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A crônica de Emir Ross: Eu sou um cretino

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Eu sou um cretino, por Emir Ross

Eu sou um cretino. E não me esforço para isso. Consigo ser na mais absoluta espontaneidade. Tem gente que se esforça. Faz até cara feia para parecer-se como tal. Mas não consegue. Os cretinos têm a cara bonita. Um sorriso tão falso que se expressa como o mais verdadeiro.

Eu sou um cretino de cara bonita. Faço até algum esforço para parecer mais feio, como deixar a barba mal feita e o cabelo desarrumado. Mas os cretinos conseguem sempre figurar melhores do que são.

Uma amiga perguntou-me por que eu andava sem escrever. Respondi com uma pergunta. “Não?”. “Pelo menos nos últimos tempos, nada novo.”, disse ela, ingenuamente, como todas as pessoas de bem. Então, fui sincero: “Escreverei qualquer cretinice.”

Queria pegar uma poesia. Curta. Para fazer as pessoas chorarem rápido. Mas desisti e decidi segurar a poesia pra semana seguinte. Na verdade, sou tão cretino que estava com preguiça de procurar tal poesia. “Farei um texto rápido, falando de mim”.

As pessoas gostam de ler confissões ou diários ou coisas parecidas referentes à vida alheia. Alguns sábios as chamam de cretinas. Mas eles não sabem o que é ser cretino. Essas pessoas são apenas burras. E burrice é algo de fácil convivência. Já a cretinice é uma arte. Não se aprende. Nasce-se com ela.

E, felizmente, para mim, quanto mais o tempo passa, mais os dotados dela se aprimoram.

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Emir Ross é publicitário e escritor e mora em Porto Alegre. Tem participação em 9 antologias de contos e recebeu mais de 20 prêmios literários. Entre eles, o Felippe d’Oliveira em Santa Maria (3 vezes), o Escriba de Piracicaba (2 vezes), o Luiz Vilela de Minas Gerais (2 vezes), o José Cândido de Carvalho do Rio de Janeiro (2 vezes), o Prêmio Araçatuba, entre outros. Escreve no blog milkyway.

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Emir Ross publica quinzenalmente neste blog.

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1 Response to “A crônica de Emir Ross: Eu sou um cretino”


  1. 1 Carlos Grassioli
    9 de julho de 2013 às 23:54

    Como também sou um cretino , mas desavisado e sem talento, resolvi, antes de dormir, dar uma olhadinha no blog da palavraria e dou de cara com tua ” cretinice” , na linha ” pediu, levou” , pra amiga que fez a pergunta “ingênua” .
    E já que tua poesia só ficou na promessa, deixo , então, aqui, a título de colaboração, um dos haicai mais belos que eu li nesses últimos dias, da poetisa brasileira, , Christiana Nóvoa , que escreveu a pedido do excelente escritor angolano, José Eduardo Agualusa ,( merecedor do sobrenome que tem) para fazer parte do seu, também, excelente romance , “ Teoria Geral do Esquecimento”.

    “ eu ostra cismo
    Cá com minhas pérolas

    Cacos no abismo.”


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