maquiagem verde, chamada de sustentabilidade pelo capital, para evitar a mudança estrutural que se faz necessária para termos uma ecologia efetiva e eficiente, com ênfase nas relações sociais, uma ecologia socioambiental, não uma sustentabilidade apenas do sistema financeiro capitalista, mas uma que esteja a serviço da vida em todos os níveis.” (Carlos Roberto Vieira)

Gert Schinke - PBGert Schinke, historiador e ecologista, foi vereador pelo PT e pelo PV em Porto Alegre. Atualmente vivendo em Florianópolis, SC, coordena o Centro de Direitos Humanos da Grande Florianópolis e o Movimento de Saneamento Alternativo (Mosal) e preside o Instituto para o Desenvolvimento de Mentalidade Marítima (Inmmar), além de ser coordenador geral da Federação das Entidades Ecologistas Catarinenses. Em 1986, publicou o livro Ecologia Política (Tchê! Editora), “manifesto ecológico, escrito sob a ótica marxista”.

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13, quinta, 19h: Lançamento do livro Expulsão, de Hilda Simões Lopes (Ed. Confraria do Vento)

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Os 16 contos de EXPULSÃO têm homogeneidade de conteúdo. Abordam conflitos fortes onde os personagens estão enredados em situações familiares e de relações humanas radicais. A violência em suas vidas escancara-se em metáforas, símbolos e imagens que remetem o leitor a questões do dia-a-dia comumente encobertas, dissimuladas, negadas ou, quando visíveis, pouco perceptíveis devido aos condicionamentos psico-emocionais, sociais e familiares.

No conto DESTERRO,  o desterro não é ser mandado para o exílio mas é  ficar refém de pessoas cheias de vida e esvaziadas de si mesmas. Ao longo do livro, os desterrados e a descomunal dificuldade existencial e social de uma pessoa se manter conectada ao que ela de fato é, torna-se gritante: em EXPULSÃO, onde um “passa o bastão”  ao outro; PROGRAMAÇÃO, em que a mãe castradora é delineada em sua opulência, invisibilidade e poder devastador; PAPÉIS mostra o ser humano submetido e coisificado na busca desesperada pelo ter; MARCHA-A-RÉ é a mulher tradicional refletindo seu papel na hora da separação; FIOS fala dos invisíveis fios de comando de toda gente; DESVIO enfoca o triângulo  marido/esposa/amante inconscientemente sustentado e incentivado pela esposa; OLHOS tem de tragédia grega mas é a comum tragédia de uma mal resolvida relação edipiana; PEDRAS enfoca a criança que todos temos e que não quer um mundo duro, escuro e de caminhos entulhados;  YONNA vai ao cerne e quanto mais for lido mais irá revelar sobre a questão do exercer-se; em SANGUE aparece o abandono do velho e em ETIQUETAS, de certa forma, o abandono da criança; RUMO diz do desterro dos migrantes rurais; TEIA fala do encontro de desterrados, como também ONDINA; BANQUETE termina escancarando a antropofagia social.

Expulsão, com sua linguagem metafórica e riqueza sub-textual, é um livro para o leitor ler, mergulhar nas entrelinhas e viajar além das linhas porque a vida, em sua complexidade e na crueza de suas perplexidades,  é a matéria pura de seus contos.

hilda simões lopesHilda Simões Lopes Costa. Nascida em Pelotas, é bacharel em Direito, mestre em Sociologia pela Universidade de Brasília e professora universitária aposentada pela Universidade Federal de Pelotas. Fez oficinas de Criação Literária com Luiz Antonio de Assis Brasil, em Porto Alegre e no Centro Cultural de Las Americas, no México. Há 12 anos, ministra oficina de criação para jovens e escritores em Pelotas e, mais recentemente, em Porto Alegre. Em 2009, foi patrona de Feira do Livro de Pelotas. Publicou os livros Do Abandono à DelinqüênciaSenhoras e Senhoritas, Gatas e Gatinhas (ensaios sociológicos); A Superfície das Águas, prêmio Açorianos de Literatura, 1998, pelo Instituto Estadual do Livro; Cuba, Casa de Boleros, conjunto de crônicas,  finalista prêmio açorianos, pela AGE; Um Silêncio Azul, AGE; o romance A Anatomia de Amanda, pela editora Juruá, onde a autora analisa a obra ‘A Paixão Segundo GH’, de Clarice Lispector e  o livro didático Manual de Criação Literária, pela Editora Baraúna.

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15, sábado, 17h: Lançamento do livro de Catarino Brum, o poeta papeleiro. Pocket musical com a banda Fróide Explica.

A obra foi escrita por Catarino, decidido a resgatar a autoestima da filha, que era motivo de chacota na escola por ser filha de um catador e papeleiro.

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Morador de Gravataí, ele gastou o que não tinha para a impressão de mil exemplares do livro Escritor e Papeleiro. O caso de Catarino ganhou espaço na mídia em dezembro de 2012. A partir daí, algumas pessoas começaram a ajuda-lo. Entre eles, Paulo Pruss, editor do perfil Porto Alegre Personagens no Facebook, que encampou a causa e decidiu organizar uma campanha pelas redes sociais. A mobilização rendeu a venda de mais de 50 livros, conquistou novos parceiros, entre eles o músico Jottagá Souza Gomes, da banda Fróide Explica, e o jornal Fala Bom Fim. Agora, juntos, eles organizam à tarde de autógrafos para Catarino na Palavraria, buscando visibilidade à obra do papeleiro.

Quem comparecer ao evento, além de poder conferir de perto a obra e a coragem de Catarino, ainda curtirá uma canja de Jottagá em um pocket show, quando apresentará músicas do seu mais novo lançamento “Saboroso Bom Fim”.

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09
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A crônica de Emir Ross: Ditadura do Faustão

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Ditadura do Faustão, por Emir Ross

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Cada vez que se fala do surgimento de um futebolista, taxa-se: jamais chegará aos mil gols de Pelé.

Eu não entendo porque os mil gols são tão importantes. Conheço boleiro que já fez mais de cinco mil gols. É só ir para essas canchas de futebol aos finais de semana e perguntar que se encontra aos montes. Mas, então, se tanta gente faz tantos gols, porque os importantes são os de Pelé?

O que importa na verdade, em qualquer que seja o assunto, não é o que acontece, mas o que está ao alcance de um conhecimento limitado de pessoas.

Bem sabido isto, é deprimente nos dias correntes ser um desconhecido que já fez mais de cinco mil gols.

Trocando em miúdos, é fácil deprimir-se ainda mais se começarmos a falar em música, literatura e outras artes onde a maioria do que é bom não chega ao alcance do público.

Estamos vivendo a ditadura cultural do Domingão do Faustão.

Quando um indivíduo entrega-se a ela, seus ouvidos e cérebros não conseguem mais se locomover. Na sofreguidão caquética dessa ditadura, deixa-se de gostar de música, de literatura ou de cinema. Tem gente que não vai assistir a determinado filme apenas por ‘não gostar de cinema nacional’. Nestes termos as discussões da semana não giram em torno dessa ou daquela obra e sim sobre quem apareceu no Faustão e que roupa vestia.

Um mês depois do aparecimento, ninguém lembra da grande obra do artista de um domingo que vendeu horrores na segunda e, do nada, deixou de existir.

Ganha a naba que apareceu na telinha, ganha o plim-plim, ganha o selo que o patrocina. Sabe quem perde?

Em poucas linhas, perguntarão o que Pelé tem a ver com isso. Respondo que, se Pelé fizesse dez mil gols ali no campo da Redenção, ninguém saberia que ele teria existido, apesar do estupendo recorde de gols.

Conheço algumas bandas de Porto Alegre que podem ser comparadas tranquilamente ao The Who, ao Jethro Tull ou ao Belle & Sebastian pela qualidade do seu trabalho. Mas, por fazerem seus gols no campo da Redenção, Deus e o Diabo, Bilirrubina, Irmãos Rocha e Input Output deixaram de existir após um ou dois álbuns. Depois surgem outras marcando inúmeros gols: Apanhador Só, Procura-se Quem Fez Isso. Não vou me estender falando de escritores, cineastas, artistas plásticos que sequer conheço e certamente teriam um trabalho para se aproveitar exaustivamente. Mas o que fazer, eles não chegam ao Domingão do Faustão e não usam chapinha. Melhor parar por aqui e aproveitar os shows dos referidos enquanto existem.

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Emir Ross é publicitário e escritor e mora em Porto Alegre. Tem participação em 9 antologias de contos e recebeu mais de 20 prêmios literários. Entre eles, o Felippe d’Oliveira em Santa Maria (3 vezes), o Escriba de Piracicaba (2 vezes), o Luiz Vilela de Minas Gerais (2 vezes), o José Cândido de Carvalho do Rio de Janeiro (2 vezes), o Prêmio Araçatuba, entre outros. Escreve no blog milkyway.

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Emir Ross publica quinzenalmente neste blog.

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