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A crônica de Emir Ross: Os patos

 

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Os patos, por Emir Ross

 

O Brasil é o país dos patos. Há uma circular que coleta assinaturas. A intenção é substituir as estrelas da bandeira por patinhos. Todas as esquinas teriam seu estandarte. Para confundir os atiradores. Ao invés de mirarem nos patos a dirigir automóveis, tentariam acertar nos patinhos da bandeira.

Antigamente, os patos migravam conforme a estação do ano. Mas, pelas mudanças climáticas, o máximo que conseguem hoje é locomover-se de uma parte da cidade à outra. Geralmente à noite.

Os caçadores, por sua vez, estão sempre à espreita. Vez em quando, aparecem com motocicletas.

Já houve um representante da Associação de Proteção aos Patos (APP) que sugeriu aos penosos não pararem nos sinais vermelhos após a meia-noite. Assim, deixariam de ser patos fáceis. Mas logo a Associação dos Caçadores (AC) respondeu: “Se não pararem nos sinais vermelhos, serão multados.”

Patos são sensíveis à multas.

Estas costumam ser mais violentas que os projéteis.

Então os patos arriscam. Grande parte vai para a panela.

A panela não é um lugar muito agradável. Mas é a lei da selva.

A selva, por contraponto, tem-se tornado um local cada vez mais civilizado. Há leis para tudo. Menos para os direitos dos patos. Por isso, quem paga o pato nessa história é o próprio pato. Mas isso não é um problema. Eles se multiplicam aos milhares. Sempre haverá deles.

As associações também determinam as leis de conduta para os caçadores. Mas eles geralmente não as obedecem. É a lei da selva. Não há multas que os afetem. Por isso podem usar a munição que lhes apetecer para abater quantos exemplares conseguirem.

É claro que a APP nada pode fazer a esse respeito. Nem mesmo os patos que, apesar de serem em maior número, tem um cérebro pequeno e não conseguem se organizar para tentar acabar com os atiradores. A sua única reivindicação é para se mudar a bandeira do Brasil.

Entretanto, essa é uma medida difícil de ser discutida, quanto mais aprovada.

O que eu penso?

Que se mude a circular. Ao invés de substituir as estrelas da bandeira por patos, que se obrigue os postes a mijar nos cachorros.

 

 

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Emir Ross é publicitário e escritor e mora em Porto Alegre. Tem participação em 9 antologias de contos e recebeu mais de 20 prêmios literários. Entre eles, o Felippe d’Oliveira em Santa Maria (3 vezes), o Escriba de Piracicaba (2 vezes), o Luiz Vilela de Minas Gerais (2 vezes), o José Cândido de Carvalho do Rio de Janeiro (2 vezes), o Prêmio Araçatuba, entre outros. Escreve no blog milkyway.

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Emir Ross publica quinzenalmente neste blog.

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